/ Arrebatamento

A Verdade do Arrebatamento

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.” (João 14.1-4)

“Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1 Coríntios 15.52)

O Arrebatamento, a maior esperança da Igreja Cristã, ou, pelo menos, deveria ser a maior esperança, “…por que os que verdadeiramente creem em Jesus Cristo estão aguardando a Sua Vinda” (Arno Froese – Como a Democracia Elegerá o Anticristo).

E, embora encontremos muitos versículos e profecias acerca deste evento, boa parte dos cristãos da atualidade estão desapercebidos acerca da iminência e veracidade desta promessa de Cristo.

O objetivo central deste artigo será levantar passagens e profecias bíblicas que apontam tanto para a veracidade quanto para a iminência deste evento, bem como para o risco de permanecermos no sono da negligência e do descaso.

Além disso, para uma análise efetiva e detalhada, dividiremos o retorno de Cristo em dois eventos: o Arrebatamento e a Segunda Vinda, somente desta maneira compreenderemos, com maior precisão, as promessas e as profecias bíblicas.

Ao falarmos de “duas vindas, futuras, de Cristo” o que lhe vem a mente?

Creio que, obviamente, você rapidamente associará a primeira vinda de Cristo à Terra, para morrer por nossos pecados e, num futuro, a sua segunda vinda.

Não que esta visão esteja errada, no entanto, se considerarmos apenas estes dois eventos correremos o sério risco de não compreendermos que:

  1. O Arrebatamento da Igreja não é apenas real e iminente, mas também é a primeira parte de “duas vindas” futuras;
  2. Jesus não estabelecerá seu Reino na Terra antes de julgar todos aqueles cujo os nomes não estão escritos no Livro da Vida.

Por que destaquei estes dois pontos? Já faz algum tempo, desde um artigo no qual tratei acerca da Esperança do Arrebatamento, tenho percebido que muitos e muitos cristãos, ou supostos cristãos, estão não apenas desapercebidos com a iminência e realidade da Vinda de Cristo, mas também estão crentes que o Reino Eterno de Deus será estabelecido antes do julgamento e da condenação de todos os ímpios.

E, tendo em mente a gravidade disso, devemos considerar que este é o risco que corremos ao assumirmos apenas duas vindas do Messias, uma passada e outra futura e, mais a frente veremos o porque.

As Profecias do Antigo Testamento:

É interessante observar que, desde o princípio, Deus nos apresenta, através das profecias, revelações acerca de seu Plano Eterno. E Ele mesmo nos ensina e estimula a estudá-las e a compreender e questionar acerca dos eventos futuros (Isaías 45.11)

Após a queda da raça humana e a expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden, Deus já declara que haveria um que pisaria Satanás (Gênesis 3.15).

Posteriormente vemos Deus anunciar a Abraão: “E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12.3). Ele promete a Abraão que através dele todas as famílias da terra seriam abençoadas, pois da sua descendência viria o Cristo que morreria, tanto para judeus quanto para gentios, a fim de garantir um caminho para Deus.

Em diversos outros trechos das Sagradas Escrituras encontramos profecias acerca da primeira vinda do Messias e, através de uma interpretação, podemos identificar alguns pontos importantes que devem nos orientar na interpretação das profecias acerca do Arrebatamento.

O Reino Eterno:

Em 2 Samuel 7.12-17 vemos Deus estabelecendo com Davi um concerto eterno e lhe prometendo de que, da sua descendência, se levantaria um Reino do qual não haveria fim.

“Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens. Mas a minha benignidade não se apartará dele; como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre. Conforme a todas estas palavras, e conforme a toda esta visão, assim falou Natã a Davi.”

Nos versículo 12 ao 15 Deus promete a Davi que o seu sucessor seria aquele que ergueria o seu Templo. “Este edificará uma casa ao meu nome”. Identificamos não apenas uma referência a Salomão, que realmente edificou o Templo de Deus, mas também uma alegoria a Cristo, visto que por meio de sua morte e ressurreição podemos nos achegar a Deus e, Deus pelo seu Espírito Santo, habita em nós.

Ainda no versículo de número 13 e, posteriormente, no versículo de número 16, Deus declara que o seu reino não terá fim e que o seu trono seria firmado para sempre.

Em 2 Samuel 23.5, Davi confirma a promessa de Deus para com ele e para com a sua descendência:

“Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus, contudo estabeleceu comigo uma aliança eterna, que em tudo será bem ordenado e guardado, pois toda a minha salvação e todo o meu prazer está nele, apesar de que ainda não o faz brotar.”

