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O Mandamento que o neocristianismo não compreende

Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam;
Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam.
Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses;
E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir.
E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também. Lucas 6:27-31

Há alguns dias venho meditando acerca da postura assumida por muitos cristãos e, por que não, da minha própria postura diante dos mandamentos do Senhor.

E, hoje, tentarei compreender um pouco onde devemos e podemos melhorar.

Gente boa também mata! Esse foi a afirmativa mais acertada e mais atacada nas últimas semanas. E, neste artigo, será a base de toda nossa argumentação.

Cristianismo Partidário:

“Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem…”

Nos últimos anos, em especial após a gigantesca reviravolta no cenário político brasileiro, a sociedade tem lidado com pensamentos contrários aos seus de maneira extremista e irracional.

Até mesmo no meio cristão, onde deveria prevalecer a identificação absoluta com as Palavras de Cristo, “O meu Reino não é deste mundo” (João 18.36), encontramos a mancha do partidarismo humano extremista.

O neocristianismo (considere o termo “neocristianismo” como sendo a linha cristã, em especial das últimas duas ou três décadas, que busca conciliar princípios mundanos aos mandamentos de Cristo, o envolvimento da Igreja e o Estado, e doutrinas contrárias ao Evangelho puro e simples do Senhor Jesus) tem incorporado em sua cosmovisão, o posicionamento ideológico e político, em especial da ala conservadora, conhecida também como “direita”, uma vez que as “ideologias cristãs” são, de certa maneira, defendidas por tal ala política.

Contudo, vinculado ao pensamento partidário encontramos o fundamentalismo anticristão, o conceito de “cidadão de bem” em contraste com o conceito de “marginal”.

Vamos deixar claro que não apoio, sob nenhuma hipótese, qualquer forma de violação seja contra a vida humana, contra as Leis de Deus ou contra as Leis dos homens.

No entanto, devemos compreender que a Bíblia é muito clara ao dizer que não há um homem justo:

“… não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque. (Eclesiastes 7:20)

“Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus.” (Romanos 3:10,11)

Sob a ótica divina um assassino, estuprador ou ladrão merecem o inferno tanto quanto um homem honesto que mente para sua esposa, ou que comete adultério em seu coração, que sonega imposto ou que se corrompe por centavos.

Contudo, o neocristianismo, aliado às ideologias partidárias, tem deturpado esta verdade bíblica ao afirmar e defender que um assassino merece menos misericórdia divina do que um sujeito que usa a senha especial desonestamente (antes que alguém se levante contra esta afirmação é importante ressaltar que “furar a fila” é uma, das centenas, formas de corrupção).

Ambos os pecados brotam no coração, são aprovados pela vontade humana e violam os mandamentos eternos e imutáveis do Senhor Deus.

Ao afirmar que o indivíduo A deve morrer por cometer uma falta maior do que a do indivíduo B estamos anulando a Palavra de Deus e rejeitando o Sacrifício de Cristo no Calvário.

Todos, sem exceção, pecaram e estão destituídos da Glória de Deus (Romanos 3:23) e, como consequência do pecado, estamos TODOS debaixo da maldição da morte (Romanos 6:23).

E, para reconciliar o mundo consigo novamente, Deus envia o Senhor Jesus para morrer na Cruz do Calvário.

Contudo o neocristianismo tem anulado a justiça de Deus e exercido a sua própria justiça, sentenciando este e absolvendo aquele sob uma ótica puramente humana.

O mandamento não compreendido:

Após este breve panorama podemos avançar para as Palavras de Cristo Jesus:

“Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam”

Esta é a ordem de Cristo aos que carregam a bandeira do Evangelho (ou que dizem carregá-la): ame aos seus inimigos.

Nossos inimigos não são apenas aqueles que se opõem à fé cristã, mas também aqueles que transgridem os mandamentos de Deus.

Por mais honesto que um homem seja, se ele não está sob o sangue de Cristo, sob a remissão proporcionada pelo Sacrifício no Calvário, ele está contra a Palavra de Deus e, por consequência, contra nós e nossa fé.

O Apóstolo Paulo declara em Romanos 7 que o homem jamais conseguirá obedecer a lei através de seus próprios esforços, pois a natureza carnal ainda opera nele e o leva para longe da Vontade do Altíssimo.

“E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou.” (Romanos 7:10,11)

Portanto, por seus próprios esforços ninguém se justificará diante do Senhor. E, com base nesta ótica, podemos dizer então que todos os homens são alvos de nosso amor.

Então será que somos capazes de amar nossos inimigos? De amar aqueles que são contra nossos princípios ou contra nossa fé? Aqueles que pecam contra nós e contra nosso Deus?

A maneira mais fácil de sabermos se estamos ou não obedecendo ao mandamento do Senhor Jesus é avaliarmos os pensamentos e as emoções que temos ao sermos confrontados, afrontados ou humilhados, seja por causa de nossa fé ou não.

São pensamentos bons ou são pensamentos carregados de ódio? Entregamos ao Senhor Deus o direito de julgar ou retemos em nossos corações a vingança?

Infelizmente o neocristianismo não se enquadra, e jamais se enquadrará, nos requisitos exigidos por Cristo no tocante ao amor.

Não há espaço para o amor aos inimigos na ideologia político cristã, não há espaço para o perdão de Deus, para a purificação do mais sujo dos pecadores através do sangue de Cristo.

A “ala conservadora do cristianismo” não compreende que tanto um assassino, quanto um mentiroso estão sob o amor de Deus, ambos são alvos do sacrifício de Cristo Jesus.

No entanto, muitas vezes filtramos a salvação, determinamos quem deve merecer nosso amor e que deve merecer nosso ódio, repúdio e condenação.

Infelizmente o amor não se encontra ao lado do neocristianismo, nem de seu posicionamento ideológico e político.

Será que estamos à altura do segundo maior mandamento?

Fique na Paz de Cristo e que Deus vos abençoe.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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