with Nenhum comentário

Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus (Apocalipse 21:3)

 

A simplicidade do Evangelho

O Evangelho de Jesus… O artigo desta segunda será bem breve, mas procurarei transmitir algumas reflexões que me acompanham há algum tempo.

Sabemos de nosso estado caído, de nossa depravação moral e espiritual. Sabemos que o homem sem Deus caminha para sua própria destruição e ruína.

A Bíblia Sagrada não nos dá bons indicativos acerca de nossa natureza pecaminosa e do estado deplorável que o homem se encontra.

Contudo, na mesma medida que ela aponta para nossa fraqueza, em contrapartida, ela aponta para a graça de Deus.

Às vezes paro para pensar acerca da gloriosa simplicidade do Evangelho de Jesus Cristo.

Estávamos caídos em pecado, longe de Deus, mas o Senhor em Sua infinita misericórdia nos providenciou a salvação, enviou Jesus para morrer pelos nossos pecados e, por causa do sacrifício de Cristo, podemos ter uma vida completamente nova nEle.

Tudo se resume em uma única palavra: amor.

O amor de Deus é o cerne do Evangelho de Jesus Cristo.

De fato, a simplicidade do Evangelho é tamanha que, muitas vezes, nós procuramos complica-lo.

Criamos sistemas dogmáticos, ritos e ritualismos, classificamos os cristãos com base em suas visões e entendimentos soteriológicos, atribuímos “mistérios” a Deus que não deveríamos atribuir enfim, complicamos aquilo que deveria ser simples.

David Gooding e John Lennox, em seu livro “A Definição do Cristianismo” escrevem que a base elementar da pregação na Igreja Primitiva era Cristo e sua obra.

“O que os transformou? Não foi um novo discernimento sobre o valor dos ensinamentos éticos de Cristo. Foi sua ressurreição”

Veja como o Evangelho é simples!

Bom demais para ser verdade?

Mas qual a necessidade de relembrarmos da simplicidade do Evangelho?

Quando lemos a narrativa bíblica, o poder regenerador do Evangelho e a bendita esperança de uma vida eterna, ao lado de Deus, somos confrontados não apenas com uma indescritível demonstração de graça e amor, mas também a simplicidade de Deus nos demonstra como somos de “dura cerviz”.

Pense comigo, tudo o que Deus exige do homem é uma fé sincera no sacrifício de Jesus Cristo e, mesmo assim, milhões e milhões de almas caminham para uma eternidade de sofrimento.

Não seria muito mais simples, muito mais fácil abraçar esse amor eterno?

No entanto, a mente humana está tão preocupada com as coisas efêmeras que o eterno e as promessas contidas nas Escrituras se tornam “boas demais para serem verdadeiras”.

De fato, quando algo parece prometer mais do que vale então é normal ficarmos com “um pé atrás”.

E se colocarmos o Evangelho diante de uma análise fria?

O Evangelho basicamente consiste em um único elemento: Jesus Cristo. O requisito da salvação parte unicamente de uma premissa: pela graça através da fé.

Se unirmos ambas as premissas temos o elemento central das boas novas: a salvação pela graça através da fé em Jesus Cristo.

Agora, se este é o elemento central, então seria lógico dizermos que para o homem ser salvo então ele necessitaria apenas crer em Jesus, simples assim.

E, por outro lado, Deus lhe garante uma eternidade de alegria e paz, pois o todo preço já foi pago.

É maravilhoso, mas racionalmente parece ser uma furada. Uma eternidade de alegria condicionada apenas ao ato de crer!?

Sim! A questão se encontra exatamente aqui.

Semana passada abordamos a questão e necessidade de termos uma fé dinâmica, na realidade, o pivô central da salvação está na fé.

O maior entrave para um ímpio crer em Cristo não está nas aparentes contradições da Bíblia Sagrada, ou nos textos difíceis do Antigo Testamento ou ainda nas narrativas dos milagres de Cristo.

O maior entrave é deixar toda a necessidade de manifestações palpáveis e depositar a confiança em Cristo.

Não temos dificuldade para crer em suposições humanas, depositamos nossa confiança na palavra de outro, acreditamos que nosso país pode melhorar, ainda acreditamos que há bons homens mesmo com a crueldade crescente, confiamos em muitas posições que a ciência nos diz sem ter certeza absoluta dos fatos, dentre inúmeras outras demonstrações de “fé”.

Não que isso seja ruim, pelo contrário, parte da vida humana se baseia, em certo sentido, em crer, em confiar que algo seja verdadeiro.

Fé dinâmica

Mas então qual a dificuldade de crermos que, de fato, vamos viver com Deus eternamente?

Se cremos em tantas coisas todos os dias, e muitas delas não passam de embustes, por que o Evangelho é tão repudiado?

Como disse anteriormente, o problema não se encontra na veracidade da Bíblia Sagrada, a arqueologia, o estudo histórico minucioso e a filosofia cristã aliada à apologética nos mostra isso muito bem, mas sim na altivez humana.

Pois para desenvolvermos uma fé dinâmica devemos colocar o nosso eu de lado e confiar o controle de nossas vidas a Deus.

A grande maioria da humanidade não está disposta a entregar a direção de sua vida ao Senhor.
Este é o problema!

O homem culpa Deus pelas calamidades de seu mundo, pois entende que sua existência deve ser permeada de realizações pessoais.

No entanto, o objetivo e propósito central de Deus para o homem não é que este alcance bem-estar, mas sim o conhecimento de Sua Pessoa.

Ao mesmo tempo que o Evangelho parece ser uma fraude por se estruturar basicamente em um único pilar (a salvação pela graça através da fé em Jesus Cristo) enquanto oferece um benefício excessivamente grande, do outro ele se coloca como uma afronta para o homem.

Pois, mesmo que todo o mérito repouse apenas na Pessoa de Cristo, devemos ter a consciência de que a fé nos exige renúncia pessoal.

E em uma sociedade narcisista, amantes de si mesmo e adoradora do “espelho mágico digital” renunciar seu próprio ego torna-se um suicídio.

Me angustio pelo fato de que, infelizmente, a grande maioria jamais irá acordar para desfrutar da maravilhosa esperança de um dia habitar com Deus na Jerusalém Eterna.

Minha oração é que você não apenas creia no Evangelho, mas também seja um porta voz das boas novas. E lembre-se, a bendita esperança não é boa demais para ser verdade, ela é uma verdade boa demais.

Que Deus vos abençoe, fique na Paz de Cristo Jesus.

Jamil Filho
Seguir Jamil Filho:

Editor

Servo de Cristo Jesus, proclamador das Boas Novas, fundador e editor do Blog Euaggelion.

Jamil Filho
Últimos Posts de