No livro dos Salmos, capítulo 89 e versículos 3,4, 34 ao 37, lemos mais uma vez a promessa, feita por Deus, de um Reino Eterno:

“Fiz uma aliança com o meu escolhido, e jurei ao meu servo Davi, dizendo: A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu trono de geração em geração. Não quebrarei a minha aliança, não alterarei o que saiu dos meus lábios. Uma vez jurei pela minha santidade que não mentirei a Davi. A sua semente durará para sempre, e o seu trono, como o sol diante de mim. Será estabelecido para sempre como a lua e como uma testemunha fiel no céu.”

O profeta Isaías, inúmeras vezes, anuncia que Deus enviaria o Messias, tão esperado por Israel, a fim de restaurar o seu povo e de estabelecer um reino de paz. No capítulo 9, de Isaías, e versículos 6 e 7 está escrito:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.”

Creio que a grande maioria dos cristãos, ao menos uma vez, já leu e/ou ouviu estes versos. Muitas vezes o recitamos e cantamos nos cultos de Natal. No entanto, ambos os versículos são mais abrangentes e maravilhosos do que simplesmente o anúncio do nascimento do Messias.

O profeta Isaías, inspirado pelo Espírito Santo, declara que o Cristo seria:

  1. Pai da Eternidade, ou seja, Ele sempre foi e sempre será e, além disso, o seu Reino não acabará;
  2. Príncipe da Paz, através da vinda de Cristo e, por meio dEle, toda a humanidade encontraria paz para com Deus.

Além disso, ele declara que “Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre”.

O que o profeta Isaías está registrando é que, o Messias que haveria de nascer, seria aquele que perpetuaria o trono e o reinado de Davi,  “não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino”.

Mais adiante, no capítulo 11 de Isaías, vemos, de relance, o registro do Reino do Messias, um Reino próspero e pacífico. No versículo de número 4 o profeta Isaías nos deixa claro que o Renovo, ou seja, Jesus Cristo, há de julgar e destruir toda alma ímpia e, ao mesmo tempo, regerá justamente aos mansos e humildes.

Podemos compreender, portanto, que no Reino Eterno de Cristo não entrará nenhum ímpio e, por consequência, um reino terreno do qual muitos afirmam que Deus manifestará sendo nós, seres humanos, os responsáveis por trazê-lo à Terra, entra em contradição com a Santa Palavra de Deus. Mais adiante retomaremos este assunto.

Dois versículos a frente lemos a maravilhosa declaração de que o lobo e o cordeiro, o leopardo e o cabrito, o bezerro, o filho do leão e a nédia ovelha, ou a ovelha gorda, coabitarão juntos e um menino pequeno os guiará. O profeta Isaías vê através dos olhos espirituais o Reino de Paz do Messias, um Reino cuja a inimizade, crueldade e maldade não entrarão.

No capítulo 40, Isaías profetiza acerca da restauração e livramento de Deus sobre a nação de Israel.

“Falai benignamente a Jerusalém, e bradai-lhe que já a sua milícia é acabada, que a sua iniquidade está expiada e que já recebeu em dobro da mão do SENHOR, por todos os seus pecados. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo o vale será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro será abatido; e o que é torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. E a glória do SENHOR se manifestará, e toda a carne juntamente a verá, pois a boca do SENHOR o disse.” (Isaías 40.2-5)

O profeta anuncia um tempo em que a nação veria e viveria a Glória de Deus (v. 5). Nestas palavras encontramos tanto promessas de livramento do povo do cativeiro, pois  “sua milícia (ou servidão) é acabada”, quanto profecias acerca do início do ministério e do Reino Eterno de Cristo.

No capítulo 49 versículo 6 vemos mais uma declaração acerca da instituição do Reino Eterno do Messias e da restauração do trono de Davi:

“Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.”

Os capítulos 51 e 52 são, totalmente, voltados às profecias acerca da restauração de Israel, do livramento de Deus para seu povo e da paz, salvação e justiça eternos.

O profeta Jeremias, assim como Isaías, anuncia o Renovo, e declara a restauração de Israel:

“Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA. Portanto, eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que nunca mais dirão: Vive o SENHOR, que fez subir os filhos de Israel da terra do Egito; Mas: Vive o SENHOR, que fez subir, e que trouxe a geração da casa de Israel da terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha arrojado; e habitarão na sua terra.” (Jeremias 23.5-8)

Jeremias profetiza que o Renovo de Davi será um rei justo e será chamado “O Senhor Justiça Nossa”, tal como o profeta Isaías registrou no capítulo 9. Alguns versículos antes (vs. 3 e 4) o Senhor Deus afirma que Ele mesmo recolherá as suas ovelhas e as protegerá e nenhuma delas se perderá.

