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Propósito, eficácia e magnitude do Sacrifício de Jesus

  • Jamil Filho

    Jamil Filho

    Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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    Jamil Filho

“E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (João 12:32)

A cruz de Cristo é o tema central do Evangelho, o ponto de partida e a coluna mestra da fé cristã.

“Alguém já disse que um futuro eterno não irá conhecer algum outro passado, exceto Cristo crucificado”

Nela enxergamos o panorama de amor, glória, sofrimento e redenção proposta por Deus. Contudo, muitas vezes não somos capazes de visualizar pequenos, mas maravilhosos, detalhes deste ato de amor infinito.

Em ti serão benditas todas as famílias da Terra:

Antes de analisarmos a obra redentora de Cristo Jesus devemos voltar ao início, à aliança de Deus com Abrão.

“… e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:3b)

Ao firmar a aliança com Abraão Deus estende sobre todos os homens em todas as eras a bem-aventurança de sua promessa (no artigo da próxima semana analisaremos com maior riqueza de detalhes a bênção abraâmica derramada sobre Israel).

O Apóstolo Paulo escreve, acerca disto, dizendo:

“Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” (Gálatas 3:8)

O Senhor Deus no momento da fundação da nação de Israel, assim dizendo, declara que, por meio dela, todas as demais nações seriam benditas.

Pois através da descendência de Abraão nasceria aquele que morreria para vencer o poder do pecado. Paulo acrescenta:

“Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo…” (Gálatas 3:14)

O propósito do Senhor ao eleger, incondicionalmente, uma nação era estabelecer o pano de fundo para o cumprimento de Seu Plano de Salvação.

O propósito e eficácia do Sacrifício de Jesus:

Qual o propósito e a eficácia da morte de Jesus? Esta é uma pergunta chave que defina o nosso alicerce e o nosso comprometimento com as verdades imutáveis do Evangelho.

Por quê? Você se pergunta.

Simples, pois a nossa resposta à estes dois tópicos (propósito e eficácia) determinará a nossa visão do amor de Deus para com a humanidade e, por consequência, delineia o nosso amor pelas almas perdidas.

Antes de prosseguirmos é necessário deixarmos claro que em nenhum momento a Palavra de Deus declara que o Senhor salvará a todos indiscriminadamente e, muito menos, que Cristo morreu apenas por um grupo eleito.

Diante da segunda assertiva nos vem a seguinte preposição:

Se Cristo morreu, então, por todos e nem todos são salvos parte do seu sangue, por consequência, foi derramado em vão.

Ou ainda:

Jesus morreu pagando pelos pecados de todos, Deus não pode legal ou justamente acusar e condenar ninguém o pecado não pode ser justamente pago duas vezes Deus não perdoar um pecador por quem Cristo agonizou seria uma paródia de justiça Porque bilhões por quem Ele agonizou, sofreu tormento e morreu, tendo os seus “pecados em Seu corpo sobre o madeiro”, sofrerão inferno eterno. Jesus pagou. Eles pagaram novamente.

Em ambas as declarações encontramos não apenas grotescos erros teológicos, mas também erros conclusivos e lógicos.

Vamos deixar claro alguns pontos bíblicos irrefutáveis:

  1. Por um homem entrou o pecado no mundo (Romanos 5:12);
  2. O pecado reinou sobre todos os homens (Romanos 5:12b);
  3. Pela obediência de um só homem, Jesus, muitos serão justificados (Romanos 5:18-19)

Quando o Apóstolo Paulo escreve acerca da entrada do pecado no mundo e ao declarar que “por um homem entrou o pecado no mundo” ele se refere ao poder do pecado, a entrada do império do pecado na criação de Deus.

“… ele retrata o pecado como o poder reinante no mundo de hoje que exerce autoridade sobre todos os descendentes de Adão”

O pecado pelo qual Cristo morreu, e ao qual Paulo se refere, ao declarar “todos pecaram” não se limita a pecados individuais, especificamente, mas ao “império do pecado”

Em Romanos 3:21-26 Paulo, ao apresentar o sacrifício do Senhor Jesus, afirma que:

“Ao qual Deus propôs para propiciação no seu sangue…” (v. 25)

Aqui encontramos um simbolismo maravilhoso. Lowery declara que:

“Romanos 3:21-26 é a passagem-chave para discernir a compreensão de Paulo da obra de Cristo A expressão traduzida por “sacrifício para propiciação” refere-se a uma única palavra (hilasterion) Ela se refere à tampa que cobria a arca do Testemunho”

Para compreendermos melhor o real significado desta palavra e sua relação com o Sacrifício de Jesus Cristo devemos voltar ao Yom Kippur, a expiação nacional ou o dia do perdão.

O seu ritual está descrito em Levítico 16. O Sumo Sacerdote, neste dia, tomava dois bodes, lançava sortes sobre eles, um para o Senhor e outro para o emissário (Levítico 16:8).

O bode que a sorte caia para o Senhor, ou o bode da expiação, era imolado, seu sangue era introduzido no Santo dos Santos e aspergido sobre o propiciatório da Arca da Aliança.

“… o qual cobria a arca contendo a lei divina que fora violada pelos israelitas, mas que agora estava coberta pelo sangue”

O sangue do bode cobria o pecado do povo diante das Leis do Senhor e apaziguava Sua Ira.

A expiação era para todo o povo de Israel (Levítico 16:21-21), não se tratava de um ritual por pecados específicos, para isso existia as ofertas estabelecidas pelo Senhor, mas sim pelo pecado de todo o povo, pelo poder do pecado que estava sobre Israel.

Contudo a expiação só se efetivava por meio da fé.

