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O problema do mal – Série Apologética #04

No último artigo da série “Defenda a Fé Cristã” falamos que, no artigo desta quarta-feira, abordaríamos a complexidade do Universo e de seu papel como o “espelho” que aponta para Deus. Contudo, ainda não finalizamos nossos estudos acerca desta maravilhosa obra do Senhor.

Mas, para não deixarmos de publicar anteciparemos o artigo da próxima semana e trataremos a questão do mal e do sofrimento no Universo criado pelo Senhor. Não necessariamente esta questão se apresenta contra nós apenas pelos argumentos ateístas, todos os cristãos estão sujeitos a questionar-se: porque o mal existe se o Deus que criou o Universo é bom?

Alguém pode lhe questionar se o Apóstolo João declara que Deus criou todas as coisas através do Logos e sem Ele nada do que foi criado se faria? Ou ainda o Apóstolo Paulo não escreve que todas as coisas são dEle, por Ele e para Ele, então o mal provém de Deus?

Não, por certo! Já abordamos várias vezes acerca do problema do mal, em artigos mais antigos aqui no Blog Euaggelion. E, hoje, o faremos novamente.

Poderíamos articular este artigo entorno de argumentos filosóficos acerca do problema do mal, no entanto, apenas nos contentaremos com o infográfico a seguir, nossa articulação será entorno do que a própria Bíblia Sagrada nos apresenta como sendo o cerne do mal e do sofrimento humano.

Lembre-se, no entanto, que embora nossa argumentação não será, em última análise, filosófica nos apropriaremos de conclusões de filósofos cristãos acerca do assunto.

Por que Deus permite o sofrimento?

Somos seres limitados, extremamente limitados, nossa visão e considerações são tomadas com base no escopo ao qual temos acesso. O filme “Você Acredita” apresenta com uma perfeição magnífica nossa pequenez diante de todas as ações humanas e fatos que nos acometem.

Ao final do enredo o narrador compara os propósitos e ações de Deus como um bordado, Deus está trançando todas as linhas enquanto nós observamos a parte de trás da obra, vemos apenas um emaranhado de linhas desconexas e sem sentido, no entanto, na eternidade futura Deus se levantará e nos apresentará a Sua obra final, perfeita, completa e magnífica. Então compreenderemos cada detalhe de nossa vida finita, cada choro, dor e sofrimento.

Mas isso ainda não nos fornece explicação alguma para o problema do mal. Por que Deus permite o sofrimento e o mal neste mundo? Sendo Ele Soberano não poderia criar um mundo onde não existisse mal?

Enquanto escrevia e revisava este artigo me deparei com a trágica notícia de um ataque terrorista na Arena Manchester, após um show, imagens de pessoas apavoradas correndo para se salvarem e imagens de vítimas estendidas no chão corroboraram ainda mais para questionar: Se Deus é bom, porque o mal e o sofrimento existem?

Não poderia Ele poupar a humanidade? Ou proporcionar um mundo onde o mal fosse inexistente? Antes de partimos para a análise em si vamos retornar ao infográfico anterior. Note que destacamos que a questão do mal e sofrimento podem ser analisadas com base no intelecto ou com base na emoção.

A emoção em nada nos auxiliará em nossa busca por respostas, não pense, contudo, que somos frios ou calculistas, pelo contrário, também sinto as dores e angústias tal como qualquer outro ser humano. Porém para nosso estudo devemos exercitar nossa razão, a própria Bíblia Sagrada nos alerta para tomarmos cuidado com nossos sentimentos, uma vez que eles podem nos conduzir a conclusões precipitadas e incoerentes (Jeremias 17:9).

O que um Deus Soberano não pode fazer?

Devemos compreender que, mesmo sendo onipotente, há coisas que Deus não pode fazer. Antes que você me acuse de heresia vamos esclarecer esta afirmação. Por exemplo, Deus não pode mentir, pois Ele é a verdade, Ele não pode mudar (Números 23:19; Malaquias 3:6; Tiago 1:17), não pode cometer pecado, pois é transcendentalmente Santo (Isaías 6:3) e não pode deixar de existir, pois Ele não passou a existir (tal como os demais seres fora da Trindade e todo o Universo físico), mas sempre existiu (acerca disto trataremos com mais detalhes no artigo da próxima semana ao abordarmos a existência do Universo).

Agora vamos inserir a questão apresentada: Por que Deus permite o sofrimento e o mal neste mundo? Sendo Ele Soberano não poderia criar um mundo onde não existisse mal?

