/ Defesa da Fé

Venha meu reino...

Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.” (João 18:36-37)

Seguindo a mesma linha abordada essa semana no Blog Euaggelion estaremos, na medida do possível, alertando e refutando acerca dos riscos envolvidos no falso evangelho do reino terreno, teoricamente, de Deus.

Não vamos entrar novamente na questão acerca da acusação e condenação de Jesus, mas para efeito de compreensão deste artigo, tenha em mente que Ele foi acusado de crime político (Entenda o porquê aqui).

Que venha o teu Reino:

Creio que todos, ou a grande maioria, da humanidade conhece a oração que Jesus ensina a seus discípulos. E, assim como ocorre com outros trechos das Sagradas Escrituras, este também é distorcido em favorecimento das vontades humanas.

Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; Mateus 6:10

De que reino Jesus está falando? Onde e de que forma ele será estabelecido?

Devemos compreender que o reino anunciado por Cristo se trata do Reino espiritual de Deus e de seu poder e que aspectos importantes devem ser entendidos:

O reino é antes de tudo uma demonstração do poder divino em ação. Deus inicia seu domínio espiritual na terra, nos corações do seu povo e no meio deste (Jo 14.23; 20.22). Ele entra no mundo com poder (Is 64.1; Mc 9.1; 1 Co 4.20). Não se trata de poder no sentido material ou político, e sim, espiritual. O reino não é uma teocracia religio-política; ele não está vinculado ai domínio social ou político sobre nas nações ou reinos deste mundo. Deus não pretende atualmente redimir e reformar o mundo através de ativismo social ou político, da força, ou da ação violenta (Mt 26.52; Jo 18.36). O mundo durante a presente era, continuará inimigo de Deus e do seu povo (Jo 15.19; Rm 12.1,2; Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17; 4.4). O governo de Deus mediante o juízo direto e à força só ocorrerá no fim desta era.” (Donald C. Stamps, “O Reino de Deus” – Bíblia de Estudo Pentecostal)

Pois bem, com base nisso, sabemos que o reino de Deus e seu poder trata-se, na realidade, na manifestação da glória, misericórdia e salvação e não de domínio meramente humano sobre uma nação, por exemplo. Jesus nos deixa muito claro que seu Reino e seu Governo não se trata de um governo terreno.

“Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim? Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.” (João 18:33-36)

Cristo disse em João 8.44:

“Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.”

E sabemos que nEle não há engano nem mentira, pois Cristo testificava e realizava a vontade de Deus:

“Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.” (João 4:34)

“Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.” (João 5:19)

“Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.” (João 5:30)

“Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (João 6:38)

E em Deus não há mentira:

“Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa;” (Números 23:19)

Ou seja, se Cristo enquanto esteve nesta terra, cumprindo seu ministério, fez a vontade de Deus e, em Deus, não há mentira, então não há nenhuma base bíblica para defender a teoria de que Ele vai agir neste mundo por intermédio de homens em cargos de influência. Visto que o próprio Cristo afirmou que seu Reino não é deste mundo e que o próprio mundo o odiou (Jo 7.7; 15:18).

Além disso se o interesse ministerial de Cristo Jesus estivesse firmado em estabelecer um reino terreno de Deus, Satanás não teria oferecido o poder e a glória das nações, afinal Jesus estaria no comando, não é mesmo!?

Que venha o meu reino:

O maior problema da Igreja cristã contemporânea é que, ao contrário dos apóstolos e discípulos que abandonaram tudo para seguir Jesus (Mt 4.18-20; Lc 5.28; At 2.45;), os “cristãos” de hoje querem tudo para, se possível, seguir a Cristo.

“Se Deus não me der isso ou aquilo não vale a pena servi-lo.”

Será que o fato de você estar vivo hoje já não é um grande motivo para servir ao Senhor Deus? Pense nisso. Não temos o direito de exigir nada dEle!

“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam.” (Isaías 64:6)

Como nós, seres humanos míseros, temos a audácia de dizer: Deu é obrigado a realizar todos os meus sonhos? Ele já faz muito em nos deixar vivos mesmo sendo tão falhos como somos.

E é neste ponto que se encontra a raiz do problema: Se Deus tem que me dar tudo o que quero, nesta terra, então por qual motivo eu desejaria que Jesus voltasse para me tirar dela?

Já não há mais o princípio da vida cristã marcada pela cruz de Cristo, pela rejeição do mundo e de seus prazeres e padrões iníquos, mas sim uma repaginação “santa” de padrões sujos. Já não existe mais a preocupação em se preparar para o Arrebatamento, pois o “reino de Deus” será instaurado nesta terra.

Aos poucos  igreja tem sido invadida por um evangelho medíocre recheado apenas e tão somente de elementos terrenos. Cristo, sua obra redentora, seu ministério e seu Reino Eterno têm sido substituídos por homens, suas propostas, sua legenda e seu quadriênio.

Uma geração que louvará o anticristo:

Supostos cristãos que acreditam que Deus, de alguma maneira, irá agir neste mundo através seja da política, de grandes instituições ou de homens poderosos estão, na realidade, correndo um sério risco de enxergar no governo do Anticristo a imagem do Reino de Deus.

“E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia.” (Apocalipse 13.13,14)

Este “evangelho” superficial se afundará terrivelmente no engano do Anticristo, não apenas pelo fato de que o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz, mas também porque, nunca em outro momento da história, haverá um governo tão bem sucedido como será o governo satânico.

“Haverá paz, prosperidade e riquezas de forma tão irresistível, que as pessoas do mundo haverão de dar apoio incondicional a essa nova ordem mundial, liderada por aquele a quem a Bíblia se refere como o Anticristo.” (Arno Froese – Como a Democracia Elegerá o Anticristo, pág. 73)

Todo o mundo já está sendo induzido a crer que, em algum momento, surgirá uma pessoa capaz de dar fim às injustiças sociais e, que com o auxílio de Deus, implantará um reino sobrenatural nesta terra. No entanto tudo isso não passa de um grande engodo do qual todo o mundo e a falsa igreja cristã estão se embriagando.

“Não é preciso ser um especialista para reconhecer que o mundo já está embebedado com o vinho da prostituição da grande meretriz, a tal ponto que, na realidade, crê que todos os problemas podem ser resolvidos por sua própria iniciativa” (Arno Froese – Como a Democracia Elegerá o Anticristo, pág. 79)

Enfim, a Bíblia nos deixa claro que real propósito de Cristo não foi estabelecer um reino terreno, mas sim abrir caminho para o Reino Eterno e, da mesma maneira, Deus não instituirá nenhum governo nesta terra enquanto não julgar àqueles que, em vida, rejeitaram a obra redentora de Cristo Jesus na Cruz do Calvário.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, fundador e editor do Euaggelion.

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