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Curiosidades Bíblicas #07 (Que farei de Jesus, chamado Cristo?)

Você sabia que Jesus foi acusado de crime político? Não!? Então entenda o porquê!

Antes de entrarmos na condenação de Cristo vamos compreender um pouco o contexto social e político de Israel nos tempos messiânicos.

O contexto histórico e político:

Entre o último livro do Antigo Testamento (Malaquias) e o Primeiro do Novo (Mateus) existe um grande período de tempo em que a história judaica não foi relatada, aproximadamente 400 anos. No entanto com base em estudos históricos e arqueológicos é possível apresentar o contexto social e político da época e, desta forma, compreender melhor os eventos relatados durante o ministério de Cristo. Confira a linha do tempo:

Percebam que, durante um grande período de tempo, os romanos dominaram grande parte do mundo. Note que a história, tanto judaica, quanto dos cristãos é marcada pela opressão romana e pela constante perseguição.

Sendo que por volta do ano 65 depois de Cristo, uma rebelião contra os romanos eclodiu resultando na invasão de Jerusalém, pelo general Tito que, juntamente com as suas legiões, destruíram completamente a cidade, o Templo e, posteriormente, em 70/73 d.C., Massada, a última fortaleza judaica.

Mas quanto à acusação de Cristo?

Pois bem, conforme apresentado, sabemos que durante o ministério de Jesus o povo judeu estava sob domínio de Roma.

E no momento em que Ele foi preso a acusação apresentada a Pilatos era que Jesus se autodenominava “Rei dos Judeus” e que se levantava contra César:

Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo: Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César. João 19:12

Percebam que os judeus não possuíam autorização para crucificar a Cristo, visto que eles o condenaram de acordo com a sua própria lei, se Jesus fosse executado com base na condenação judaica, com toda certeza, Ele seria apedrejado:

Mas ele calou-se, e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito? E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu. E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas? Vós ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o consideraram culpado de morte. Marcos 14:61-64

Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus. João 19:7

No entanto Jesus foi crucificado, ou seja, foi morto com base na lei romana. Sendo acusação, apresentada, a Pilatos era que Ele estava levantando um motim contra Roma e contra César.

Neste contexto surge Barrabás que, ao contrário do que a grande maioria dos cristãos pensam, era, na realidade, um grande defensor da paz e liberdade de Israel, pertencente a um grupo conhecido como zelotes, e não um ladrão ou um bandido tal como conceituamos hoje (Leia “Solte Barrabás“).

O qual fora lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade, e de um homicídio. Lucas 23:19

Porém observamos que Pilatos, mesmo sob pressão dos judeus, não encontrou em Cristo as acusações apresentadas.

Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso. Mateus 27:24

Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isso, voltou até os judeus e disse-lhes: Não acho nele crime algum. João 18:38

Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, gritaram, dizendo: Crucifica-o! Crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós e crucificai-o, porque eu nenhum crime acho nele. João 19:6

Ou seja, embora as acusações fossem firmadas no contexto político, Cristo nos mostra, claramente, que seu Reino não é político. E com base nisso podemos retirar alguns pontos de extrema importância para nós, cristãos:

Jesus foi acusado de traição contra Roma. Pilatos, falando com Jesus, chega à conclusão que Ele é inocente de qualquer rebelião contra o governo romano. Jesus declara a Pilatos que seu reino não é um reino político deste mundo, mas um reino espiritual. Donald C. Stamps, Bíblia de Estudo Pentecostal, 1561

Pilatos tornou-se o símbolo dos que tomam decisões religiosas à base da conivência política, e não à base da verdade e justiça. Todo crente deve tomar cuidado para não transigir com a Palavra de Deus. Donald C. Stamps, Bíblia de Estudo Pentecostal, pág. 1560

O que o reino de Jesus não é. Ele ‘não é deste mundo’. Sua origem não está no mundo, nem visa a dominar o sistema deste mundo. Jesus não veio estabelecer nenhuma teocracia político-religiosa, nem exercer o domínio do mundo. Ele declarou que se tivesse vindo para estabelecer um reino político na terra, seus servos pelejariam. Mas não se trata disso. Daí seus seguidores não se servirem de meios terrenos para estabelecer seu reino Não se aliam a partidos políticos, grupos de pressão social, ou organizações seculares, para estabelecer o reino de Deus. Eles recusam-se a fazer da cruz uma plataforma de poder para controlar a sociedade. Donald C. Stamps, Bíblia de Estudo Pentecostal, pág. 1609

Que Deus vos abençoe.

Jamil Filho

Jamil Filho

Servo de Cristo Jesus, proclamador das Boas Novas, fundador e editor do Euaggelion.

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