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Trechos difíceis da Bíblia - #02 (A praga de Baal-Peor)

  • Jamil Filho

    Jamil Filho

    Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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    Jamil Filho

Dando continuidade à série de artigos sobre trechos de difícil compreensão ou que, por ignorância humana, são alvos de ataques humanistas. No artigo de hoje estudaremos acerca da condenação dos israelitas que se juntaram a Baal-Peor.

Para que compreenda um pouco melhor retornemos ao capítulo 22 de Números. O povo israelita havia acabado de destruir os amorreus e agora estavam nas campinas de Moabe (Números 22:1). A notícia da destruição dos amorreus chegou aos ouvidos de Balaque e ele temeu o povo de Israel (Números 22:3).

Conhecemos a história, principalmente a da mula de Balaão, uma personagem deste texto. Após inúmeras tentativas fracassadas de amaldiçoar o povo (Números 23-24) Balaão ensina Balaque o segredo para destruir a Nação de Israel: o pecado (Números 31:16).

No capítulo 25 vemos que o povo de Israel se prostituiu com as moabitas e, além disso, se curvaram em adoração a Baal-Peor. Neste mesmo capítulo, no versículo quatro, Deus ordena uma severa sentença àqueles que haviam infringido a Lei.

O Senhor Deus ordenou que os cabeças, ou líderes do povo, fossem enforcados. Eles foram passivos, não combateram o pecado no meio do povo e não foram exemplo de santidade e separação da imoralidade sexual.

“Disse, pois, o Senhor a Moisés: Toma todos os cabeças do povo, e enforca-os ao senhor diante do sol, para que a grande ira do Senhor se retire de Israel. Então Moisés disse aos juízes de Israel: Mate cada um os seus homens que se juntaram a Baal-Peor.”

Mesmo diante deste severo julgamento de Deus vemos, no versículo seis, o registro de afronta de um israelita. Mesmo sob pretexto de morte, ele demonstrou diante de todo o povo sua indiferença para com a santidade e para com o julgamento divino.

Enquanto todo o povo chorava perante o Tabernáculo Zinri preferiu se prostituir com Cosbi. O juízo de Deus foi executado naquele exato momento, o zelo santo de Finéias não apenas poupou o povo de Israel de maior destruição (v. 8), mas também o impeliu a executar, sem piedade, aquelas duas almas transgressoras.

Esse extremo zelo de Finéias é uma tipificação de Cristo e seu zelo pela Santidade de Deus (Hebreus 1:9).

E a dúvida que surge é: “Por que vinte e quatro mil almas foram extirpadas, sem misericórdia, do meio do povo de Israel?”

Todos os israelitas que se prostituíram e adoraram a Baal-Peor, incluindo Zinri, pecaram terrivelmente pois:

Desobedeceram os mandamentos do Senhor.

“Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.” (Êxodo 20:3-5).

Israel estava proibido de invocar ou adorar outros deuses ou a ídolos dos povos que os cercavam (Deuteronômio 4:15,16)

E, além disso, além de adorar a outros deuses Israel se prostituiu e se adulterou com as moabitas. A Lei determinava que a punição para este pecado era a morte (Levíticos 20:10, Deuteronômio 22:22)

O povo de Israel se conformou ao padrão de vida dos povos idólatras. Deus escolheu a Nação de Israel para que, através dela, todas as nações fossem benditas. Ao chamar Abrão o Senhor lhe apresenta essa gloriosa bênção (Gênesis 12:3; Romanos 11:11).

Ele estava preparando um povo para que seu Filho Jesus viesse ao mundo. O povo de Israel deveria ser santo, puro e imaculado. Os mandamentos de Deus, as Leis, deveriam ser obedecidas.

A partir do momento que Israel desobedecesse a Lei de Deus estaria, consequentemente, quebrando a aliança, o concerto com o Senhor. O pecado em qualquer esfera é inaceitável, no entanto, ao ser cometido pelo povo cuja a salvação seria revelada a todos que ao Senhor invocar (Joel 2:32; Atos 2:21), ele deveria ser, sem misericórdia, punido.

Deus não foi cruel, terrível ou desumano ao extirpar aquelas vinte e quatro mil almas, eles pecaram conscientes de que a condenação para a sua transgressão seria a morte. A Palavra é clara ao dizer que todos que praticam e consentem com o pecado estão condenados à morte (Romanos 3:23, 6:23).

O amor, bondade e misericórdia divinos não limitam o Senhor e se Santo Zelo. Quando a medida do pecado atingir o ápice, e quanto mais tempo demorar para isso mais terrível é a ira e o juízo, não há nada que o impedirá de derramar, de uma única vez, a condenação sobre a cabeça do pecador.

O Apóstolo Paulo é enfático ao dizer: “Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gálatas 6:7). Como colheremos amor e misericórdia se, todos os dias da nossa vida, plantarmos pecados e transgressões?

É uma afronta à Santidade de Deus falar que Ele ama o pecador indiferente de seu interesse em se arrepender. O amor do Senhor para com o pecador já foi manifesto, há dois mil anos, no Calvário e como o iníquo alcançara e atrairá os olhos amorosos de Deus se rejeita o amor expresso na Cruz?

No contexto de Israel eles não possuíam a Cruz como um símbolo do amor de Deus para com a humanidade, no entanto, eles possuíam a recordação fresca da libertação do cativeiro, do cuidado diário e da provisão no deserto. Eles possuíam um pacto com o Senhor, uma aliança perpétua de bênção e maldição.

Se Israel fosse fiel eles seriam abençoados pelo Senhor, no entanto, se pecassem contra seu Deus a maldição e a condenação já estavam assinadas. A Lei não tornava o povo perfeito, no entanto, servia de tutor para guiá-los até Cristo (Gálatas 3:22-26).

Deus não apenas estava preparando caminho para a salvação do mundo, mas também desejava, através dos mandamentos, mostrar ao povo de Israel seu extremo ódio para com o pecado e seu amor, bondade e bênçãos para com os santos e fiéis a Ele.

Portanto lembre-se de que, em momento algum, Deus desferiu uma injusta condenação. Ninguém morreu sem aviso prévio do perigo. Nenhum dos israelitas mortos desconheciam a lei ou as consequências de seu pecado.

O Senhor Deus já tinha lhes dado as tábuas dos Dez Mandamentos e uma coletânea de mais de trezentas leis. E, assim como hoje, todo aquele que peca, conhecendo a Palavra de Deus, e os padrões de santificação por Ele exigidos acumula para si, conforme o escritor aos Hebreus registra, “uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo”.

Medite nestas palavras e que Deus vos abençoe. Fique na Paz de Cristo Jesus.

Jamil Filho

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Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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