Em Zacarias 3.8 encontramos novamente uma profecia acerca do Renovo que haveria de vir:

“Ouve, pois, Josué, sumo sacerdote, tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti, porque são homens portentosos; eis que eu farei vir o meu servo, o RENOVO.”

Alguns capítulos adiante Zacarias anuncia um reino cuja a existência de exércitos não é necessária para a manutenção da paz e no qual toda a Terra será cheia de sua glória:

“E de Efraim destruirei os carros, e de Jerusalém os cavalos; e o arco de guerra será destruído, e ele anunciará paz aos gentios; e o seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra.” (Zacarias 9.10)

É interessante ressaltar que, no versículo anterior, o profeta Zacarias apresenta um Messias que haveria de entrar diante do povo assentado sobre um jumentinho, acerca disso falamos no último artigo. E, conforme veremos mais adiante, trata-se de um detalhe de extrema importância, e que tanto os fariseus quanto os discípulos não compreenderam acerca das profecias referentes ao Rei de Israel.

Miquéias nos apresenta mais alguns detalhes do Messias que haveria de se levantar em Israel:

“E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” (Miquéias 5.2)

E ainda:

“E ele permanecerá, e apascentará ao povo na força do SENHOR, na excelência do nome do SENHOR seu Deus; e eles permanecerão, porque agora será engrandecido até aos fins da terra.” (Miquéias 5.4)

Ainda existem inúmeras outras profecias registradas nas Sagradas Escrituras acerca do Reino Eterno do Messias, no entanto, apresentá-las tornaria o artigo mais extenso do que o necessário. Além disso, conforme o assunto transcorrer, e for necessário, estudaremos algumas outras passagens.

O Rei que haveria de morrer:

Encontramos também diversos registros acerca do sacrifício expiatório de Jesus Cristo no Calvário, para a remissão daqueles que creem em sua morte.

O primeiro tipo de Cristo como o cordeiro que deveria se sacrificado pelos pecados encontra-se em Gênesis 22, onde Isaque é a figura de Cristo que, para a remissão de nossos pecados, se entregou a Deus, o Pai, como sacrifício e, ao ser salvo da morte, nos traz uma analogia à ressurreição.

E, em paralelo, encontramos o cordeiro providenciado por Deus para ser sacrificado, o que nos remete ao fato de que, nós merecíamos morrer em nossos pecados, no entanto Deus proveu o cordeiro para nos remir de toda a imundícia.

Outra analogia a Cristo, conforme estudamos no último artigo, encontra-se em Êxodo 12.3-13, na instituição da primeira Páscoa:

“Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura. E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo. Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do SENHOR. E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR. E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito.”

A Páscoa marcava para os judeus a passagem da escravidão para a liberdade e, assim como para nós, representa a libertação tanto do pecado quanto da morte.

Os mesmos profetas que proclamavam o Reino Eterno também anunciaram o Messias que haveria de morrer para perdoar os pecados. E é de extrema importância que compreendamos as profecias do Antigo Testamento para que, desta maneira, identificamos traços semelhantes nas profecias acerca do Arrebatamento.

“Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.” (Isaías 49.6)

No trecho em que lemos em Isaías 51 e 52 está registrado a promessa do Senhor Deus quanto à restauração e a Salvação de Israel e, no versículo 13 do capítulo 52, está escrito:

“Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime.”

Jesus é identificado como o servo de Deus que, ao cumprir a vontade do Senhor Todo Poderoso, é exaltado acima de todas as coisas (Atos 2.33, Filipenses 2.8-9, Colossenses 3.1).

No capítulo seguinte Isaías escreve:

“Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos. Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”

O Messias é identificado como aquele que morreria pelos pecados de toda a humanidade a fim de nos trazer paz para com Deus (vs. 8 e 9). O salmista também declara que o Cristo haveria de padecer na cruz e que Ele seria rejeitado pelo seu próprio povo (Salmos 22.6-7,16).

Caifás, o Sumo Sacerdote, conhecendo as Escrituras disse, pelo Espírito Santo, que Jesus deveria morrer pelo povo a fim de redimir tanto os pecados da nação de Israel quanto os pecados e transgressões das ovelhas dispersas de Deus sobre a face da Terra:

“E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis, nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação. Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.” (João 11. 49-52)

A profecia não compreendida:

No entanto, ao lermos os evangelhos percebemos que os judeus, mesmo conhecendo as profecias, não as compreenderam. Visto que, inúmeras vezes, nos deparamos com indagações dirigidas a Cristo acerca da restauração de Israel.

