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Uma análise bíblica da dança na Igreja

  • Jamil Filho

    Jamil Filho

    Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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    Jamil Filho

Já faz algum tempo que desejo escrever acerca deste assunto, no entanto, até este momento não tive oportunidade. Dança dentro da Igreja, o que a Bíblia diz a respeito? É o que veremos nesta rápida reflexão.

Antes que os apressadinhos comentem, vamos iniciar falando do Rei Davi.

“E Davi saltava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava Davi cingido de um éfode de linho. Assim subindo, levavam Davi e todo o Israel a arca do Senhor, com júbilo, e ao som das trombetas. E sucedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi, que ia bailando e saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração.” (2 Samuel 6:14-16)

Além desta passagem encontramos algumas outras que apresentam a dança como forma de regozijo público (Juízes 11:34; 1 Samuel 18:6; 21:11; 29:5), de divertimento social (Eclesiastes 3:4; Jeremias 31:4, 13; Mateus 11:17; Lucas 15:25) e em expressão pública de louvor a Deus (Êxodo 15:20).

No entanto, devemos ressaltar que todo o povo dançava ao Senhor e não apenas um e, além disso, as danças judaicas não se assemelham às danças atuais.

Tomar como base o fato que o Rei Davi dançou para defender o argumento que dança dentro da Igreja é aceitável é completamente errôneo.

Davi dançou com o povo em uma manifestação de alegria pela chegada da arca em Jerusalém. Ele não estava se apresentando aos demais.

Além disso, não encontramos nenhuma referência bíblica que nos apresente a dança no culto a Deus, no Tabernáculo ou no Templo.

O ritual de culto no Antigo Testamento era extremamente sóbrio, sério. O Sumo Sacerdote deveria entrar apenas uma vez na presença de Deus e ele corria risco de morte caso não se portasse com reverência (Levítico 16:2).

Vamos citar como exemplo o Dia da Expiação, quando o Sumo Sacerdote entrava no Santíssimo Lugar para oferecer sacrifício pelos pecados da nação de Israel. Era um dia feliz, certo? Afinal o povo estava sendo remido de seus pecados, a Ira de Deus era aplacada e as bênçãos sobre a nação de Israel permaneciam.

No entanto, ao ler a Bíblia não encontramos nenhum registro de danças defronte o Tabernáculo, pelo contrário, era um dia solene, um dia de jejum, de humilhação do povo diante do Senhor (Levítico 16:31). Não havia danças, pulos ou comoções públicas diante da Glória do Senhor.

Retornemos a Êxodo 32:1-18. Enquanto Moisés estava no monte Sinai, o povo de Israel produz um ídolo (vv. 3-4), oferecem holocaustos e se entregam à bebedeira e a volúpia (v. 6).

Ao chegar ao arraial, Moisés contempla a música, o bezerro e as danças (v. 19). Essa é a única vez que o povo de Israel se reúne para oferecer sacrifício e dançar, logo em seguida.

A união do culto religioso e a dança só esteve presente no paganismo, nos cultos aos ídolos e aos demônios. O verdadeiro culto a Deus era repleto de seriedade, reverência e temor diante da Glória e da Presença do Senhor Todo Poderoso.

A dança no Novo Testamento:

Se no Antigo Testamento não encontramos argumentos que sustentem a dança dentro do culto ao Senhor, o Novo Testamento nos apresenta a cartada final.

Em Mateus 14:6 lemos: “Festejando-se, porém, o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante dele, e agradou a Herodes.”

A filha de Herodias, durante a festa de aniversário de Herodes, dança diante dos convidados e, graças a ela e a sua apresentação, João Batista foi decapitado (v. 10).

“Segundo o relato das Escrituras, mulheres e meninas hebreias dançavam espontaneamente em ocasiões excepcionalmente alegres (Jeremias 31:4), e especialmente depois da vitória na batalha, quando por isso cantavam ao Senhor (Êxodo 15:19-21). Não há nenhum registro bíblico, no entanto, nem a mínima indicação de que as mulheres judaicas dançaram alguma vez em público, diante de um auditório. A dança da filha de Herodias na festa de aniversário de Herodes era uma prática pagã.” (Donald C. Samps, Bíblia de Estudo Pentecostal, pag. 1417 – CPAD)

Além disso não encontramos nenhum registro de que a Igreja Primitiva dançava em louvor a Deus e, se ela é o modelo ideal para a Igreja atual, por que não seguimos sua liturgia de culto?

Em 1 Coríntios 14:26 lemos:* “Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.”*

O mesmo encontramos em Efésios 5:19, o Apóstolo Paulo nos exorta: “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração;”

E, ao lermos Atos, encontramos uma Igreja que se ocupava da oração e da pregação do Evangelho da Cruz, do Evangelho do arrependimento.

Tomar a dança de Davi como argumento para afirmar que devemos dançar dentro da Igreja não é apenas uma clara demonstração de desconhecimento cultural e histórico, mas também um grave erro, afinal, a Igreja Primitiva não dançava.

Ao adotarem as práticas pagãs, as Igrejas estão, não apenas entretendo o povo ao invés de alimentá-lo espiritualmente, mas também introduzido costumes e práticas pagãs dentro do corpo de Cristo.

Nenhum culto hebreu ou dos cristãos do primeiro século da Igreja possuía momentos de “louvor com dança”, pois os cristãos e os judeus do período bíblico sabiam muito bem que tal prática era comum nos cultos aos demônios.

De fato, a Igreja hoje tem se tornado mais um clube, uma casa de espetáculo do que um membro do Corpo de Cristo Jesus e uma voz que conclama o mundo ao arrependimento.

Que Deus vos abençoe, fique na Paz de Cristo Jesus.

Jamil Filho

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Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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