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Em Defesa da Palavra: Deus é a origem do mal?

  • Jamil Filho

    Jamil Filho

    Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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    Jamil Filho

A mente humana, por vezes, questiona: “Se Deus é bom por que existe o mal”?

Seria Deus a origem do mal? Ou o mal é resultado do livre-arbítrio humano? Ou ainda: “Deus sendo amor não poderia interferir, arbitrariamente, e exterminar toda e qualquer forma de mal”?

Devemos deixar claro que “Deus é luz, e não há nele trevas nenhuma” (1 João 1:5). As trevas, apresentadas por João neste verso, não se trata dos “mistérios” de Deus, mas sim do pecado.

Basta ler todo o contexto, no versículo seguinte ele declara: “Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade” e ainda, “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”.

Deus não é a origem do mal! Com apenas um versículo desarmamos o argumento, tanto de ateus quanto de calvinistas, de que o Senhor é o agente criador e regulador do pecado e, por consequência, de todo o mal que permeia a humanidade.

A Bíblia é clara ao declarar que Satanás peca desde o princípio e que, do coração humano, procede toda iniquidade. No entanto, encontramos “cristãos” que, rejeitando o que a Bíblia afirma, declaram:

“A Bíblia tem mais de uma centena de exemplos que Deus fez o pecado acontecer Essa é uma assimetria bíblica maravilhosa, Deus ordena o pecado e o homem é o culpado” (Palmer).

Onde há maravilha nisto? Onde Deus é glorificado com o “decreto do pecado”? Será que Deus é infantil a tal ponto de precisar criar o mal para mostrar Sua bondade?

Em momento algum a narrativa bíblica atribui a rebelião ou o pecado outro ser além de Satanás e o homem.

É uma afronta, uma blasfêmia, atribuir ao Santo Deus toda a perversidade humana, toda crueldade e iniquidade.

Se achamos deplorável uma criança cometer um erro e acusar o colega por sua falha, por que aceitaríamos o fato de que Deus cria o pecado e culpa o homem? Como confiar em um deus assim?

Na realidade esse deus não existe em nenhum lugar do Universo a não ser nos escritos agostinianos e calvinistas.

Nem mesmo a própria Bíblia Sagrada oferece uma mísera fundamentação para creditarmos ao Senhor Todo Poderoso o pecado e a iniquidade humana ou, por acaso, Deus é a outra face de Satanás?

Se culpamos moralmente alguém por estimular o erro de outro, ou por ser o mentor do erro, por que Deus não pode ser moralmente culpado se Ele implanta o pecado no coração humano?

Jesus é muito claro ao declarar que todo o mal, todo o pecado provém do coração humano e não do Senhor Deus (Mateus 15:19). Tiago declara “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” e complementa, “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (1:13 e 14).

Não há nenhum “mistério”, o homem é pecaminoso desde a sua meninice, por sua própria concupiscência carnal. Não há nenhuma ação obscura ou atitude mascarada de Deus, Ele não planta o pecado no homem.

“Deus se torna como uma pessoa que provoca um incêndio florestal para que ele possa descobri-lo, destruí-lo e ser o herói” (Dave Hunt, Que amor é esse?)

Contudo, negar que Deus é o autor do mal seria, sob a ótica calvinista, negar sua Soberania e, desta maneira, minar os cinco pontos da TULIP.

Pois se “… o pecado está fora do decreto de Deus, então a vasta porcentagem das ações humanas são removidas dos planos de Deus” (Palmer, citado em Que amor é esse?).

Edwin H. Palmer ainda, “corajosamente”, afirma “o pecado não é somente pré-conhecido por Deus, ele é também preordenado por Deus”.

Se este deus existe então há razões para nos aliarmos aos ateus e lhe atribuir toda moléstia humana.

E de fato o berço da Reforma mergulha, irremediavelmente, no secularismo e ateísmo, o resultado direto dos frutos de tal doutrina.