Após a sua Entrada Triunfal, alguns gregos desejaram ver a Jesus e, depois de André e Filipe ter comunicado isso a Ele, Cristo começou a anunciar sua morte:

“E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado. Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei. Ora, a multidão que ali estava, e que a ouvira, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe falou. Respondeu Jesus, e disse: Não veio esta voz por amor de mim, mas por amor de vós. Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. E dizia isto, significando de que morte havia de morrer.” (João 12.23-24,27-33)

Porém, a multidão, por não compreender corretamente as profecias, lhe responde:

“Nós temos ouvido da lei, que o Cristo permanece para sempre; e como dizes tu que convém que o Filho do homem seja levantado? Quem é esse Filho do homem?” (João 12.34)

Nem mesmo os discípulos compreenderam as Escrituras, visto que, após a ressurreição e aparição de Jesus, eles o indagaram:

“Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” (Atos 1.6)

Havia a expectativa de que a nação de Israel fosse liberta dos romanos e o Messias se assentasse no trono de Davi, no entanto, nenhum fariseu, nem mesmo os discípulos, a princípio, compreenderam que Jesus deveria, primeiramente, morrer no Calvário, tal como os profetas anunciaram.

Voltando ao ministério de Jesus, em Lucas 9.46-48, encontramos um fato que, indiretamente, aponta para a mentalidade deles acerca do Reino:

“E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, vendo o pensamento de seus corações, tomou um menino, pô-lo junto a si, E disse-lhes: Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo será grande.”

Momentos antes, no versículo 44, Jesus afirma que Ele haveria de ser entregue à morte, no entanto, mesmo assim os seus discípulos estavam preocupados com o cargo que assumiriam no Reino, que, pensavam eles, breve se instauraria. Nenhum entendeu o fato de que Jesus haveria de ser morto e não restaurar Israel.

Prova disto é que todos, sem distinção de nenhum, fugiram quando Jesus foi preso (Mateus 26.31). Por que os discípulos se desesperaram tanto a ponto de abandonar seu Mestre? Por que Pedro negou tão veementemente que não conhecia a Cristo, com quem andou todos aqueles anos?

Toda a expectativa dos discípulos havia sido lançada ao chão. Seu Mestre agora estava preso, nas mãos dos fariseus e, com toda certeza, seria morto. O Reino que eles pensavam estar próximo agora estava demasiadamente distante.

Provavelmente toda a euforia sentida pelos discípulos, ao verem Jesus ser aclamado como Rei em Jerusalém, agora não passava de medo e covardia e da possibilidade de, assim como o seu Mestre, serem mortos.

Ninguém compreendeu que o Messias devia, primeiro, morrer pelos pecados, vir ao mundo como um Rei humilde e sofredor. O mesmo engano do passado se encontra no nosso meio hoje.

Dezenas de milhares de cristãos estão esperando um reino terreno, estão embriagados com a ideia de que Jesus vai capacitá-los para tomar os lugares estratégicos do governo, da economia e religião para que, quando tudo estiver pronto, algo glorioso se manifeste neste planeta.

E, este pensamento crescente, é não apenas um risco eterno para as nossas almas, mas também uma interpretação anulativa da promessa do Arrebatamento.

A Promessa do Arrebatamento:

As Sagradas Escrituras nos afirma, diversas e diversas vezes que Jesus retornará, um dia, para buscar aqueles que, verdadeiramente, o esperam.

Em João 14.1-4, Jesus, momentos após a Santa Ceia e um pouco antes de ser traído por Judas Iscariotes no Getsêmani, promete aos seus discípulos:

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.”

Embora Jesus não utilize, explicitamente, o termo “Arrebatamento” nos primeiros versículos de João 14, podemos encontrar em suas palavras uma clara referência ao seu retorno:

“E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.”

Note que Jesus diz aos seus discípulos que Ele iria para o Pai, “quando eu for”, a fim de preparar lugar nos céus, conforme Ele mesmo disse no primeiro versículo, para que, posteriormente, retornar a fim de buscar aqueles que o esperam:

“E quando eu for virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.”

Nenhum reino terreno será instaurado. Nas palavras de Jesus podemos identificar três momentos distintos.

  1. A sua ascensão à destra do Pai:“E quando eu for”;
  2. A preparação da Casa do Pai para receber a sua Noiva:“vos preparar lugar”;
  3. O seu retorno para nos buscar e nos levar para junto dEle:“virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo”.

