/ Defesa da Fé

Não compare Israel com Brasília

“O rei sábio dispersa os ímpios e faz passar sobre eles a roda” (Provérbios 20:26)

“Tira o ímpio da presença do rei, e o seu trono se firmará na justiça” (Provérbios 25:5)

“O rei com juízo sustém a terra, mas o amigo de peitas a transtorna” (Provérbios 29:4)

“O governador que dá atenção às palavras mentirosas, achará que todos os seus servos são ímpios” (Provérbios 29:12)

Não é raro encontrarmos estes e inúmeros outros versículos da Bíblia Sagrada, que originalmente foram escritos à nação de Israel, sendo aplicados como modelo moral e ético para o governo brasileiro.

Vamos deixar claro que eu não vou expressar opinião política neste artigo, não vou defender este ou aquele, o propósito do Euaggelion não é este, sou embaixador de Cristo e não embaixador de bandeira política ou de homens descompromissados com a verdade do Evangelho de Jesus.

O objetivo deste artigo é apresentar quão errado e, talvez, quão tolo é comparar Israel com o Brasil, ou com qualquer outro país do mundo.

Sem nenhuma sombra de dúvidas a Bíblia Sagrada nos apresenta uma série de ensinamentos, orientações e o Único Caminho até Deus, ela foi escrita para narrar o amor do Senhor pelo mundo, contudo, devemos entender que as suas aplicações, seus ensinamentos não são para todos, mas para aqueles que, pela fé, creem em Jesus.

Para o mundo a Bíblia é “mais um livro” e não “o livro que apresenta a Verdade e a Vida Eterna”. O Apóstolo Paulo declara:

“…homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).

Paulo ainda afirma que a Palavra é “divinamente inspirada” (2 Timóteo 3:16) e por este motivo é inacessível para aqueles que não são participantes do Reino, ao falar acerca do entendimento da Palavra o Apóstolo João declara “… não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas…” (1 João 2:27).

O mesmo afirma o escritor aos Hebreus “… todos me conhecerão” (8:10). Somente aquele que possui o Santo Espírito de Deus é capaz de compreender as Sagradas Escrituras, conhecer a Deus e de discernir seus mendamentos espiritualmente.

A Bíblia Sagrada transcende os ensinamentos morais, éticos, litúrgicos, dogmáticos e religiosos, ela só é compreendida por aqueles que possuem a “unção”, ou seja, o Espírito Santo de Deus.

Sendo assim, os ensinamentos da Bíblia Sagrada, embora entregues a todos, não possuem valor prático sobre todos, pois nem todos se submetem a ela.

O escritor aos Hebreus afirma “… sem fé é impossível agradar-lhe ” (11:6), sem fé é impossível obedecer aos ensinamentos bíblicos, aos seus mandamentos ou muito menos crer naquilo que está escrito.

E nem todos possuem fé, não porque lhes falta a regeneração, pois a regeneração não precede a fé, mas porque nem todos desejam vir para a luz por amarem as trevas e por causa de suas más obras (João 3:20).

Sob esta ótica podemos afirmar que não há sentido prático, racional, nem muito menos espiritual transferir os ensinamentos entregues a Israel para a nação brasileira. No entanto é isso que estamos vendo diariamente!

Ainda mais agora com a instabilidade política, os crimes sendo punidos e o povo clamando por um governo justo, os cristãos “pensam” que podem encontrar respaldo para seus posicionamentos políticos nos ensinamentos dados a Israel.

Os vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores etc. não temem ao Senhor Deus, não creem em Cristo Jesus e, desta maneira, não possuem fé para se aproximar dEle e, muito menos ainda, entendimento espiritual para discernir as coisas do Espírito Santo.

Em Romanos 2:28-29 o Apóstolo Paulo escreve afirmando que aquele que segue o mandamento de Deus se torna um verdadeiro judeu, ou seja, se torna participante da aliança entre Deus e os homens firmada com Abraão e concretizada em Jesus.

Lemos o mesmo em Romanos 9:7-8 e em Efésios 2:11-22 vemos Deus abolindo, pela cruz, a inimizade entre judeu e gentio, em Filipenses 3:3 Paulo trata novamente da verdadeira circuncisão (um sinal da aliança entre Deus e Israel), em 1 Pedro 2:9 encontramos a declaração de que nós, a Igreja, somos nação santa, a geração eleita, o povo adquirido para anunciar a virtude do Evangelho.

Em momento algum na Bíblia Sagrada encontramos os Apóstolos comparando o povo, a nação de Israel, com outro sujeito a não ser a Igreja de Cristo Jesus.

Em nenhum momento Paulo compara Israel com Roma ou coloca sobre César, Félix ou qualquer outro governante de sua época o peso dos mandamentos, bênçãos e maldições entregues ao povo judeu.

Somente os eleitos no Filho receberam tais analogias, somente a Igreja de Jesus assume o papel de herdar, juntamente com Israel, as bênçãos (neste caso a salvação) do Senhor manifestas, como sombras, por meio da lei e dos profetas e cumpridas em Cristo e ensinadas através das doutrinas dos Apóstolos.

Os governos deste mundo estão fora do relacionamento interpessoal de Deus. O Senhor não está se importando com os políticos brasileiros (nem com políticos de país algum), todas as sentenças tanto para eles quanto para todos os ímpios já foram dadas.

O mundo e todo o seu sistema político, econômico, social, cultural e religioso está nas mãos do diabo (1 João 2:23; 3:8-10; 5:19).

Então seria correto comparar Israel com a Igreja? Não!

Embora Deus esteja interessado na Igreja, na noiva de Seu Filho Jesus Cristo, e é para ela que os mandamentos e orientações são dirigidas, que as bênçãos são prometidas e que as maldições para o pecado são entregues, a Igreja de Cristo não substitui Israel, não toma o seu lugar no plano do Senhor (no próximo artigo aprofundaremos um pouco mais neste assunto).

Não há base bíblica alguma para transferirmos os mandamentos de Deus entregues no à Israel e registradas no Antigo Testamento para a nossa nação.

Não fomos escolhidos como povo do Senhor, não somos judeus, somos gentios e, por consequência, as promessas e os compromissos firmados entre o Deus e Israel não são válidas para nós!

Se nós, Igreja de Cristo, comprados e lavados com o Sangue do Cordeiro, não devemos tomar o lugar de Israel quanto mais os ímpios deste mundo! Não compare Israel com Brasília!

Que Deus vos abençoe, fique na Paz de Cristo Jesus.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, fundador e editor do Euaggelion.

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