/ Deus

O pecador permanece debaixo da ira e não do amor de Deus

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.” (João 3.36)

Muitas e muitas vezes ouvimos o clássico jargão “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. No entanto, analisando as Sagradas Escrituras percebemos que, ao contrário do que essa frase nos leva a pensar, não é exatamente assim.

Ao dizer que Deus ama ao pecador, note que me refiro àquele que permanece na prática do pecado, sem arrependimento, nos leva pensar, subjetivamente, que Ele é complacente, tolerante e indiferente com o pecado humano, o que não é verdade visto que, inúmeras vezes, Ele conclama os homens à santificação.

A Bíblia nos diz que Deus não é somente santo, mas sim Santo, Santo, Santo. E ao lermos Isaías 6.2, vemos como a Glória e Santidade do Senhor é venerada e honrada:

“Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam.”

Por causa da imensa Glória e Santidade, nem mesmos os serafins, ousavam expor seus rostos e pés à Glória do Deus Todo Poderoso.

No capítulo 1 de Ezequiel vemos uma descrição da Glória e Santidade de Deus (v. 28), da pureza (v. 13) e da reverência dos seres celestiais diante do Senhor (v. 9).

Se nem mesmos os seres mais santos do universo, depois do Deus Trino, ousam olhar diretamente para a Glória e Santidade do Senhor, então nos serve de alerta para o padrão de pureza e santidade exigidos por Ele, sendo Ele mesmo Puro e Santo.

Nesse contexto inserimos a célebre frase “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Se o amor de Deus estiver apenas limitado à sua misericórdia, então há um fundo de verdade, mas se esta frase se refere ao mesmo amor que Ele tem para com os seus filhos, então estamos proclamando uma falácia.

Mas por quê?

Retornemos ao versículo que iniciamos este artigo: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.”

Note que todos aqueles que não creem no Sacrifício de Cristo permanece tanto sob a maldição do pecado quanto sob o juízo de Deus sobre a iniquidade.

“A palavra grega traduzida por ‘não crê’ é apeitheo e significa ‘desobedecer’ ou ‘não se sujeitar a’; é contrastada com ‘aquele que crê’ (gr. pisteuo) no começo do versículo. Para João, incredulidade significa ‘não obedecer ao Filho’.” (Donald C. Stamps)

O amor de Deus pelos pecadores se limita apenas ao fato dEle, por seu zelo e santidade, não destruir, justamente, aqueles que constantemente infringem seus estatutos. Em seu sermão mais famoso, Pecadores nas mãos de um Deus muito irado, Jonathan Edwards diz:

“Deus nunca se comprometeu a salvaguardar um único homem carnal do inferno. Nem uma só vez Deus se comprometeria com tal coisa absurda. Ele com toda a certeza nunca prometeu vida eterna a quem permanecesse no seu pecado, nem nenhuma espécie de proteção especial duma morte eterna.”

E ainda:

“O Deus que vos segura na mão, sobre o abismo do inferno, mais ou menos como o homem segura uma aranha ou outro inseto nojento sobre o fogo, durante um momento, para deixá-lo cair depois, está sendo provocado em extremo”

E, por fim, assevera:

“Todos os seus pecados tornam-no tão pesado como chumbo em leve ar. Vai cair para sempre sem volta possível. Todos os pesos que carrega em sua consciência empurram diretamente o destino de quem não está em Cristo é um poço sem fundo que deita chamas e enxofre A ira de Deus é como grandes águas represadas que crescem mais e mais, aumentam de volume, até que encontram uma saída. Quanto mais tempo a força das águas for reprimida, mais rápido e forte será o seu fluxo em sua libertação.”

Observe que, enquanto o homem permanece no pecado e na prática dele, sua alma está sob os olhos da Ira de Deus. Enquanto permanecer, continuamente, infringindo a Sua Santa Lei, nenhum ser humano estará sob o amor protetor do Senhor Deus, pelo contrário.

O Apóstolo Paulo, ao escrever para a igreja de Colossos, ressalta que uma vida depravada, pecaminosa e contrária aos padrões de Cristo, atrai para si a Ira de Deus, tanto nesta vida, quanto na eternidade.

“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” (Colossenses 3.1-6)

Muitos cristãos têm tentado suavizar o peso da Ira de Deus distorcendo seu Amor, inserindo todos na mesma medida e balizando os ímpios àqueles que se achegam a Cristo e lavam suas vestes no Sangue do Cordeiro. A maior prova do amor de Deus se encontra na Cruz do Calvário e na possibilidade de nos achegarmos a Ele por intermédio de Cristo.

Então como, este mesmo amor, poderá estar sobre os ímpios, se estes, continuamente rejeitam e zombam o Sacrifício de Jesus Cristo no Calvário? Neste aspecto podemos dizer que Deus não ama, no sentido de ter prazer na vida e conduta, o pecador, mas tem misericórdia dele ao mantê-lo vivo, dando-lhe a possibilidade de arrependimento.

“Quão horrendo é o estado daqueles que diariamente, continuamente a cada hora, os que se encontram em perigo de sofrer tamanha ira de infinita miséria! Mas esse é o caso sinistro de toda alma que ainda não nasceu de novo, por mais moral, austera, sóbria e religiosa que possa ser.” (Jonathan Edwards)

Pensar que Deus poupará a vida daqueles que rejeitam ao Sacrifício de Cristo e ao seu padrão de Santidade é, o mínimo, negar e subestimar a sua Justiça e o fato de que Ele se levantará, um dia, como Juiz imparcial.

A Santidade de Deus, apresentada no início, exige a aplicação da Justiça e da condenação daqueles que se entregam aos caminhos de Satanás.

“Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade” (Romanos 2.5-8)

O único caminho que temos para escapar da Ira de Deus é Jesus Cristo, no entanto, para isso devemos não apenas reconhecê-lO como Único e Suficiente Senhor e Salvador, mas também subjugar a nossa carne aos seus padrões de vida.

Recebemos o Evangelho de Cristo e a Salvação gratuitamente (Romanos 6.23), no entanto isso não nos deixa livres, nem muito menos, abre brechas para vivermos da maneira que bem entendemos, satisfazendo nossos desejos carnais e pecaminosos (Romanos 6; Gálatas 5.13).

Se não trilharmos este caminho, o Evangelho de Jesus, não negarmos a nós mesmos e aos prazeres deste mundo e não buscarmos a vontade e a santidade de Deus, então não andaremos debaixo do amor e cuidado de Deus, mas sim debaixo da maldição do pecado e da ira e julgamento divinos.

Que Deus vos abençoe. Fique na Paz de Cristo.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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