Jesus fala “e vos levarei”, recebemos da própria boca de Deus o anúncio e a promessa do Arrebatamento. Negar este evento não consiste apenas em negar uma doutrina, mas sim negar a Palavra de Deus, tornando-o mentiroso, visto que se Ele prometeu voltar sendo, na realidade, uma mentira (já que para muitos o Arrebatamento não passa de uma mentira) então Deus é uma mentira e a nossa fé não passa de um grande e volumoso engodo.

Jesus, claramente, prometeu que retornaria para buscar os seus. Diversas vezes Ele nos alerta acerca da iminência de seu retorno. No sermão profético, em Mateus 24, encontramos inúmeros sinais, alertas e ensinamentos de Jesus Cristo acerca do fim dos tempos e acerca de sua vinda.

No versículo 4 e 5 Ele nos diz:

“E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.”

Há algum tempo escrevemos acerca do risco de sermos enganados, nestes últimos tempos, por falsas manifestações do Reino de Deus, e creio que seja necessário retomar esta questão antes de entrarmos nos aspectos proféticos do Arrebatamento.

Falsos mestres, grandes sinais e a falsa igreja:

“Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mateus 24.23-24)

O maior perigo em aceitar manifestações extraordinárias, sem antes verificarmos se provem ou não de Deus, reside no fato de deixarmos de lado a Iminência da Promessa e acreditarmos que o Reino se manifestará neste mundo por meios humanos. Note que Jesus nos alerta que levantaria falsos mestres que realizariam grandes sinais e maravilhas e “se possível fora, enganariam até os escolhidos”.

Mas qual é a correlação entre “sinais e prodígios” e o Arrebatamento?

Vamos deixar claro, primeiramente, que não negamos os sinais, ou as curas milagrosas, ou o poder de Deus manifesto na Igreja, desde que:

  1. Não negue o Nome e os ensinamentos de Cristo Jesus, propondo “novas unções ou revelações” além da que já foi revelada, a Bíblia. “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” (Gálatas 1.8);
  2. Seja para proveito e crescimento da obra de Deus;
  3. E aponte apenas e unicamente para Jesus Cristo e para o Senhor Deus Todo Poderoso. “É necessário que ele cresça e que eu diminua.” (João 3.30) e “…quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.” (1 Coríntios 10.31);

No entanto, o que Jesus nos alerta é que pessoas, guiadas por Satanás, se levantariam a fim de enganar e deturpar o Verdadeiro Evangelho, afirmando que Ele estaria se manifestando no “deserto” ou no “interior da casa”.

“Possivelmente Jesus utilizou uma linguagem figurativa ao se referir ao deserto. Lembre-se de que Israel peregrinou durante quarenta anos no deserto antes de chegar à Terra Prometida e nós fazemos o mesmo, estamos no deserto, o mundo, peregrinando até nossa verdadeira Pátria. Note que possivelmente essa afirmação, “ele está no deserto”, nos traz uma revelação do que a Igreja enfrentaria nos últimos tempos: uma avalanche de pessoas afirmando que o Reino de Deus e Cristo se manifestará no deserto, neste mundo, nos sistemas seculares.” (Trecho do Artigo “Ele está no interior da casa…”)

Já ouvi inúmeras e inúmeras vezes cristãos afirmando que a nação é do Senhor Jesus, ou ainda, que a nação se dobrará aos pés de Cristo e o reconhecerá e servirá. Infelizmente aqueles que pensam desta maneira estão seguindo não apenas uma falácia, mas também correndo o sério risco de comporem a lista daqueles que não são escolhidos, pois “se possível fora (se fosse possível), (os falsos mestres) enganariam até os escolhidos”.

A Palavra de Deus nos deixa claro que esta Terra, na qual vivemos, está reservada para o fogo:

“Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.” (2 Pedro 3.7)

“Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão.” (2 Pedro 3.10)

Então como Cristo e seu Reino Eterno se manifestará neste planeta que Ele mesmo destruirá? No capítulo 19 e versículos 11 ao 21 de Apocalipse vemos um cenário pré milenar, Cristo desce dos céus (v. 11) com os santos (v. 14) e, através da sua Palavra (v. 15), destrói não apenas a besta, o falso profeta e os seus exércitos, mas também todos os ímpios que vivem sobre a face deste planeta (v. 21).

Jeremias profetizou este cenário e, ao lermos seus escritos, verificamos que nenhum iníquo entrará no Reino Milenar de Cristo.

