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Um alienígena entre terráqueos

  • Jamil Filho

    Jamil Filho

    Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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    Jamil Filho

“Não são do mundo, como eu do mundo não sou.” (João 17:16)

Quero de antemão deixar claro que, em momento algum, creio, defendo ou suponho que exista seres inteligentes em algum ponto do Universo (além dos seres humanos, da Santa Trindade, dos anjos e dos demônios), UFO’s e coisas do gênero.

No entanto, como cristão creio que minha Pátria não se encontra em nenhum lugar deste mundo.

Com base no conceito da palavra “alien” irei nortear o artigo e, por que não, levá-lo a compreender não apenas a necessidade, mas também a importância e responsabilidade de portarmos como forasteiros nesta Terra.

Toda vez que empregamos o termo “Alien” logo nossa mente já associa a seres galáticos, no entanto, há mais significado inserido nesta palavra do que necessariamente extraterrestres.

Segundo o Michaelis:

Alien: indica alguém que não é cidadão de nosso país, um termo legal considerado ofensivo por alguns. O adjetivo alien também sugere desaprovação e refere-se a alguém ou algo de outro país, raça ou grupo social que não o nosso. E, claro, os seres de outros planetas que também são referidos como aliens.

No inglês tanto a palavra “foreigner”, quanto a palavra “alien” se refere a pessoas que não fazem parte da cultura. Porém esta última traz consigo uma conotação pejorativa e, ao ser associada à “citizen”, pode se referir a cidadãos estrangeiros que, mesmo vivendo em uma determinada sociedade, não possui ou não faz parte da mesma cultura.

Se partirmos deste ponto e avançarmos até a oração de Jesus por seus discípulos observaremos que:

  • Possuímos uma cultura e um padrão de vida norteado pela Palavra de Deus e, por consequência, somos odiados por este mundo (v. 14);
  • Não pertencemos a este sistema caído (v. 16);
  • O mundo não conhece a Deus e a sua Palavra (v. 25) e, consequentemente, não compreende as coisas do Reino (1 Coríntios 2:14)

Odiados pelo mundo

“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios. E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.” (Mateus 10:16-18, 22)

Jesus, ao enviar seus discípulos para pregar, deixou muito claro que, a mensagem que eles foram incumbidos de carregar, provocaria o ódio (v. 22).
O ódio do mundo pelas coisas de Deus é pautado por seu amor pelas trevas.

“E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.” (João 3:19)

O mundo foge e hostiliza a Palavra, pois ela ilumina e traz à tonas, aos olhos, as suas obras más.

Um Alienígena entre terráqueos

“Não são do mundo, como eu do mundo não sou.” (João 17:16)

Jesus claramente nos mostra que não pertencemos a este sistema, este povo, esta cultura. Estamos inseridos, no entanto, não fazemos parte!

O Apóstolo João relembra a Igreja acerca disso ao exortá-los a não amar este mundo (1 João 2:15).

Mas em que isso implica?

Posso estar defendendo uma linha de pensamento muito puritana, no entanto, creio que se fazemos parte de um povo forasteiro, de um grupo de pessoas lavadas e remidas pelo Sangue do Cordeiro e, acima de tudo, integrantes do Corpo de Cristo Jesus devemos, obrigatoriamente, representar este Reino.

Não compreendo pessoas que afirmam fazer parte do Reino, mas em contra partida demonstra através de seu gosto literário, musical e cinematográfico um padrão de vida apegado ao mundo.

Quando o Apóstolo João disse “não ameis o mundo” ele não se referiu apenas às coisas terríveis deste mundo, ao pecado, iniquidade, corrupção ou todo tipo de maldade. Ele insere nesta lista as “coisas boas” do mundo, sua diversão, seu entretenimento, seu prazer e alegria.

Se fazemos parte do Corpo de Cristo e de seu Reino Eterno devemos nos moldar ao padrão de vida deste Reino e não é o entretenimento mundano que nos auxiliará nisto.

Minha sincera preocupação é: “Como podemos conhecer a Vontade de Deus se nossas mentes estão cheias da literatura seculares, como aproximaremos de sua Vontade se nossos corações estão voltados para os divertimentos e como poderemos ouvir a Voz do Criador se o único som que ecoa em nossos ouvidos são as melodias seculares?”

Que representantes de Cristo nos tornamos? Que modelo de separação e santidade temos seguido? Ou que reino pensamos que possuiremos?

Luz em meio às trevas

“Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;” (Mateus 5:14)

Ao dizer estas palavras aos seus discípulos, Jesus estava lhes transmitindo mais do que uma responsabilidade de anunciar e resplandecer o Evangelho. Ele estava apresentando um fardo, um compromisso uma cruz: “Ser luz em meio às trevas”.

O Apóstolo Paulo nos informa em 1 Coríntios 2:14 que o homem natural não é capaz de compreender as coisas do Reino, a Palavra ou a Vontade de Deus.

Sabendo disso, em outra passagem (2 Coríntios 3:2-3), ele nos informa que somos “carta lida por todos os homens”.
O rótulo “cristão” é muito mais profundo do que o simples esteriótipo do indivíduo que carrega a Bíblia debaixo do braço, veste um terno, gravata e, aos domingos, lê os versículos do texto base do sermão.

Ser cristão é ser imitador de Cristo!

Às vezes não compreendemos que, ao nos compromissar com o Reino, ao aceitar a Cristo e ao declarar ao mundo que fazemos parte de um povo escolhido, separado e remido, estamos nos comprometendo a viver tal como Cristo viveu.

Paulo em Efésios 6:20 assume a responsabilidade de ser embaixador do Evangelho e, com isso, nos convoca para sermos também. Temos a responsabilidade de não manchar a Palavra de Deus com nosso estilo de vida.

Como seremos cartas abertas, sal, luz e embaixadores do Evangelho se vivemos, falamos e nos entretemos tal como o sistema ordena?

Quando Jesus disse que somos sal e luz Ele não quis dizer que fazemos parte de uma “panelinha dos não-me-toque”. Ele nos faz conhecer o tamanho da responsabilidade que foi colocada em nossos ombros.

Será que nossas vidas, nosso entretenimento e nossos hábitos estão conformados à imagem de Jesus de maneira a brilhar e salgar este planeta? Será que nossas vidas estão anunciando a Verdade que dizemos seguir? Será que o mundo nos vê como alienígenas ou apenas e tão somente como “mais um”?

Medite nestas palavras e, se for necessários mudar, que Cristo seja seu único e imutável padrão de vida.

Que Deus vos abençoe, fique na Paz de Cristo Jesus.

Jamil Filho

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Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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