Não! Pois uma vez que Ele crie um mundo ou universo onde não existisse sofrimento então, por consequência, Ele criaria um ambiente no qual também não existiria liberdade alguma.

Você pode argumentar: “Mas Deus não poderia criar um mundo onde a liberdade não, necessariamente, exigisse a existência do mal e do sofrimento”? Sim, da mesma maneira que poderíamos desenhar um círculo de três lados ou calcular a área com base na circunferência de um retângulo.

Deus não poderia criar um mundo onde não houvesse mal sem, por consequência, anular a liberdade humana. Todo Universo onde Deus criasse agentes livres então, por consequência, existiria o mal e o sofrimento.

O bem, mesmo que forçado, no final das contas não é bem, mas sim uma tentativa egoísta de se impor algum desejo! E o amor que Deus deseja que nós lhe concedamos não pode ser forçado. Vamos transcrever as palavras do artigo “Em defesa do evangelho: Deus é a origem do mal?”  que retratam a questão pontuada:

Qual é a definição de “amor”? Seria uma expressão de amor forçar algo sobre alguém?

Mesmo que eu ame a alguém e deseje [lhe] impor algo (como resultado deste amor), mesmo que seja bom ou que venha privá-lo de alguma calamidade futura, jamais estarei praticando, de fato, o amor.

E, dado o fato de que vivemos em um mundo com valores morais objetivos (tal como avaliamos no último artigo da série) então, por consequência, também vivemos num mundo onde esses valores podem ser transgredidos pela vontade humana.

Por outro lado, não devemos cair no trágico erro de afirmar que, se Deus não tinha outra opção a não ser criar um mundo com sofrimento, então que não criasse mundo algum. Pode até parecer uma solução humana, afinal o Senhor não teria criado nenhum homem e jamais estaríamos aqui neste mundo sofrendo de todos os males imagináveis.

Contudo, não devemos assumir a prerrogativa de que o mal provocado pela humanidade caída possa, de alguma maneira, impedir o bem que aqueles que temem ao Senhor hão de desfrutar ao Seu lado.

A existência do mal não deve se opor à liberdade que Deus possuí em se regozijar eternamente ao lado daqueles que, humildemente, confiaram em Suas promessas.

“Mas na eternidade futura” – você pode questionar “Seremos livres para pecar tal como somos hoje”?

A liberdade humana e a origem do mal

Vamos esclarecer a questão da liberdade neste mundo e, depois retornaremos à esta questão. A Sagrada Escritura afirma que estamos presos em nossa natureza pecaminosa e que dependemos de Cristo Jesus e do Seu Santo Espírito para nos libertamos dela.

O pecado não é uma demonstração de liberdade, mas sim de alienação e escravidão. Podemos escolher entre o bem e o mal, mas no fim das contas, a partir do momento em que decidimos escolher o mal estamos, na realidade, nos submetendo à escravidão (Romanos 6:16).

Creio que seja necessário que façamos uma breve explanação acerca do livre-arbítrio humano. Por definição, livre-arbítrio é a “Faculdade que o homem tem de escolher ou decidir conforme sua própria vontade, sem que haja condicionamento ou qualquer interferência nessa escolha”.

Enquanto o homem permanece em seu estado caído seu arbítrio está corrompido pelo pecado e o torna incapaz de responder positivamente ao Senhor Deus. O arbítrio humano sem Deus é completamente corrompido e desvirtuado.

Por isso o homem necessita que o Espírito Santo o ilumine, seja através da manifestação da Glória de Deus na natureza (Romanos 1:18), através de um panfleto, louvor, pregação ou até mesmo em sonho ou visões sobrenaturais.

Somente após a iluminação do Espírito Santo e a restituição (mesmo que parcial e momentânea) do arbítrio humano o coração duro e perverso do homem pode responder ao Evangelho, seja positivamente ou não.

“Mas eu me converti sem ouvir nenhuma pregação ou sem Deus se manifestar sobrenaturalmente para mim” – você pode argumentar. Sim, mas ainda assim você não se converteu sem o auxílio e a luz do Espírito Santo.

Você pode não ter tido consciência, naquele momento, que o Santo Espírito de Deus lhe convencia de seu pecado, mas você não veio ao Senhor Deus sozinho! O Espírito Santo lhe iluminou e você respondeu positivamente ao Seu chamado.

Por outro lado, a nova criatura formada através do novo nascimento em Cristo é capaz de provar a liberdade por meio do Espírito Santo de Deus (João 8:36; 2 Coríntios 3:17; Gálatas 5:13).

