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Vinho não misturado...

  • Jamil Filho

    Jamil Filho

    Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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    Jamil Filho

“Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.” (Apocalipse 14.10)

Há algum tempo atrás publicamos, aqui no Blog Euaggelion, um pequeno estudo acerca do Vinho no Novo Testamento e sobre algumas curiosidades acerca desta bebida (caso se interesse, leia o artigo aqui).

E, hoje, tangenciaremos o mesmo tema, no entanto tomando uma ótica diferente. Falaremos acerca do uso figurado do vinho nas Sagradas Escrituras, mais especificamente no versículo que introduziu o artigo e da gravidade do desprezo pela promessa do Arrebatamento.

Pois bem, sabemos que nos tempos messiânicos era o costume dos judeus diluir o vinho em grandes porções de água para que, posteriormente, fosse ingerido.

“Entre os judeus dos tempos bíblicos, os costumes sociais e religiosos não permitiam o uso de vinho puro, fermentado ou não. O Talmude (uma obra judaica que trata das tradições do judaísmo entre 200 a.C. e 200 d.C.) fala, em vários trechos, da mistura de água com vinho. Certos rabinos insistiam que, se o vinho fermentado não fosse misturado com três partes de água, não podia ser abençoado e contaminaria quem o bebesse. Outros rabinos exigiam dez partes de água no vinho fermentado para ser consumido.” (Donald C. Stamps – “O Vinho nos Tempos do Novo Testamento”, Bíblia de Estudo Pentecostal, página 1573)

Neste contexto lemos o versículo escrito pelo Apóstolo João, em Apocalipse 14.10, que fala acerca da Ira de Deus:

“Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.”

Para que os leitores da época compreendesse a gravidade e a intensidade do Julgamento de Deus o Apóstolo João se utiliza de elementos comuns expressos nos termos “vinho” e “não misturado”.

Mas qual o significado disto?

O Apóstolo sabia que era o costume da época diluir o vinho em água antes de ingeri-lo e, ao dizer que o vinho da ira de Deus, colocado no cálice de Sua Ira, não é misturado, João está nos alertando acerca do terrível julgamento que aguarda aqueles que se rebelam contra a Vontade de Deus e que Ele não se intimida em executá-lo.

Mas o julgamento expresso pelo Apóstolo João não é para aqueles que hão de adorar a besta?

Sim, com toda certeza! No entanto, essa advertência serve de alerta para nós cristãos, um grande alerta que não deve ser desprezado.

Infelizmente muitos cristãos estão se iludindo, com as massas, acreditando que Deus restaurará esta terra sem antes destruí-la e julgar a todos aqueles que não possuem seus nomes escritos no Livro da Vida.

“Bato na tecla” de que o mundo em que vivemos está, apenas e tão somente, reservado para o fogo, conforme o Apóstolo Pedro nos diz:

“Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.” (2 Pedro 3.7)

Se nos enganarmos crendo que o mundo melhorará, que o governo humano e terrestre deixará de ser corrupto, que os cristãos serão aceitos pelo sistema, que todos caminharemos num único objetivo e teremos a mesma fé, estaremos apenas a um passo do que o Apóstolo João nos diz em Apocalipse 14.9:

“… Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão…”

Enquanto Cristo não retorna para buscar a sua Igreja, ou ainda, enquanto Deus não nos chamar para a sua Glória, corremos o sério risco de nos acomodar ao sistema deste mundo e, com ele, caminhar para o engodo que será pregado pelo Governo do Anticristo.

“Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.”

Devemos manter este versículo ecoando em nossas mentes para que compreendamos que, quando se trata de justiça, Deus não é parcial. Em diversas outras passagens encontramos esta  advertência:

“Porque na mão do Senhor há um cálice cujo vinho é tinto; está cheio de mistura; e dá a beber dele; mas as escórias dele todos os ímpios da terra as sorverão e beberão.” (Salmos 75.8)

“E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” (Apocalipse 20.10, 14-15)

Se, em nossos corações, esfriarmos o desejo e o anseio pelo retorno de Jesus para buscar a sua Igreja e, em paralelo a isso, substituirmos o pensamento da volta iminente de Cristo pelos prazeres deste mundo e pelo desejo de que Ele demore ou, que saiba, nunca venha, estaremos nos enquadrando na parábola do servo mau:

“Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá; E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios, Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe, E separa-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes.” (Mateus 24.48-51)

E, neste aspecto, Donald Stamps (comentarista da Bíblia de Estudo Pentecostal) assevera:

“A respeito daqueles que estão na igreja, mas são infiéis ao Senhor, é impossível estarem vigilantes e preparados para a volta inesperada de Cristo, se os tais não creem que Ele pode vir agora. (1) Qualquer crente professo que vive em pecado, julgando que Jesus tardará a vir, tornar-se-á como o servo mau da parábola. Ele não percebe o risco da volta do Senhor pegá-lo de surpresa. (2) É significativo Jesus associar a infidelidade e a hipocrisia à crença e ao desejo de que Ele demore a voltar.”

Parece que, dia após dia, os supostos cristãos estão se firmando neste Egito de uma maneira tão feroz a ponto de dizerem “Ah! Se morrêramos na terra do Egito! Ou, ah! Se morrêramos neste deserto!” (Números 14.2) enquanto em suas mentes e corações afirmam “O meu senhor tarde virá”.

Estão se mutilando por causa do que estamos vivendo no contexto social, econômico e político, se esquecem de que “Indiferentemente da situação social, econômica ou política em que vivemos, o sustento de Deus estará presente em nossa vida. Devemos tão somente colocar o Reino de Deus em primeiro lugar;”  (Trecho do artigo “Não vos inquieteis”)

Não estou sendo leviano a ponto de pregar uma despreocupação incondicional e generalizada com que está ocorrendo ou que pode ocorrer em nossas vidas. Sei que estamos vivendo e que passaremos por momentos difíceis e turbulentos, no entanto será que o Deus que dizemos que servimos é tão pequeno assim, a ponto de não ser capaz de nos sustentar em meio à tempestade?

“Cristo é glorificado em mim quando as pessoas veem que Ele é mais importante do que todas as coisas que a vida pode dar ou a morte levar.” (John Piper)

Acredito que estamos perto demais do fim para ficar desperdiçando tempo com aquilo que, ao contrário do que muitos dizem, apenas nos afasta da Palavra e da Vontade de Deus.

Eu não desejo provar do  “…vinho não misturado”, no entanto para isso, devo permanecer firmado na Palavra de Deus, repudiando o mundo, seus padrões, suas diversões, seu comportamento e permanecer convicto de que “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1 Coríntios 15.52)

Se deixarmos de acreditar na veracidade e na iminência do Arrebatamento da Igreja de Cristo Jesus, quando ele acontecer, não apenas seremos deixados para trás, mas também seremos cegados pelo atrativo governo que se levantará.

Medite nestas breves palavras e que o Senhor Deus vos abençoe.

Jamil Filho

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Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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