/ Reflexão

Ai dos que descem ao Egito

“Ai dos que descem ao Egito a buscar socorro, e se estribam em cavalos; e têm confiança em carros, porque são muitos; e nos cavaleiros, porque são poderosíssimos; e não atentam para o Santo de Israel, e não buscam ao SENHOR” (Isaías 31:1)

Do capítulo 29 até o capítulo 32 o profeta Isaías registra o prenúncio da destruição de Judá infiel e o livramento do Senhor concedido aos fiéis.

No primeiro versículo do capítulo 31 o Senhor ao declarar, através do profeta,* “Ai dos que dessem ao Egito”*, condena os judeus que se recorriam aos egípcios, que depositavam em sua força militar sua confiança e esperança.

Antes de prosseguirmos seria interessante apresentar, brevemente, o contexto histórico em que o ministério de Isaías esteve inserido.

Em Isaías 6 o Senhor chama e consagra o profeta para o ministério, no ano em que o rei Acazias ou Uzias morreu.

O início do ministério de Isaías ocorreu em um período bastante conturbado, o Reino do Norte se afundava na idolatria e o culto aos deuses, em um curto período de 40 anos cerca de cinco reis subiram ao trono, muitos deles à custa do sangue de seu antecessor.

Mesmo após inúmeras profecias contra os reis ímpios de Israel, Acaz assume o trono de Judá e profana os santos costumes e leis do Senhor. Neste contexto Peca, rei de Israel é assassinado por Oséias (2 Reis 17:1).

Após a morte de Acaz seu filho, Ezequias, assume o reinado de Judá e restabelece o culto ao Senhor (2 Reis 18:1-12).

Quatro anos depois de subir ao trono o rei Ezequias e toda Judá presencia a queda de Samaria e de todo o Reino do Norte sob as mãos dos assírios.

Dez anos depois o Reino de Judá se depara com a ameaça dos assírios, que haviam destruído Israel, e agora se levantavam contra eles.

Contudo Deus lhes concede o livramento (2 Reis 18:13-19). Judá cairia alguns séculos depois com a invasão de Jerusalém pelos babilônicos.

Mas por que ressaltei este breve panorama histórico?

Pois ele é de extrema importância para que compreendamos as advertências de Deus ao seu povo.

Isaías viveu em um período bastante instável e conturbado do povo de Deus, um período com grandes ameaças políticas, bélicas e, por que não, religiosas. Seu ministério iniciou e terminou durante o reinado de homens idólatras e perversos (Jotão e Manassés).

O interessante no versículo que destacamos ao início do artigo é a advertência do Senhor:

“Ai dos que descem ao Egito a buscar socorro, e se estribam em cavalos…”

Se analisarmos historicamente a queda de Samaria foi ocasionada pelo seu envolvimento com os egípcios.

Segundo o historiador Flávio Josefo:

“Salmaneser, rei da Assíria, tendo sabido que Oséias, rei de Israel, enviara secretamente embaixadores ao rei do Egito para convidá-lo a tomar parte numa aliança contra ele, marchou com um grande exército para a Samaria”

O Egito possuía um grande poder militar, no entanto, o Senhor Deus é claro ao proibir aliança com os egípcios.

Isaías alerta os moradores de Judá a confiarem somente em Deus, pois embora o Egito representasse uma grande força militar eles não estavam acima de Deus.

Se traçarmos um paralelo com nossos dias encontramos diversas semelhanças.

Estamos vivendo em um período conturbado da história humana, o cenário política e econômico de diversos países não é nem um pouco animador, inúmeros conflitos bélicos se desenrolam na África e Oriente Médio.

O mundo está e alerta máximo.

Enquanto isso grande parte da Igreja está mergulhada em todo o tipo de iniquidade, heresias, avareza e idolatria.

O cenário que está diante de nossos olhos é o mesmo que Isaías viveu, de um lado a instabilidade política e do outro o desprezo, daqueles que são chamados servos de Deus, pelas Leis do Senhor.

Neste contexto encontramos o alerta de Deus: “Ai dos que descem ao Egito…”

Parafraseando podemos dizer: “Ai dos que esperam no governo, na política, na economia, no exército a salvação ou a solução dos males deste mundo”.

Os políticos jamais auxiliarão o povo de Deus, jamais serão capazes de contribuir para o avanço da Igreja.

O corpo de Cristo é transcendental ao regime político, econômico e/ou social, não depende de governo, representação política, leis, decretos ou da economia. O próprio Deus é quem o sustenta.

Aqueles que descem ao mundo para encontrar auxílio não receberão outra coisa senão a reprovação de Deus.

Não devemos confiar nos carros, cavalos ou poder material, pois somente o Senhor tem todo o poder. Ele mesmo declara:

“Como as aves voam, assim o Senhor dos Exércitos amparará a Jerusalém; ele a amparará, a livrará e, passando, a salvará” (Isaías 31:5)

A confiança dos servos do Senhor deve estar depositada somente nEle, somente em Cristo. No capítulo seguinte temos um pequeno vislumbre do resultado daquele que confia no Senhor Deus:

“Eis que reinará um rei com justiça, e dominarão os príncipes segundo o juízo” (Isaías 32:1)

Aqueles que não desceram ao Egito contemplarão o Reino de Cristo, um Governo Teocrático e Eterno.

Não desça ao Egito em busca de auxílio ou esperança, pois “quando o Senhor estender a sua mão, cairão por terra tanto o auxiliador, como o ajudado” (Isaías 31:3b).

Somente o Deus de Israel pode lhe auxiliar e lhe guiar em meio a este mundo tão turbulento e cruel.

Fique na Paz de Cristo e que Deus vos abençoe.

Referências:

História dos Hebreus, pag. 461.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, fundador e editor do Euaggelion.

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