O mal neste mundo é reflexo da alienação do homem das coisas Sagradas e da Vontade do Senhor Deus. A Palavra de Deus é clara ao afirmar que nEle não há mal algum (1 João 1:5).

É orgulho e leviandade atribuir ao Santo Deus a responsabilidade do mal. No entanto, infelizmente alguns cristãos fazem o desserviço de atribuir ao Senhor Todo-Poderoso tal posição:

“A Bíblia tem mais de uma centena de exemplos que Deus fez o pecado acontecer […] Essa é uma assimetria bíblica maravilhosa, Deus ordena o pecado e o homem é o culpado” (Palmer).

Em momento algum a narrativa bíblica atribui a rebelião ou o pecado outro ser além de Satanás e o homem.

É uma afronta, uma blasfêmia, atribuir ao Santo Deus toda a perversidade humana, toda crueldade e iniquidade.

Se achamos deplorável uma criança cometer um erro e acusar o colega por sua falha, por que aceitaríamos o fato de que Deus cria o pecado e culpa o homem? Como confiar em um deus assim?

Na realidade esse deus não existe em nenhum lugar do Universo a não ser nos escritos agostinianos e calvinistas.

O pecado é a raiz de todo o mal e sofrimento humano, de toda moléstia e miséria que se abate à humanidade, conforme tratamos no tópico anterior. Mas o que dizer das dezenas de catástrofes naturais e os acidentes? É fácil atribuir à responsabilidade humanas as guerras, abusos e egoísmo, mas quando o sofrimento foge do âmbito de atuação humana então temos que lidar com uma questão mais profunda, Deus o criador da natureza.

Vamos separar nossa argumentação em alguns níveis diferentes: pecado, homem e demônios. Por catástrofe queremos dizer à toda forma de acontecimentos desastrosos ocasionados tanto pela natureza quanto por acidentes e ações humanas.

Catástrofes causadas pelo pecado

“E a Adão disse: Porquanto destes ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo” (Gênesis 3:17,18)

O resultado imediato da entrada do pecado no mundo criado por Deus foi a maldição derramada em nosso planeta. “… maldita é a terra por causa de ti”. Percebam que não foi Deus que amaldiçoou a Terra, mas o próprio homem. O mesmo declara o profeta Jeremias, “Até quando lamentará a terra, e se secará a erva de todo o campo? Pela maldade dos que habitam nela, perecem os animais e as aves; porquanto dizem: Ele não verá o nosso fim” (Jeremias 12:4).

O Senhor apenas declara o trágico resultado do pecado humano, a maldição e sofrimento no mundo debaixo do sol. Ao entrar no mundo o pecado desestabilizou a criação de Deus. Por causa da transgressão humana as mãos poderosas do Senhor que estavam repousadas sobre o homem e a mulher no Éden para guarda-los e abençoá-los foram retiradas.

Todas as doenças, desastres naturais e sofrimentos humanos são resultados do fato de Deus ter removido a Sua proteção que havia no mundo antes da queda. Os elementos químicos, físicos e biológicos estão em degradação, pois o Senhor não os sustenta tal como no universo descrito no relato do Gênesis 1 e 2.

Catástrofes causadas pelo homem

Pense no maior número de catástrofes naturais que você conseguir. Pois bem, uma grande parcela delas tem relação direta à ação humana. Nos últimos dois séculos o mundo tem passado por modificações dramáticas, as Revoluções Industriais modificaram drasticamente a vida humana e ainda hoje nos deparamos com extensas evoluções tecnológicas.

Agora pare por um momento e pense, dois séculos intensos de poluição, devastação de florestas, exploração irreverente dos recursos naturais, massificação da produção e, por consequência, alto volume de resíduos descartados na natureza, some tudo isso ao uso cada vez mais intensificado de elementos químicos, muitos deles terrivelmente nocivos, em todas as atividades humanas (desde na produção de alimentos até na confecção de aparelhos eletrônicos).

Qual o resultado? Especialistas afirma que o nosso planeta está aquecendo cada vez mais, e de fato percebemos isso, no entanto, não foi Deus que ligou o aquecedor terrestre.

Pelo contrário, o aquecimento global é resultado da irreverente ação humana, quantas chuvas torrenciais, deslizamentos de terra, inundações e mortes poderiam ter sido evitados se não tivéssemos agredido o planeta desta maneira? Creio que milhões!

Não entenda, no entanto, que sou contra o desenvolvimento humano, em muitos aspectos ele é extremamente benéfico à nossa raça. O que estou propondo é uma avaliação mais fria de todo o sofrimento neste mundo. Boa parcela dele é fruto direto de nossas ações!

