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Hitler mereceu morrer?

  • Jamil Filho

    Jamil Filho

    Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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    Jamil Filho

Nesta segunda meditaremos, rapidamente, em um assunto proposto por um dos nossos leitores.

“Vamos supor que você vivesse na época da Segunda Guerra Mundial e você vê Hitler se afogando. Se você salvá-lo, ele vai continuar a cometer seu crime de genocídio e você ou eu ficaríamos com a consciência pesada pensando: quantas vidas inocentes poderiam ter sido poupadas se eu não tivesse salvo Hitler. Mas se você ou eu não o salvássemos poderíamos pensar: e se ele mudasse de atitude? Eu não o privei de uma segunda chance?” (Matheus Bezerra)

Trata-se de um complexo dilema ético que coloca em xeque alguns princípios pessoais. No entanto, creio que não apenas conseguiremos, através desta ótica, compreender melhor o amor de Deus para conosco, mas também enxergaremos que também somos merecedores de morte e condenação.

Quanto a Hitler:

Em meu ponto de vista há algumas possibilidades para cada ação provável a ser tomada:

  • Se o salvássemos da morte ele poderia continuar ordenando a morte de inocentes ou então ser tocado pelo ato de bondade e se arrepender de sua barbárie, conforme o próprio leitor propôs;
  • No entanto, se o deixasse morrer, obviamente centenas de milhares de vidas seriam poupadas, porém, eu não apenas carregaria sobre os ombros o peso de uma morte, mas também estaria me tornando como ele.

A questão não se trata de números, indiferente se ele matou milhões ou dezenas de vidas, o pecado diante de Deus tem o mesmo peso. Não há pecados grandes e pecados pequenos, são todos pecados.

Pena de morte:

Vejo no meio cristão um grupo “evangélico” que, com unhas e dentes, defende a pena de morte não apenas contra criminosos, mas também contra políticos corruptos. Mas se, lermos com maior calma a Palavra de Deus, vemos que a Bíblia também defende a pena de morte:

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 6.23)

É hipocrisia apontar o dedo para o outro que matou, roubou, estuprou ou desviou milhões de reais dos cofres públicos e desferir uma condenação capital a ele enquanto eu, mesmo não cometendo barbaridades de tamanha proporção, sou mentiroso, profano, tenho prazer em divertimentos seculares banhados a sangue, pornografia e blasfêmia, roubo centavos no troco, não tenho temor nem pudor na Casa de Deus e não vivo os padrões de santidade expressos nas Sagradas Escrituras.

Que diferença há? Não são todos pecados? Não são todos condenáveis diante dos olhos do Senhor?

Deus não condena apenas as transgressões “grandes”, Ele condena todo tipo de transgressão. Não há diferença, mesmo que em minhas ações eu não prejudique meu próximo, se estou infringindo a Lei de Deus é pecado e mediante a Santidade do Senhor, mereço ser punido.

Voltando a Hitler:

Spurgeon disse: “Pequenos pecados são como pequenos ladrões, abrem as portas para os maiores.”

Se eu matasse Hitler não estaria me tornando como ele? Quantos homicídios teria que cometer para ser classificado como um assassino? Percebam que diante dos olhos de Deus não há diferença alguma.

Claro que o pecado dele teria maior peso na condenação do que o meu, no entanto, ambos seriam herdeiros de uma eternidade afastada do Senhor.

Mas e se eu o salvasse e ele continuasse a exterminar as almas inocentes?

As Sagradas Escrituras nos relata que “Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um.” (Salmos 14.3)

No entanto, mesmo assim Deus enviou seu Único Filho para morrer pela humanidade. O Apóstolo Paulo nos revela em Romanos 5.8 que “… Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”.

Cristo não morreu por seres humanos perfeitos, santos e puros. Ele morreu por pecadores. Jesus morreu por nós quando nós ainda éramos pecadores. Ele morreu por pessoas que, dia após dia, afrontam ao Senhor Deus, transgridem seus mandamentos e caminham para o inferno. Por pessoas que, sem Ele, são capazes de se tornarem tão cruéis como Adolf Hitler.

Deus entregou uma parte de si para morrer por homens cruéis e depravados, Ele não mediu esforços para nos salvar e, mesmo assim, a humanidade não apenas caminha para longe dEle, mas também afronta, com seus divertimentos e prazeres pecaminosos, sua Santidade.

Se tomarmos, como preceito para deixar de fazer o bem, a iniquidade e maldade do próximo cometeremos pecado. Tiago deixa claro ao escrever:

“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”

Não estou dizendo, no entanto, que eu deveria apenas salvar Hitler do afogamento por mera bondade humana. Apenas fazer o bem se firmando em uma boa moral não nos levará a nenhum lugar a não ser ao inferno.

Satanás não é contra a boa moral, ele é contra Jesus Cristo. Se minhas boas ações não apontam para Jesus e não são guiadas por Ele, mas são regadas de orgulho e auto-justificação então creio que seja um pecado ajudar Hitler tal como deixá-lo morrer.

Creio que a solução não seria apenas auxiliá-lo em seu desespero de não morrer afogado, mas guiá-lo a Cristo. Traçando um paralelo para qualquer outro necessitado ou desesperado por auxílio, creio que devemos, não apenas ajudar materialmente, mas também apresentar a Cristo.

Como disse, se nossas boas ações não são banhadas pelo amor de Cristo elas não passam de fracas tentativas de salvar, do inferno ou da condenação eterna, uma pobre e necessitada alma.

Que não apenas nesta segunda, mas também todos os dias de sua vida, você seja movido por Cristo para não apenas auxiliar os necessitados, mas também conduzi-los aos pés do Senhor. Que Deus vos abençoe, fique na Paz de Cristo Jesus.

Jamil Filho

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Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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