“Porque, eis que na cidade que se chama pelo meu nome começo a castigar; e ficareis vós totalmente impunes? Não ficareis impunes, porque eu chamo a espada sobre todos os moradores da terra, diz o SENHOR dos Exércitos. Tu, pois, lhes profetizarás todas estas palavras, e lhes dirás: O SENHOR desde o alto bramirá, e fará ouvir a sua voz desde a morada da sua santidade; terrivelmente bramirá contra a sua habitação, com grito de alegria, como dos que pisam as uvas, contra todos os moradores da terra. Chegará o estrondo até à extremidade da terra, porque o SENHOR tem contenda com as nações, entrará em juízo com toda a carne; os ímpios entregará à espada, diz o SENHOR. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis que o mal passa de nação para nação, e grande tormenta se levantará dos confins da terra. E serão os mortos do SENHOR, naquele dia, desde uma extremidade da terra até à outra; não serão pranteados, nem recolhidos, nem sepultados; mas serão por esterco sobre a face da terra.” (Jeremias 25.29-33)

Diversas vezes Jeremias afirma que TODOS os moradores da Terra serão destruídos e, no versículo 29, encontramos uma referência indireta ao que está escrito em Apocalipse 14.10:

“Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.”

O julgamento de Deus sobre os ímpios será imparcial e “não diluído”, ou seja, não haverá misericórdia e nem será prorrogado ou atenuado.

Percebam que o Reino Eterno de Deus ainda não será estabelecido, no contexto de Apocalipse 19, o Apóstolo Paulo nos revela que Cristo entregará o seu Reino ao Pai para que, depois de aniquilar todo o mal, estabelecer o Reino Eterno de Deus.

“Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força.” (1 Coríntios 15.24)

Note que o fim, ou seja, o Reino Eterno e o fim de todas as eras, virá quando Jesus, o sujeito oculto da frase, entregar o seu reino milenar a Deus e, posteriormente, no Dia do Juízo, aniquilar, destruir e julgar para todo o sempre todo mal e toda iniquidade.

Afirmar que nós, seres humanos, seremos os responsáveis por trazer o Reino de Deus à Terra não passa de um grande engodo que levarão muitos, supostos cristãos, que na realidade compõem a falsa igreja, a servir o Anticristo durante a Grande Tribulação.

Mas qual é a relação entre este cenário e o Arrebatamento?

Se pensarmos que o Reino de Deus será fundado nesta Terra e que, através de grandes prodígios, todo o mundo verá a Glória do Senhor corremos o sério risco de não apenas nos conformarmos com este mundo, visto que Deus o habitará com sua Glória e, portanto, não há porque eu caminhar na contramão e carregar a minha cruz, mas também de sermos enganados pela maior armação de Satanás.

A trindade satânica:

Sabemos que Satanás não passa de um grande mentiroso, enganador e imitador fajuto. No livro de Apocalipse vemos três figuras que exercerão grande influência no cenário tribulacionista, a Antiga Serpente ou o Dragão, que é Satanás, a Besta ou o Anticristo e o Falso Profeta.

Este último, o Falso Profeta, levará todo o mundo a adorar a Besta através de sinais e maravilhas. Em Apocalipse 13.11-14 lemos:

“E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão. E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada. E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia.”

Mas por que eu destaquei este ponto? Note que os servos de Satanás também realizam milagres, o Falso Profeta, ou a Segunda Besta, fará com que todos, que não possuírem seus nomes escritos no Livro da Vida (Apocalipse 13.8), recebam a marca e adorem ao Anticristo.

O Apóstolo João fez questão de destacar que a Segunda Besta “tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro”, ou seja, para os desapercebidos, ele será visto como um verdadeiro servo de Deus, no entanto, “falava como o dragão”.

Se apoiarmos nossa vida cristã e esperança apenas em eventos milagrosos e sobrenaturais, deixando de lado a fé verdadeira em Cristo e o cumprimento da Vontade de Deus, corremos o risco de ouvirmos, da boca de Jesus: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mateus 7.23).

Nem todos que expulsam demônios, ou que profetizam e fazem maravilhas são, na realidade, filhos de Deus ou, muito menos, cristãos verdadeiros (Mateus 7.21-23). O Evangelho de Jesus vai muito além de sinais sobrenaturais, o Evangelho de Jesus é o Poder de Deus para salvar todo aquele que crê (Romanos 1.16).

Jesus nos dá esse alerta, em Mateus 24.23-26, e assevera “não lhe deis crédito”, “não saiais” e “não acrediteis”, pois, no versículo 27, Ele compara a Sua Vinda a um raio, pois não sabemos o dia ou hora em que ocorrerá.

“Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.”

E se, perdermos o nosso tempo, buscando apenas e tão somente manifestações miraculosas, em detrimento de uma vida centrada no Evangelho da Cruz, corremos o sério risco de sermos pegos de surpresa e de nos enganarmos tanto com os falsos mestres da atualidade quanto com o Falso Mestre do governo satânico global.