Quantas doenças teríamos evitado se não aderíssemos ao estilo de vida estressante das grandes cidades? Ou quantas pessoas ainda estariam vivas se o sedentarismo e uma vida desregrada fossem evitados?

Nós mesmos provocamos o desajuste do planeta e, consequentemente, causamos o sofrimento de nossos semelhantes.

Foi o homem, e não Deus, que explorou a África até retirar, deste continente tão rico, todos os recursos abandonando- a à sua própria sorte, foi o homem que lançou as bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki perpetuando até hoje a má formação genética e os casos de câncer dos descendentes dos sobreviventes em virtude disso, foi o homem que destruiu os leitos dos rios e não respeitou os limites colocados por Deus para as cheias, foi o homem que formou grandes centros urbanos desregulando, desta maneira, o microclima e interferindo na qualidade de vida e saúde de seus habitantes.

Boa parte do sofrimento humano é fruto da própria ação humana. Foi o homem que destruiu seu próprio planeta! E porque Deus seria o responsável pelas consequências de nossas ações irreverentes?

Além das catástrofes naturais provocadas pela ação humana, temos também catástrofes relacionadas à acidentes, às ações inconsequentes e despreocupadas dos homens.

Quantos homens não assumem o volante embriagados mesmo possuindo a consciência de que não possuem a capacidade cognitiva para isso? Quantos políticos ou autoridades não menosprezam a segurança e a vida de famílias menos favorecidas que habitam em regiões suscetíveis à acidentes?

Poderíamos apresentar uma infindável lista de ações humanas cujo resultado final é o sofrimento de sua própria espécie. Mas, por enquanto, vamos considerar apenas estes pontos.

Catástrofes causadas por demônios

Dada a existência de Deus e a veracidade bíblica então, por consequência, devemos assumir o fato de que demônios também existem. E porque não poderíamos considerar que catástrofes, sejam naturais ou não, também não possam ser fruto da atividade demoníaca na Terra.

Não estamos atribuindo toda catástrofe às entidades demoníacas, contudo, não podemos sobrepujar a existência e atuação destes seres e a sua luta contra a raça humana.

A palavra de Deus declara “…o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pedro 5:8). O alvo do inimigo de nossas almas não é apenas desviar os servos do Senhor do Caminho da Salvação, mas também destruir todos os homens possíveis. E ele não brinca nisto!

Para tanto é completamente possível e plausível que ele se arme de meios para isso. Seja através de alguma atuação na natureza ou através de alguma atuação nas mentes humanas.

“Que tolice, você quer que eu acredite que os demônios brincam de carrinho de topada com as placas tectônicas”? – Alguém pode argumentar.

Não, necessariamente, embora não negue a possibilidade de Satanás agir através das forças naturais com o propósito de destruir o homem.

Mas tome como um desastre sem precedentes: o Holocausto (repetindo que estamos considerando como “catástrofe” e “desastre” toda ação humana que cause grande impacto negativo sobre a nossa espécie e as convulsões naturais, tais como inundações, terremotos e furacões).

Quão demoníaca foi a mente que arquitetou e executou este plano deplorável de eliminar crianças, homens e mulheres, em sua grande maioria judeus, sem a mais mísera demonstração de empatia e misericórdia?

Dado o fato de que o homem sem Deus está entregue à suas próprias paixões e concupiscências não é de se surpreender que o diabo, se aproveitado do estado caído do homem, se aproprie de suas capacidades cognitivas para destruir o maior número possível de vidas. Além disso, uma vez que o homem sem Deus é um alvo fácil nas garras do diabo, podemos considerar como plausível a possibilidade dele se armar também de artifícios naturais para tragar o maior número possível de vidas.

O problema do sofrimento e nossa liberdade na eternidade futura

Feita a breve explanação, vamos tratar da nossa liberdade nos céus. Na eternidade futura experimentaremos o que é ser, realmente, livres. Não pecaremos, pois, nossa natureza será para todo sempre, arrancada do pecado e ligada ao Senhor Deus tal como pequenos fragmentos de ferro são atraídos por um forte imã. Nada nos poderá separar dEle!

Além disso devemos compreender que a eternidade pronunciada pelas Sagradas Escrituras não diz respeito à simplesmente outra realidade ou outra vida, mas sim à consumação de todo o propósito eterno de Deus. Deus planejou seu Reino eterno e, uma vez cumpridos todos os requisitos para sua fundação, nada poderá pelejar contra ele.

