/ Defesa da Fé

Jesus não arrendou sua Igreja

“Ouvi, ainda, outra parábola: Houve um homem, pai de família, que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe. E, chegando o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos. E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram um, mataram outro, e apedrejaram outro. Depois enviou outros servos, em maior número do que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo. E, por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho. Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha, e o mataram. Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? Dizem-lhe eles: Dará afrontosa morte aos maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem os frutos. Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras:A pedra, que os edificadores rejeitaram,essa foi posta por cabeça do ângulo;pelo Senhor foi feito isto,E é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos. E, quem cair sobre esta pedra, despedaçar-se-á; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.” (Mateus 21:33-44)

Creio que todos conhecemos esta parábola que Cristo Jesus disse acerca de Israel. Sabemos, por intermédio das Sagradas Escrituras, que a nação de Israel foi escolhida por Deus para cuidar dos bens espirituais (v. 33). Eles deveriam dar frutos para Deus (v. 34), deveriam preparar o caminho para o Salvador. Para isso serviam as Leis, para preparar o povo a fim de receber o Messias.

No entanto, Israel tomou para si aquilo que deveria ser de Deus, matou os profetas (v. 35-36), não entregou a Deus aquilo que lhe era por direito e, por fim, matou o Filho e Herdeiro da vinha, O levaram para fora da cidade (v. 38-39) e ali O crucificaram.

Por isso a bênção do evangelho foi tirada de Israel e entregue aos gentios (v. 43). No entanto, ao contrário do que alguns afirmam, erroneamente, a Igreja não assumiu o lugar de Israel.

“Digo, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.” (Romanos 11:1)

Deus apenas abriu uma oportunidade de salvação para os gentios, nós não tomamos a posição do povo escolhido por Deus. Apenas fomos abençoados por seu desprezo para com a salvação. O Apóstolo Paulo nos deixa claro que nós, gentios, pela queda dos judeus fomos elevados à Presença de Deus.

“Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos. Como está escrito: Deus lhes deu espírito de profundo sono, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje. E Davi diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, E em tropeço, por sua retribuição; Escureçam-se-lhes os olhos para não verem, E encurvem-se-lhes continuamente as costas. Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. E se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, exalto o meu ministério;” (Romanos 11:7-13)

Embora Cristo se refira ao povo de Israel podemos traçar um paralelo com a Igreja:

  1. Deus instituiu a Igreja (corpo de Cristo);
  2. Concedeu dons para serem utilizados na expansão do Evangelho (Romanos 12:6-8; 1 Coríntios 4:10, 12:4-11);
  3. E Ele exige o fruto (v. 34; Lucas 13:6-9)

Porém aqueles que deveriam zelar pelo bem estar do povo de Deus, não o fazem. Pelo contrário, se opõem aos mandamentos e servos de Deus (v. 35-36). Deturpam a Palavra de Deus por ganância e avareza.

“E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (2 Pedro 2:3)

“Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré.” (Judas v. 11)

Ao invés de cuidarem das ovelhas do Senhor e zelar pelo bem estar delas, negociam sua lã e gordura, pois não passam de mercenários e o amor pelo rebanho do Senhor Jesus está abaixo do amor pelo dinheiro e pelos beneficios pessoais (João 10:12). Negam o Senhor que os resgatou, pisam o Sangue de Cristo Jesus e assinam sua própria sentença de morte.

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.” (2 Pedro 2:1)

A estes a Palavra é enfática:

“E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (2 Pedro 2:3 – grifo meu)

O Apóstolo Pedro nos leva a discernir a gravidade do pecado destes homens, ele nos remete à primeira rebelião, ao resultado do orgulho de Satanás e suas consequências.

“Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;” (2 Pedro 2:4)

Se Deus não perdoou aos anjos e ao próprio “querubim ungido” que se levantaram em orgulho perante Ele, não serão homens presunçosos que O farão abaixar a espada.

“Mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as autoridades; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignidades; Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor. Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, Recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites quotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco;” (2 Pedro 2:10-13)

A estes Cristo já prescreveu a sentença “Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo” (Marcos 3:29).

“Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado;” (2 Pedro 2:21)

Judas assevera:

“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.” (Judas v. 3,4)

E, assim como Pedro, reforça que a estes o fogo do inferno os aguarda:

“Mas quero lembrar-vos, como a quem já uma vez soube isto, que, havendo o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os que não creram; E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia;” (Judas v. 5,6)

“E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele.” (Judas v. 14,15)

Jesus não arrendou sua Igreja, pastores! A Igreja não é sua propriedade, a Igreja não é seu ganha pão, a Igreja não é sua serva, não é trouxa, não é obrigada a bancar seu estilo de vida, sua mansão, seu carro importado ou seu desejo profano de alcançar a elite humana. Em momento algum Deus lhes autorizou a arrancar o couro de suas ovelhas.

O machado está à raiz da árvore e seus frutos de avareza não tardará o juízo de Deus. O tempo do acerto de contas é chegado. Onde estão os frutos? Onde estão as almas? Onde estão os recursos da Igreja?

Todo aquele que se levanta para abusar da Igreja de Deus será, sem misericórdia, destruído. Será eternamente atormentado ao lado de seu senhor, junto dos demônios!

O Senhor é vindo e, com Ele, estão os santos, estão os clamores das almas que vocês torturaram, das almas que rejeitaram, que tiraram até o último centavo e enganaram com a falácia de um deus que concede um prêmio lotérico aos fiéis.

Sobre suas cabeças estão o ódio, o furor da Ira de Deus. Não se trata apenas da Ira de Deus, mas sim do FUROR da Ira de Deus. É a expressão máxima de juízo, um juízo impiedoso contra aqueles que profanam o nome de Cristo, sua Palavra, seu Sangue e sua Santidade.

“Não possuímos o direito de barganhar o Reino, de tirar proveito da boa-fé dos cristãos e, muito menos, explorar a nenhum filho de Deus! Infelizmente a Igreja Pós-Moderna se tornou um covil de ladrões, praça de cambistas e uma toca de lobos gananciosos, avarentos e endemoniados.” (Trecho do Artigo: A escória da igreja capitalista)

A sentença foi dada, a prisão eterna preparada e as portas da Sala de julgamento já estão abertas. O tempo é chegado. Que Deus tenha misericórdia de sua Igreja.

Jamil Filho

Jamil Filho

Servo de Cristo Jesus, proclamador das Boas Novas, fundador e editor do Euaggelion.

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