“Quanto do sangue de Cristo foi tomado para expiar os que estarão no céu? Obviamente, todo o sangue teria que ser derramado para redimir mesmo uma pessoa”

Não há divisão do sangue de Cristo Jesus, em momento algum as escrituras afirmam que ele foi fracionado, se Cristo precisasse morrer por uma só pessoa todo o seu sangue deveria ser, igualmente, derramado.

Da mesma maneira que o sangue do bode não se oferecia em frações para pessoas específicas, mas era aspergido por todo o Israel e, pelo paralelo traçado por Paulo, podemos dizer que Jesus derramou seu sangue para vencer o poder do pecado por todos.

Robert Shank afirma que:

“O problema do pecado no universo de Deus não se relaciona apenas com Suas criaturas finitas, mas com o próprio Deus. Anselmo está correto em sua tese de que é em Deus que permanece o problema do pecado, em última instância”

O que isso significa? O problema do pecado está em Deus? Não compreenda erroneamente a afirmativa de que “… em Deus permanece o problema do pecado…” Vamos explicar por partes e, ao final, você conseguirá compreender melhor a preposição apresentada por Shank.

A questão central do pecado não se relaciona apenas com o homem, na realidade o homem se encontra em segundo plano quando analisamos o propósito da redenção.

Em primeira e última instância a redenção pelo pecado é para e por Deus. Para compreendermos melhor devemos responder algumas questões:

1) Deus pode perdoar o pecado e ainda permanecer coerente com Sua Santidade?

Deus somente pode perdoar o pecador e, ainda assim, permanecer consistente com Sua Santidade através de Jesus, do Sacrifício de Cristo (Romanos 3:26).

Fora dele Deus não possuí nenhum justo alicerce pelo qual Ele possa justificar o pecado.

2) Qual a necessidade da morte de Jesus?

Podemos definir duas necessidades, uma moral e outra mediadora.

A necessidade moral se refere à necessidade do Sacrifício diante de Deus, conforme abordado no primeiro tópico. Somente através da morte de Jesus o Senhor poderia perdoar o pecador.

“Deus é um ser moral num universo moral que reflete Seu ser, e nem a integridade moral Dele e nem a do universo pode ser violado”

“… apenas com o fundamento da expiação gerada em Jesus, o qual aceitou o justo juízo pelo pecado , Deus poderia conservar Sua integridade e ser, ao mesmo tempo, justo e justificados daqueles que creem em Jesus”

E a morte de Cristo também possuí caráter mediador.

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2:5)

“…Jesus, o Mediador de uma nova aliança…” (Hebreus 12:24)

Jesus morreu para fornecer o meio pelo qual a salvação se tornasse acessível aos homens e para que a força do pecado fosse vencida.

3) Por quem o resgate de Cristo foi pago?

Por quem Cristo morreu para resgate em primeira instância? Se destacarmos que foi para o homem tornaremos seu sacrifício antropocêntrico.

O escritor aos Hebreus declara que Cristo se ofereceu a Deus em favor de nós (Hebreus 9:14). Em primeiro lugar a morte de Jesus foi para Deus em favor dos homens.

“Mas sua oferta não foi no sentido de pagamento de resgate para um Deus relutante” acrescenta Shank

O próprio Deus se propôs enviar Jesus para a remissão dos pecados (João 1:36; 3:16).

4) De quem Cristo obteve a redenção?

A redenção obtida por Cristo, não foi comprada de alguém (alguns supõe que Ele a tenha comprado de Satanás), mas foi providenciada para o homem. Jesus é o Autor da Salvação.

Percebam que se colocarmos o homem no centro do Sacrifício e como objetivo primário chegamos ao questionamento apresentado anteriormente: O sangue derramado em favor dos perdidos foi desperdiçado?

O Sacrifício não é antropocêntrico, ele é em Deus, por Deus e para Deus em favor dos homens, tal como a promessa abraâmica.

A promessa de Deus a Abraão estava firmada nEle, uma vez que ela era eterna apenas o Senhor a poderia sustentar, a única coisa que dependia de Abraão era a fé e obediência que lhe era revertido em bênçãos.

O mesmo se aplica ao Sacrifício de Cristo, ele foi realizado a fim de fornecer um meio. A morte de Cristo é providencial e está condicionada à fé do homem. A preposição calvinista da morte vicária de Cristo anula a grandiosidade deste evento, pois:

  1. Cristo e sua morte são espelhos do decreto e não, um evento necessário e instrumental para a redenção da humanidade.
  2. O sacrifício se torna subordinado ao homem e não em Deus, uma vez que os eleitos estão no centro do plano de salvação em detrimento da cruz.

Postulamos, portanto, que a morte de Jesus é eficaz para todos os homens em potencial, ou seja, todos têm a possibilidade de se salvarem por meio da fé, incondicional para nenhum homem e eficaz para o corpo de Cristo (eleição corporativa, assunto que trataremos em artigos futuros).

Cristo entrou no Santo dos Santos com Seu próprio sangue e o aspergiu diante de Deus para que, aqueles que pela fé crerem em Seu Nome, alcançassem a justificação e salvação por meio de Cristo.

Que Deus lhe abençoe, fique na Paz de Cristo Jesus.

Referências:

Robert Shank. Eleitos no Filho: Um estudo sobre a doutrina da eleição. p 35.
Dave Hunt citando Ww. Oosterman (“Take a Long Look at the Doctrine of Election”) em “Que amor é esse? p. 443.
David K. Lowery. Teologia do Novo Testamento. p 287.
Ibid. p. 299.
David K. Lowery. Teologia do Novo Testamento. p 287.
Ibid. p. 299.
Robert Shank. Eleitos no Filho. p. 35.
Ibid. p. 35.
Ibid. p. 65.
Ibid. p. 70.

Jamil Filho

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Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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