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Não confio em Deus!

  • Jamil Filho

    Jamil Filho

    Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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    Jamil Filho

Mas o justo viverá pela fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Hebreus 10:38

Todos nós conhecemos este versículo. Talvez até já declaramos em algum momento a fim de apresentar o cerne do cristianismo, a fé, a vida movida pela confiança em Cristo Jesus.

Mas temos fé mesmo? Será que cremos realmente em Deus, em seu cuidado? Será que confiamos de fato no Criador de todas as coisas?

É muito fácil declarar que vivemos pela fé, que caminhamos rumo aos céus. Falar é fácil, qualquer um consegue! O difícil é praticar aquilo que falamos.

Dizemos que confiamos em Deus, mas colocamos nossas esperanças neste mundo, neste sistema caído, na política, na economia, na geopolítica, no desenvolvimento econômico.

Dizemos que Deus é aquele que provê todas as nossas necessidades, mas estamos desesperados para que o dólar caia, para que a crise passe, para que a economia engrene novamente.

Perceba, no entanto, que não estou afirmando que devemos agir como se nada estivesse acontecendo, como se tudo que nos rodeia fosse nada mais do que uma ilusão.

O que estou apresentando e, por que não, criticando é o fato de que, nós cristãos, afirmamos confiar em um Deus Poderoso, no entanto, agimos como se a economia, o dólar, a política fossem mais poderosos do que Ele, como se as articulações humanas fossem a nossa salvação.

Será que nossa mente é tão tapada para não entender que, indiferente da situação, estamos seguros na mão de Deus? Será que nossa fé só aumenta quando o dólar cai? Quando os homens se levantam contra a corrupção? Quando a economia volta a encher o meu bolso?

Que fé é essa que declara estar firmada em Deus, mas depende de homens pra se sustentar?

Amamos dizer e pregar sobre a Igreja Primitiva, sobre os Apóstolos, sobre os primeiros séculos da Igreja.

No entanto, qual de nós gostaríamos de perder tudo como os cristãos do primeiro século perderam? Qual de nós gostaríamos de passar fome, frio, sede, tal como Paulo? Qual cristão hoje se entregaria prontamente para ser morto pelo Evangelho tal como Policarpo de Esmirna?

Que cristão enfrentaria, sozinho e sem dinheiro, a fúria e o ceticismo da antiga União Soviética a fim de entregar, aos cristãos perseguidos, preciosos exemplares da Bíblia Sagrada tal como o Irmão André?

Dizemos que confiamos em Deus, mas jamais passaria em nossa mente agir tal como George Müller que deixou de cobrar aluguel dos bancos da Igreja (prática comum no século XIX, que garantia um salário fixo ao pastor) e confiar inteiramente no sustento de Deus.

“Muitas repetidas vezes tenho-me encontrado em posição muito difícil, não só com duas mil pessoas comendo diariamente às mesas, mas também com a obrigação de atender a todas as demais despesas, estando a nossa caixa com os fundos esgotados. Havia ainda cento e oitenta e nove missionários para sustentar, cerca de cem colégios com mais ou menos nove mil alunos, além de quatro milhões de tratados para distribuir, tudo sob a nossa responsabilidade, sem que houvesse dinheiro em caixa para as despesas” (George Müller)

Os cristãos de hoje não são capazes de confiar em Deus pelo simples fato de não crerem, de fato, nEle, de não desejarem viver conforme a Sua Vontade e, por fim, de amar mas a este mundo do que ao Reino vindouro.

Por qual outro motivo eu não confiaria em alguém se não pelo simples fato de que eu não creio, verdadeiramente, em suas palavras?

Se cremos naquilo que está escrito na Bíblia Sagrada então por que nos preocupamos com as articulações humanas?

Mas você pode me dizer “Precisamos de uma vida boa, de garantias de sustento. A vontade de Deus e a justiça precisa ser feita.”

Sim, no entanto, o que é uma “vida boa” de acordo com os moldes cristãos? Se colocarmos a vida Pedro, João, Tiago, Paulo, lado a lado com a “boa vida” que o cristão traça, hoje, veremos que, de fato, eles foram uns fracassados.

Todos os nomes da Igreja Primitiva não passaram de fracassados, miseráveis. Homens, mulheres e crianças que perderam o conforto e tudo o que o mundo poderia lhes conceder de bens para, tolamente, serem queimados, devorados por leões, degolados, enforcados e odiados por todos, desperdiçaram toda a boa vida de Deus.

Quem disse que é a vontade de Deus que os cristãos de prostituam com a podridão do sistema humano?

A vontade e justiça de Deus aponta para a Cruz, para a misericórdia demonstrada no Sacrifício de Cristo e, ao mesmo tempo, aponta para o fogo do inferno, para a condenação eterna, para o dia em que Cristo se assentará como Juiz e não como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Que tal pararmos de moldar a vontade de Deus e a sua Santa Justiça aos nossos interesses pessoais e seculares?

A Igreja que deveria estar nos becos, nos valados, nas ruas, clamando “Arrependam-se, pois é chegado o Reino dos Céus” está assentada em fartas mesas de pecado, de ceticismo, de ignorância espiritual e de prazeres mundanos.

A igreja que deveria levantar a bandeira do Reino de Cristo está levantando a bandeira do reino dos homens.

Talvez deveríamos parar de declarar que vivemos pela fé e declarar que vivemos pelas oscilações da Bolsa de Valores ou então pelas movimentações políticas. Faz mais sentido do que afirmar crer num deus tão fraco e tão dependente de nós, pobres homens caídos.

Ou que tal a igreja ser mais sincera e declarar que não confia em Deus? Já seria um grande passo, o reconhecimento de que, entre um ateu, agnóstico e um evangélico do século XXI já não existe muita diferença, ou diferença alguma.

Será que você confia, de fato, em Deus?

Fique na Paz de Cristo Jesus.

Jamil Filho

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Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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