Em oposição à conclusão lógica da soberania exigida pela TULIP, Sproul (também calvinista) declara:

“A santidade de Deus é mais do que ser simplesmente separado. Sua santidade é também transcendental Quando a Bíblia chama Deus de “santo”, ela quer dizer primeiramente que Deus é transcendentalmente separado”.

Qual é a antítese? A declaração de Sproul está em conformidade com a Palavra, o próprio Deus declara “… os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos” (Isaías 55:8)

E, no versículo seguinte, Ele acrescenta “… assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos...”

Contudo, tal declaração desmorona a soberania arbitrária de Deus exigida pelos calvinistas. Basta retornarmos ao versículo anterior: “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos…” (v. 7).

Percebam que Sproul e Isaías estão declarando o mesmo pensamento, Deus está sobre todas as coisas, sobre todo o Universo e acima de toda a criatura.

Porém, o Deus Soberano brada “Deixe o ímpio o seu caminho…” Se os caminhos de Deus são mais altos do que os nossos caminhos então, por consequência, Ele não caminha em pecado.

Caso contrário por qual motivo o Senhor declararia “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos”?

Se o mal procede do coração humano então encontramos a razão pela qual o Senhor o chama ao arrependimento, mas se o mal procede de Deus então nos deparamos com uma terrível contradição e, por que não, psicose.

Deus decreta o mal, o pecado e a queda, chama todos os homens para se arrepender, porém capacita somente alguns para atender ao chamado (este é o argumento utilizado para explicar a chamada de Deus ao arrependimento espalhada por toda a Bíblia Sagrada) e, por fim, condena o restante por praticar o pecado por Ele decretado e pela rebeldia (sendo esta, no entanto, a única atitude que o réprobo poderia tomar).

Que Evangelho é esse? Onde estão as Boas Novas? Que Deus é esse? Com toda certeza não é o Deus da Bíblia!

Ao declarar que Deus está acima de todas as coisas Sproul não percebe que ele está atacando, indiretamente, a soberania calvinista, pois um Deus que está acima de tudo (tal como Isaías também afirma) não tenta a ninguém, não possuí nenhum vestígio de trevas e, consequentemente, não decreta o pecado.

O mesmo se aplica à questão “Deus sendo amor não poderia interferir, arbitrariamente, e exterminar toda e qualquer forma de mal”?

Qual é a definição de “amor”? Seria uma expressão de amor forçar algo sobre alguém?

Mesmo que eu ame a alguém e deseje impor algo (como resultado deste amor), mesmo que seja bom ou que venha privá-lo de alguma calamidade futura, jamais estarei praticando, de fato, o amor.

O que o Apóstolo Paulo escreve em 1 Coríntios 13?

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá”

Entre as características do amor que o Apóstolo Paulo apresenta encontramos “não busca os seus interesses”, “tudo sofre”, “tudo espera” e “tudo suporta”.

Mesmo que este trecho tratasse exclusivamente do amor humano, do amor para o próximo, não poderíamos supor, tomando como base este versículo, que o amor de Deus seja arbitrário, irresistível.

O amor deve ser recíproco, ele somente terá efeito quando as partes compartilharem do mesmo sentimento, respeitarem as vontades e as escolhas uma das outras.

“Pensar que o homem ama ao Senhor por predestinação é, no mínimo, crer que Deus é um Ser carente e dependente de um sentimento virtual fora da Trindade. Jamais!

Deus em momento algum necessitava ou dependia da criação humana para satisfazer algo, no entanto, ao fazê-lo Ele demonstra que, assim como o Pai, o Filho e o Espírito Santo se relacionam de maneira profunda um com o outro, nós seres humanos também podemos nos relacionar com Ele em liberdade por meio de Cristo Jesus” (Até a Última Gota, ainda não publicado)

Por fim, creditar ao Senhor Deus a origem do pecado é, no mínimo, um desconhecimento das Sagradas Escrituras, pois João claramente declara “Quem comete pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1 João 3:8).

Não se deixe enganar “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17).

Fique na Paz de Cristo e que Deus vos abençoe.

Jamil Filho

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Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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