/ Jesus

Você deseja receber Jesus no barco?

E, quando veio a tarde, os seus discípulos desceram para o mar.

E, entrando no barco, atravessaram o mar em direção a Cafarnaum; e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado ao pé deles.

E o mar se levantou, porque um grande vento assoprava.

E, tendo navegado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram a Jesus, andando sobre o mar e aproximando-se do barco; e temeram.

Mas ele lhes disse: Sou eu, não temais.

Então eles de boa mente o receberam no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam.

(João 6:16-21)

Creio que todos conhecem este trecho das Sagradas Escrituras. Jesus andando por cima do mar ao encontro dos discípulos que, em meio ao mar bravio, estavam se cansando de remar.

É um texto cheio de detalhes que, se cuidadosamente estudados, nos revelará grandiosas verdades divinas.

O cenário apresentado no texto é familiar, Jesus havia acolhido uma multidão, havia curado os enfermos (Mateus 14:14) e acabara de realizar o milagre da multiplicação dos pães (João 6:11-12).

O escritor do Evangelho de Mateus acrescenta que, após um longo dia, Jesus ordena seus discípulos a atravessarem o mar enquanto ele despedia a multidão (Mateus 14:22-23).

Até então não havia nada excepcional, nada de diferente nesta sucessão de eventos, parecia que mais um dia comum do ministério de Cristo se encerrava.

No entanto, não seria uma travessia incomum, uma vez que os discípulos do Senhor eram pescadores experientes, ou parte deles melhor dizendo.

Eles conheciam o mar, conhecia as técnicas de navegação e, creio que em momento algum, desconfiaram que aquela noite ficaria marcada em suas vidas.

O Evangelho de Mateus nos diz que o barco estava no meio do mar quando começou a ser açoitado pelas ondas. Marcos declara que, por causa do vento, eles se cansavam de remar.

Vendo a situação, o Senhor Jesus se dirige a eles a fim de socorrê-los, no entanto, ao contrário de se aliviarem com a presença de Jesus, eles se assustaram, num primeiro momento. Mateus declara que os discípulos gritaram com medo (cap. 14:26).

Marcos enfatiza que eram grandes gritos (cap. 6:49) e João afirma que os discípulos temeram (cap. 6:19).

O mais interessante é que podemos traçar um paralelo com nossa vida cristã.

Muitas vezes nos encontramos em meio a um turbilhão de adversidades, lutas, perseguições ou em meio às consequências de nossos pecados.

Tentamos lutar contra a circunstâncias, procuramos agir e avançar com nossas próprias forças, mas nos esquecemos que deixamos Jesus na praia e partimos em meio ao mar no escuro da noite.

Os discípulos jamais avançariam além do meio do mar, jamais chegariam ao outro lado “…porque o vento era contrário” (Mateus 14:24).

Contudo, eles continuaram seus esforços em uma luta contra uma força e circunstância maior do que eles.

Acredito que, mesmo sendo pescadores experientes, o medo de naufragarem e padecerem naquele mar tempestuoso tenha passado pela mente deles, Jesus não estava no barco, tal como na outra tempestade (Mateus 8:23-27; Marcos 4:35-41; Lucas 8:22-25).

Porém Jesus, ao ver a adversidade de seus apóstolos, caminha em direção deles (Marcos 8:48).

Mas, ao contrário do que se esperava, aqueles homens atemorizados se assustaram, talvez o medo da tempestade tenha impedido que eles reconhecessem ao Senhor de imediato.

O apóstolo João, no entanto, declara que Cristo acalma aqueles homens (v. 20) e eles O recebem em seu barco (v. 21).

Será que não estamos na mesma situação dos discípulos?

Durante nossa caminhada nos encontramos, muitas vezes, em meio ao mar tempestuoso e escuro, nos afastamos de Jesus e confiamos em nossas próprias forças e não reconhecemos que jamais sairemos do lugar.

Estamos prestes a perecer em meio a tempestade e a escuridão e, ao invés de agirmos tal como os discípulos que receberam o Senhor a bordo, nos fechamos para Ele.

Nossa reação é de medo, temor, não conseguimos abrir nosso coração para que Cristo assuma o controle do barco, pois isso implica em abandonar nosso ego, nosso orgulho.

No entanto, escritor aos Hebreus nos orienta:

“Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hebreus 4:7)

E ainda:

“… nunca haja em qualquer de vós um coração mal e infiel, para se apartar do Deus vivo” (Hebreus 3:12)

Muitas vezes não confiamos no Senhor Jesus, pois colocamos o nosso “EU” acima do Seu poder.

Cremos que somos capazes, mas nos esquecemos que sem Ele vamos continuar imersos em trevas, tempestades e angústias.

A melhor e mais sensata escolha é receber ao Senhor Jesus em nosso barco, em nossa vida, deixar que Ele nos leve à terra firme novamente.

Agora lhe pergunto “você vai continuar remando sozinho contra a tempestade ou vai deixar que Jesus assuma o controle e lhe traga a vida abundante”?

A escolha é inteiramente sua…

Fique na Paz de Cristo e que Deus vos abençoe.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, fundador e editor do Euaggelion.

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