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Que Deus é esse que ama alguém como eu?

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16)

Na última semana, enquanto lia a obra “Eleitos no Filho” escrito por Robert Shank me deparei, em determinado momento, com o questionamento: “Que Deus é esse que ama alguém como eu”?

Talvez você nunca tenha dedicado um tempo para refletir acerca do amor de Deus e de suas implicações sobre a Pessoa Eterna do Senhor.

E, hoje, dedicaremos este tempo!

Deus amou o mundo

O versículo áureo da Bíblia Sagrada expressa a grandiosidade do amor do Senhor:

“… Deus amou o mundo…”

Devemos voltar ao início, ao Gênesis, para conseguirmos compreender, de fato, o porquê deste amor tão sublime do Senhor para com a Sua criação.

“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto” (Gênesis 1:31)

Deus cria todas as coisas, forma cada elemento do nosso Universo na precisão necessária para que a vida encontrasse as condições ideais de se desenvolver.

Ele prepara a Terra separando a porção seca das águas (v. 9), planta a vegetação (v. 11-12), povoa a superfície terrestre de vida (v. 20-25) e, por fim, o Senhor cria a coroa da criação, o homem.

O livro do Gênesis destaca que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, Ele nos comunicou de Seus atributos morais, nos deu a mais elevada capacidade cognitiva dentre todas as espécies.

“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (v. 27)

Tudo que Deus havia criado era bom. Pare e pense por um instante a grandiosidade deste Deus.

Ele não organizou o Universo, Ele criou o Universo. A astronomia moderna, após décadas de estudos, descobriu que o Universo está, dia após dia, se expandindo.

Isso implica que não apenas o espaço está aumentando, mas também o tempo. A medida que o Universo se expande, o espaço e o tempo também se expandem.

Deus, ao criar o Universo, cria tanto o espaço quanto o tempo. Como seres humanos podemos organizar o espaço, mas não podemos dominar o tempo, administra-lo sim, mas controla-lo não!

Deus controla o tanto o tempo quanto o espaço e os moldou na forma que conhecemos hoje.

Não vamos nos aprofundar neste assunto hoje, mas nos próximos artigos da série “Defenda a fé cristã” falaremos, novamente, acerca da criação do Universo e de sua extrema complexidade.

O Senhor criou todas as coisas, você pode então se questionar:

“Se Deus criou tudo, conforme está escrito em João 1:3, então o pecado também foi criado por Ele”?

Não! Em termos práticos o pecado e, por consequência, o mal, não foram criados sob o conceito expresso nos primeiros versículos de João 1.

Ao afirmar que todas as coisas foram feitas é evidente que João tem em mente o Universo físico, o Universo temporal criado por Deus.

O conceito de logos apresentado por João, e que está intimamente ligado com o conceito da criação por ele apresentado, se difere do conceito estoico de que o logos “… era a ‘força’ que dava origem a todas as coisas, permeava-as e dirigia- as” (p. 212).

Seria válido atribuir a Deus a responsabilidade do mal e pecado se a afirmação de João fosse permeada pelo pensamento estoico, a premissa base para o panteísmo.

Contudo deve-se considerar que:

“Ele [João] não explica o termo logos, presumindo, aparentemente, que seus leitores entendiam a noção. É provável que leitores gregos pensassem que ele se referia ao princípio racional que guia o universo e ficariam chocados ao descobrir que esse logos não só foi personificado, como também encarnou (Jo 1:14)” [1]

Ao se referir ao Logos que criou todas as coisas, o Apóstolo João traça um paralelo com Gênesis, o princípio da Criação de Deus a qual o próprio Senhor declarou que era boa.

O pecado, portanto, não está no escopo da criação, na realidade, ele é uma torção da criação do Senhor.

Tudo que Deus fez, no princípio, era bom, puro e perfeito. O estado das coisas era muito diferente do estado que conhecemos hoje.

Agora tendo em vista um Deus poderoso (a ponto de criar o tempo/espaço) e um Deus bondoso e amoroso encontramos o pano de fundo para compreender João 3:16.

A humanidade se afastou de Deus, virou as costas para Ele.

O próprio homem construiu uma barreira entre si e o Senhor, foi o homem que colocou o pecado no Universo puro do Senhor.

Contudo, “Deus amou o mundo de tal maneira […]”, o amor do Senhor é imensurável, é ilimitado e suficiente para todos os homens (Ezequiel 18:23; 1 Timóteo 2:4; Tito 2:11).

Será que compreendemos esse amor? Você já parou para refletir acerca das implicações do amor de Deus?

Ele jamais poderia salvar a humanidade, mesmo a amando, sem um balizador pelo qual sua santidade e integridade moral não fossem violados.

No entanto, em Jesus o Senhor Deus tem o padrão no qual Ele pode justificar aqueles que creem nEle e, ainda assim, permanecer íntegro.

“Na mesma arena em que o primeiro homem fora derrotado pelo pecado, o segundo Homem, tentado em todos os pontos que os homens são tentados, venceu o pecado por Seu próprio mérito, e tendo-o vencido, aceitou-o como sendo Seu, morreu debaixo da justa penalidade que Ele requer e o venceu para sempre em favor dos homens […] Cristo Se tornou, Ele próprio, o fundamento pelo qual Deus é justo e o justificador de todos os que creem em Jesus” [2]

Deus amou o mundo a tal ponto que entregou Jesus para ser sacrificado. E Jesus, sendo Deus, se humilhou, encarnou sob a forma de Sua própria criação, assumiu para toda eternidade futura a posição de Filho de Deus e, por fim, morreu para pagar o preço do pecado que jamais cometeu.

“[…] Jesus agiu de maneira completamente voluntária em Sua morte e no entregar de Sua vida, por Sua própria livre escolha” [3]

É utópico pensar que Jesus Cristo era obrigado a morrer para nos salvar, pelo contrário, Deus seria eternamente justo se nos deixasse pagar pelo preço de nossas transgressões.

“O Pai escolheu que o Filho deveria morrer e o entregou à morte… Mas apenas sob a condição de que o Filho pudesse escolher morrer” [4]

Leiamos Mateus 26:52-54:

“Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão. Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?”

Ao declarar que poderia rogar ao Pai doze legiões de anjos para O livrar, Jesus coloca em questão que Ele, por Sua própria vontade, desejou se submeter aos planos traçados, na eternidade passada, ao lado do Pai.

Se Ele escolhesse o contrário, no entanto, jamais poderíamos alcançar a Salvação e, diante de ambas as alternativas, Cristo Jesus coloca seu amor pela humanidade a frente dos sofrimentos que O aguardavam.

Já imaginou morrer por pecadores sendo Santo, morrer por iníquos sendo Justo e pagar pelo pecado sendo inocente?

Pois bem, esta foi a implicação do amor de Deus, um amor tal que venceu todas as possíveis barreiras para garantir, à humanidade caída, um meio de se reconciliar novamente com seu Criador.

Após este breve panorama lhe faço, novamente, a pergunta “Que Deus é esse que ama alguém como eu?”

A resposta (por mais simples que seja jamais expressará toda a verdade) é “O Único Deus Todo Poderoso”

E você, o ama também?

Fique na Paz de Cristo Jesus e que Deus lhe abençoe.

Referências:

[1] ZUCK, R. B. (Ed.) Teologia do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

[2] SHANK, Robert. Eleitos no Filho – Um estudo da doutrina da eleição. Tradução de Vinicius Couto e Glória Hefzibá. 1. ed. São Paulo: Editora Reflexão, 2015. p. 64.

[3] Ibid. p. 66.

[3] Ibid. p. 66.