Conforme dissemos, o sofrimento neste mundo pode ser, de alguma maneira, um “mal necessário” para que a humanidade alcance a eterna alegria ao lado de Deus ao reconhecer que diante das misérias que se abatem aos homens dependemos, única e exclusivamente, dEle.

Não estamos em posição para avaliar todas as condicionantes deste universo e como elas cooperam para que a vontade de Deus, ao final de tudo, seja cumprida. Todas as coisas contribuem para o bem eterno dos servos de Deus mesmo que neste mundo possa parecer que suas vidas possuem apenas sofrimento e dor (Romanos 8:28).

Quais são as garantias de que o sofrimento aqui observado e, muitas vezes, aparentemente sem propósito algum não produza, na eternidade, algum fruto de felicidade e glória indizíveis?

Não estamos negando a seriedade e gravidade do sofrimento humano. O próprio Paulo enfrentou dezenas de adversidades terríveis e cruéis, ele foi perseguido por judeus, gentios e falsos cristãos, foi apedrejado, açoitado, passou fome, frio, tribulações, naufragou três vezes e em uma delas ficou um dia e uma noite à deriva no mar, enfrentou todas as lutas físicas, espirituais e emocionais, mas ao final de tudo, declarou “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Coríntios 4:17).

A eternidade é o alvo mais desejado de todos os cristãos, será o ponto final da história humana e o início do Reino de Deus. A eternidade nos fornece esperança e respostas para o problema do mal.

Todos aqueles que sofreram de alguma forma e se aproximaram em humildade ao Senhor durante este breve período de sofrimento serão consolados pelo próprio Deus e todo homem responsável pelas crueldades aqui praticadas será, justa e eternamente, condenado pelo Senhor.

“No final, as recompensas e as punições divinas farão mais do que o suficiente para compensar o que temos sofrido aqui” (Lane Craig).

O problema do sofrimento nos parece insolúvel se olharmos a nossa vida como sendo o meio pelo qual devemos alcançar a felicidade. O problema central é que a humanidade acredita que devemos alcançar o prazer e felicidade a qualquer custo e que Deus, sendo bom, deve prove-los.

“A vida é curta, por isso aproveite” – é o jargão clássico.

No entanto, o objetivo último do homem não é alcançar a felicidade ou o prazer pessoal, mas sim o conhecimento de Deus e, em algumas vezes, esse conhecimento requer sofrimento pessoal, dores e angústias.

Precisamos ser polidos, precisamos ser ensinados por Deus. Tome como exemplo Jó, sem suas adversidades ele jamais poderia declarar, ao final de sua prova, “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos” (Jó 42:5).

Se alcançarmos tudo o que desejarmos seremos imaturos, se não sofrermos jamais seremos capazes de amadurecer na fé e de crescer como homens e mulheres de Deus. Podemos comparar esta vida à uma antecâmara escura e apertada diante de um majestoso salão, as dores e os sofrimentos enfrentados para passar por ela serão completamente esquecidos ao adentrarmos nos portões da glória eterna.

No entanto, mesmo que nenhum sofrimento neste mundo tenha um propósito específico, como conscientizar a humanidade de sua responsabilidade em compartilhar do sofrimento alheio e auxiliar ao seu próximo, devemos considerar que ele terá um objetivo eterno.

“Mas e se alguma pessoa que sofreu terríveis adversidades e jamais serviu ao Senhor morrer ela sofrerá eternamente também? Isso não seria injusto, sofrer nesta vida e na outra”? – você pode questionar.

Primeiro não estamos em posição para questionar a salvação de ninguém. Ao morrer o corpo retorna para a terra, de onde veio, o espírito (fôlego de vida) volta para Deus que o deu e a alma o Senhor julgará se irá para o inferno ou para o céu. Isso nos apresenta o fato de que, no último fôlego de vida, a questão está entre Deus e a pessoa. Entre o criador e a criatura.

No entanto, consideremos que tal pessoa rejeite ao Senhor em seus últimos instantes, sim, ela estará para todo sempre longe de Deus no lugar referido na Bíblia Sagrada como inferno.

Pense comigo, seria completamente injusto Deus obrigar alguém, mesmo que tenho sofrido vida inteira, a passar toda a eternidade ao Seu lado contra sua própria vontade.

Considerações finais

Creio que brevemente conseguimos apresentar a real origem do mal e do sofrimento, o pecado humano, e como Deus pode, através do sofrimento moldar o homem para a eternidade.

Embora o artigo tenha ficado, em excesso, extenso creio que o assunto não está fechado. Sinta-se à vontade para deixar seus comentários e opiniões.

Que Deus vos abençoe, fique na Paz de Cristo Jesus.