/ Vida Cristã

O cristão e a pornografia

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gálatas 5:22-24)

Hoje iremos abordar um assunto um tanto polêmico: o cristão e a pornografia. Há quem afirme que não há problema algum nisto desde que a pessoa possua sinceridade com Deus.

Contudo estudando a Palavra de Deus e apresentando o artigo em oração mostrarei, com fundamentação bíblica, que a pornografia, na realidade, não é apenas inaceitável dentro do cristianismo, mas também é uma terrível prática iníqua.

Pois bem, não encontramos nas Sagradas Escrituras o mandamento direto “não consuma pornografia”, contudo, Cristo nos alerta, inúmeras vezes, acerca do perigo de alimentarmos nossa concupiscência carnal.

O que Jesus diz a respeito?

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mateus 5:27,28)

Jesus, no capítulo cinco de Mateus, explica a Lei, o propósito do mandamento de Deus.

Primeiro Ele fala do homicídio, Cristo afirma que não apenas o ato de matar fisicamente, mas também o desprezo, injusto, ao irmão são graves diante de Deus.

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno” (vv. 21,22)

“Ele condena o ódio vingativo, que deseja, de modo injusto, a morte de outra pessoa. Raca é um termo de desprezo que provavelmente significa tolo, estúpido” (Donald C. Stamps, Bíblia de Estudo Pentecostal, pag. 1394)

Cristo mostra que o mandamento é mais profundo, não se trata apenas de obedecer com obras, mas com o coração e com os pensamentos.

O Apóstolo Paulo declara “… quem ama cumpriu a lei” (Romanos 13:8).

Ou seja, a Lei não era apenas para ser cumprida com obras exteriores, mas também para ser obedecida com o coração.

Jesus declara que para Deus não há diferença entre matar e desejar a morte de alguém. Veja o que Senhor diz:

“Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem” (Mateus 15:19,20)

Tiago ratifica ao dizer:

“Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tiago 1:14,15)

O pecado antes de ser cometido fisicamente é concebido no coração, na mente. Antes de alguém roubar, matar ou adulterar ele já cumpriu seu desejo no coração.

É isso que Jesus estava ensinando em Mateus 5 e, mais adiante, Ele declara:

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (vv. 27,28)

Do que Jesus estava falando?

“O que Cristo condena aqui não é o pensamento repentino que Satanás pode colocar na mente de uma pessoa, nem o desejo impróprio que surge de repente. Trata-se, pelo contrário, de um pensamento ou desejo errado, aprovado pela nossa vontade. É um desejo imoral que a pessoa procurará realizar, caso surja a oportunidade” (Stamps, pag. 1394)

Por mais que a pornografia seja algo virtual ela faz com que o pecado seja concebido no coração daquele que a consome e, conforme Cristo declara, é tão grave quanto o ato em si.

Além disso o Apóstolo Paulo enumera uma lista de pecados em Romanos 1:26-31. Entre os pecados destacados encontramos a prostituição e a malícia.

Em Gálatas, no texto que abrimos o artigo, a lista é mais extensa. Paulo declara e apresenta uma série de pecados que compõem as obras da carne e entre eles encontramos a prostituição, a impureza e a lascívia.

  • Prostituição: do grego pornéia, trata-se da imoralidade sexual em todas as suas formas, insto inclui imagens, filmes ou publicações pornográficas;
  • Impureza: pecados sexuais, atos pecaminosos e promíscuos e vícios, inclusive maus pensamentos e desejos do coração;
  • Lascívia: sensualidade, trata-se da entrega às paixões e maus desejos de tal maneira a ponto de se perder a vergonha e a decência.

Perceba que embora a Bíblia não aponte a pornografia, visto que não creio que tal definição havia nos tempos bíblicos, ela condena as práticas disseminadas através dos materiais pornográficos.

Se retornarmos aos versículos de Romanos 1 veremos que o Apóstolo Paulo encerra o capítulo escrevendo:

“Os quais, conhecendo o juízo de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem”

Tanto aqueles que cometem o pecado, quanto os que consentem com o pecado cometido por outro são culpados diante de Deus.

Lemos em Provérbios 1:10:

“Filho meu, se os pecadores procuram te atrair com agrados, não aceites”

A própria definição de “consentir” é “permitir, concordar com”. Se eu consumo material pornográfico estou não apenas consentido com o pecado, seja ele qual for, mas também estou satisfazendo minha própria natureza carnal.

Um cristão não pode achar normal tomar parte deste pecado. Neste sentido parafraseio a fala de Mike Reynolds, ex-guitarrista da banda For Today, que saiu da banda por declarar: “…não existe algo como um Cristão que ame seus pecados”

A Bíblia está repleta de orientações para fugirmos de toda e qualquer forma de imoralidade, entre as passagens podemos citar Atos 15:20, 29; 21:25, 1 Coríntios 5:1, 11, Gálatas 5:24-25; 5:13, Efésios 5:3, Colossenses 3:5-6 entre outras.

“O desejo íntimo de prazer sexual ilícito, imaginado e não resistido é pecado. Os cristãos devem tomar muito cuidado para não admitir cenas imorais como as de filmes e da literatura pornográfica (2 Timóteo 2:22; Tito 2:12; Tiago 1:14-15; 1 Pedro 2:11; 2 Pedro 3:3; 1 João 2:15-16; Gálatas 5:19, 21; Colossenses 3:5; Efésios 5:5; Hebreus 13:4)”

Não há meio termo, se eu consinto e tenho prazer na prática do pecado eu sou tão pecador quando e, diante de Deus, sou condenado!

Isso não se aplica apenas à prostituição, adultério, sodomia, mas também à homicídios, roubos, mentiras etc.

Além disso por qual motivo alguém procura a pornografia? A única resposta é: para satisfazer seus desejos carnais e se você leu as referências acima percebeu que, inúmeras vezes, a Palavra de Deus nos orienta a fugir dos desejos carnais.

Quero que compreenda, não estou escrevendo isto para lhe condenar, para desferir a sentença, mas sim para apontar o pecado e lhe mostrar que a Palavra de Deus nos fornece estímulo e força necessários para abandonar o pecado.

No último artigo (Entre o Altar e a Porta) apresentei que somos todos pecadores, cada um se desviou em seu próprio caminho e que carecemos da Graça de Deus.

O profeta Isaías escreve:

“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6)

Todos pecamos (Romanos 3:23), contudo Deus, conforme o profeta Isaías declara, fez nossos pecados cair sobre Ele, sobre Jesus.

Em Jesus encontramos a força contra o pecado, contra a prostituição, contra a pornografia.

Apenas entregue-se a Ele! Arrependa-se de seu pecado, não se iluda com os prazeres carnais.

Com todo meu coração eu oro para que Deus fale com sua vida através deste artigo.

Talvez a pornografia não seja um problema para você, mas talvez você esteja imerso em glutonaria, bebedeira, vícios de todos os tipos, mentira etc.

Não importa, se você clamar ao Senhor, com coração sincero, Ele é capaz de lhe perdoar. Apenas abandone seu pecado e siga os passos de Cristo Jesus.

Que Deus lhe abençoe, fique na Paz de Cristo Jesus.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, fundador e editor do Euaggelion.

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