A iminência:

As Sagradas Escrituras nos alerta diversas vezes acerca da iminência do Arrebatamento, não apenas para que estejamos vigilantes e não sejamos pegos de surpresa, mas também para que não sejamos enganados com declarações que confrontam esta verdade.

Retornando aos versículos de Mateus 24, encontramos:

“Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.” (v.27)

“Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro; Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra. Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.” (vs.36-40)

“Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis.” (v. 44)

“Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe” (v. 50)

E, no capítulo 25, também encontramos o mesmo alerta na parábola das dez virgens.

“Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.” (v. 13)

Percebam que, embora Jesus apresente um cenário que nos leve a olhar para o céu e nos alegrar com a proximidade de sua Vinda, diversas e diversas vezes Ele nos remete ao fato de que devemos estar preparados e vigilantes.

“E, quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis. Porque é necessário que isto aconteça primeiro, mas o fim não será logo. Então lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino; E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.” (Lucas 21.9-11)

Nos versículos anteriores Jesus apresenta eventos de âmbito mundial, guerras, pestes, fome, terremotos e, no versículo 26, Ele anuncia maremotos e imenso pavor.

Porém, em contradição a essas declarações, Cristo compara sua vinda ao dilúvio e ao contexto em que Noé vivia.

“E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.” (Mateus 24.37-39)

Será que Jesus se enganou terrivelmente ao afirmar grandes sinais e, posteriormente, dizer que a vinda do Filho do Homem será como nos dias de Noé?

E, embora as palavras de Cristo possam parecer contraditórias, encontramos nelas grandes verdades:

  1. O Arrebatamento será previsível para os que esperam, embora não saibamos a data precisa, conseguimos, através de interpretações dos eventos mundiais, perceber e identificar a sua proximidade;
  2. A proximidade do Retorno de Cristo não será perceptível àqueles que se enquadram nos padrões da sociedade pré-dilúvio, ou seja, que se acomodaram à vida cotidiana.

“Percebam que quando Jesus vai alertar aos seus ouvintes acerca do seu retorno Ele não diz que haverá sinais mirabolantes nos céus que farão com que toda raça humana, viva naquele momento, se volte para Deus e se prepare para o encontro com o Senhor e Criador dos céus e da Terra.
Pelo contrário, Jesus enumera ações e eventos cotidianos “comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento”. Não há nada de errado em se alimentar, beber (não me refiro à bebidas alcoólicas) e em casar, porém o perigo reside no fato de nos acomodarmos, de tal modo, a esta vida terrena e às suas práticas cotidianas a ponto de esquecermos que Cristo está prestes para cumprir sua promessa.” (Trecho do Artigo: “A Iminência da Promessa”)

Duas Vindas:

Tendo em mente a iminência, as profecias acerca das “Duas Vindas do Messias”, uma como Salvador e outra como o Rei de Israel e sabendo que Jesus ainda não se assentou no trono de Davi, podemos afirmar que ainda restam “Duas Vindas” futuras de Cristo.

Há uma grande confusão no meio cristão referente às declarações de Jesus registradas em Mateus 24 e 25, isso tanto pelo fato de muitos não considerar que ainda nos resta duas vindas, o Arrebatamento e a Segunda Vinda, quanto por erros de interpretação das palavras do nosso Senhor Jesus.

Retornemos à aparente contradição das palavras de Cristo registradas em Mateus 24. No versículo de número três vemos os discípulos de Jesus pedindo que Ele lhes mostrasse os sinais que precederiam a destruição do templo, anunciada no versículo anterior:

“E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?”

Nos próximos 31 versículos (vs. 4-35) Ele apresenta os sinais e, no versículo 33, declara:

“Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas.”

No entanto, logo em seguida, no versículo 44, Jesus, aparentemente, entra em contradição em suas palavras, ao dizer:

“Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis.”

Como podemos conciliar os sinais que apontam para o fim com a iminência do retorno silencioso do Messias?

Os céus declararão o fim e “todas as nações verão o Filho do Homem nas nuvens”, no entanto, Jesus declara que sua Vinda será como um ladrão na noite, será sorrateira e discreta. Estaria Jesus se enganando? Não, com toda certeza!

Quando Ele declara “porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis”, a última coisa que o mundo e, grande parte da Igreja, espera é o início do Julgamento de Deus sobre a Terra, conhecido como o Dia do Senhor.

Estarão todos casando e dando-se em casamento, estarão se fartando com comida e bebida, o futuro parece tão promissor, esplêndido e glorioso que, um Arrebatamento a essa altura, mostra-se menos real do que os contos dos irmãos Grimm.

Somente os que estiverem alertas, vigilantes e sóbrios perceberão a proximidade deste evento sem, no entanto, determinar uma data e hora. A iminência permanece. Sabemos que o retorno de nosso Senhor está próximo, mas não sabemos quando há de ocorrer.

Por outro lado, verificamos uma referência à Segunda Vinda de Cristo, quando Ele, junto dos santos, descerá dos céus e “todo olho o verá”. Os eventos de Mateus 24 nos levam ao livro do Apocalipse, à Ira de Deus sendo derramada sobre a Terra e sobre a humanidade ímpia.

Embora o mundo hoje apresente o cumprimento de alguns dos eventos anunciados no Sermão Profético, ainda existem pontos intocados, tais como a “abominação da desolação”, a invasão e o intenso sofrimento e angústia de Israel, jamais vistos e nomeado por Jeremias como o “tempo de angústia para Jacó” (Jeremias 30.7), bem como eventos cósmicos de grandes magnitudes, a escuridão do sol e da lua.

No entanto, mesmo que eles projetem evidências, para nós acerca do fim e da proximidade do Arrebatamento da Igreja, são, na realidade, sinais que precederão a Segunda Vinda de Cristo Jesus.

Não haverá iminência, aqueles que ficaram na Grande Tribulação e que conhecem a Palavra de Deus saberão que, quando estes eventos começarem a acontecer, a Segunda Vinda de Cristo está próxima.

O Arrebatamento será silencioso, discreto, ninguém saberá quando ocorrerá, senão Cristo não teria alertado para que cingíssemos nossos lombos e acendêssemos as nossas candeias. O Arrebatamento será secreto!

O Apóstolo Paulo, ciente acerca deste fato, reforça:

“Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1 Coríntios 15.52)

O Arrebatamento acontecerá num momento indeterminado, será invisível àqueles que não esperam e está condicionado ao soar da trombeta. E, em Tessalonicenses, Paulo no apresenta algo de extrema importância: Cristo não retornará à Terra, mas nos esperará nas nuvens onde nós, depois de recebermos um corpo transformado e revestido de glória e incorruptibilidade, juntamente com os mortos ressurretos em Cristo, o encontraremos nos ares.

“Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” (1 Tessalonicenses 4.15-17)

Ao contrário da Segunda Vinda, em que Cristo pisará no Monte das Oliveira, o Arrebatamento ocorrerá fora da dimensão material e terrestre. Nenhum olho incrédulo verá Jesus nas nuvens para levar a sua Noiva à Casa do Pai.

Devemos ter em mente que o Dia do Senhor iniciará com a retirada da Igreja e se findará com o fim do Reino Milenar de Jesus Cristo e a criação de um novo céu e uma nova terra.

O Apóstolo Paulo, assim como nosso Senhor Jesus, nos traz algumas referências aos eventos e sinais do fim.

  1. O mundo não perceberá a iminência deste Dia:“Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.” (1 Tessalonicenses 5.2-3). Percebam que o mundo estará levedado e iludido com a paz e segurança, não percebendo que a Ira de Deus está próxima;
  2. Por outro lado a Igreja reconhecerá os sinais, desde que se mantenha vigilante:“Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas.” (1 Tessalonicenses 5.4-5);

A bendita esperança:

Ante o exposto, podemos concluir que a sociedade atual, com toda certeza, se enquadra nos requisitos para ser aquela que verá e viverá o maior evento desde a morte de Cristo Jesus na Cruz do Calvário.

“O Arrebatamento não ocorreu no passado. Hoje somos confrontados com uma realidade séria. Ao contrário das gerações anteriores, a nossa é a primeira que já possuí tudo o que é necessário para o cumprimento das profecias restantes. Embora o Arrebatamento possa vir em qualquer momento, sua ocorrência no passado exigiria alguns desenvolvimentos rápidos. Essas preparações essenciais têm ocorrido repentinamente na nossa geração. Hoje os instrumentos estão todos em seus lugares no palco, prontos para o ato final.” (Dave Hunt – Quanto Tempo nos Resta? Provas Convincentes da Volta Iminente de Cristo)

Que todo o palco para a Grande Tribulação está montado não resta dúvidas, agora o que falta é a retirada daquele que detém o ator principal.

Devemos estar vigilantes para não sermos pegos pelo maior engodo levantado por Satanás, que o Arrebatamento é uma falácia.

Tomemos para nós as palavras do Apóstolo Paulo:

“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2.13)

Que Deus vos abençoe, fique na Paz de Cristo Jesus.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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A Verdade do Arrebatamento
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