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Você tem certeza do que prega?

Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós. (1 Tessalonicenses 1:5)

O Evangelho de Deus, poder para salvação e loucura para o mundo.

Nos últimos anos presenciamos um crescimento vertiginoso da fé cristã, mas lhe pergunto, qual o real impacto da presença evangélica em meio à nossa sociedade?

Não vamos avaliar a postura dos “profetas” e “apóstolos” de nosso tempo, pelo contrário, vamos refletir acerca de nossa própria vida crista.

O contexto da carta de Paulo

Estima-se que a carta de Paulo à Igreja de Tessalônica tenha sido escrita por volta do ano 50 d.C.

Em um contexto de perseguição, hostilidade e repúdio à fé cristã.

Roma perseguia aos cristãos, pois estes se recusavam a venerar seus imperadores, os judeus os perseguia, pois era inconcebível que o Deus de Abraão fosse o Pai de um Messias que pregara doutrinas diametralmente opostas aos dogmas e tradições judaicas.

Aliado a isso havia também dezenas de movimentos internos na Igreja Primitiva que questionava e atacava os pilares elementares da fé cristã como, por exemplo, os gnósticos.

Em períodos turbulentos é comum surgirem questionamentos acerca de alguns pontos de nossas convicções, princípios e conjuntos de fé.

No entanto, embora até certo ponto seja aceitável a dúvida, uma vez que ela nos leva a buscar mais conhecimento acerca das coisas espirituais, devemos ter consciência que, em doses mais elevadas, ela não apenas pode estagnar nossa vida cristã, mas também comprometer todo um ministério

Em muita certeza

… o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também […] em muita certeza.

O Apóstolo Paulo sabia que, frente às perseguições e movimentos contrários à fé cristã, os ouvintes do evangelho necessitavam não de um discurso intelectual e teológico, mas sim de uma pregação carregada de certeza e fé.

Não sou contra a teologia, pelo contrário, assim como A. W. Tozer, eu afirmo que não existe nenhum crente útil que não seja um estudante das Escrituras Sagradas.

O que estou destacando é a necessidade urgente de aliarmos o estudo e o conhecimento intelectual das Escrituras Sagradas ao poder do Evangelho manifesto através do Espírito Santo.

Uma pregação sem poder e autoridade do Espírito Santo é apenas um discurso teológico ou filosófico.

Os cristãos de Tessalônica não necessitavam de tratados ou ensaios filosóficos, não era o entendimento da filosofia patrística que iria lhes fornecer sólido subsídio diante das feras no Coliseu.

Na última semana falamos acerca da fé dinâmica e, hoje, podemos reafirmar que o Evangelho não floresce e frutifica quando colocamos o homem em primeiro lugar, mas sim quando confiamos e entronizamos Deus.

Eu sou fascinado por apologética, estudos e tratados filosóficos da fé cristã, ensaios acerca da mecânica da salvação etc., mas eu sei que o exercício intelectual, inclusive a teologia, é uma tentativa humana em compreender algo maior e, em muitos casos, trata-se de uma tentativa falha.

Não podemos reduzir a pregação do evangelho em palestras sobre o que John Wesley, João Calvino, Sproul, A. W. Tozer, John MacArthur, C. S. Lewis ou Lutero pensavam e diziam.

Tais considerações são úteis para nosso crescimento individual como estudantes da Bíblia Sagrada.

Mas na pregação devemos falar única e exclusivamente de Deus, de Jesus e do Santo Espírito.

Caso contrário estaremos falando apenas a nível mental, intelectual e o evangelho deve ser vivido, deve ser praticado. A fé deve ser dinâmica, se não vivo o evangelho como posso ter certeza daquilo que prego?

Viva, pregue e tenha certeza do Evangelho

Se existir alguma discrepância entre minha vida, meus pensamentos, desejos e ações com o evangelho que prego então, infelizmente, não tenho certeza se, de fato, eu creio em Deus, em Sua Palavra ou em Jesus Cristo como único mediador, ou pior, meu discurso é apenas um falatório intelectual e mental.

Se minha vida não corresponde ao evangelho que anuncio então como posso transmitir a certeza da salvação para os outros?

Percebam que a certeza da pregação não está ligada à minha retórica ou ao meu conhecimento, mas sim ao meu comprometimento com o Espírito Santo.

Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo… (1 Tessalonicenses 1:5)

Se não vivo o evangelho, não agrado ao Espírito Santo que, por sua vez, se apartará de minha vida e, por consequência, qual certeza terei acerca das coisas eternas?

Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. (Hebreus 6:4-6)

Note que o escritor aos Hebreus apresenta a gravidade da posição em que se encontra a alma daquele que repudia o evangelho, como poder de Deus, constantemente.

Ele trata daqueles que, após serem iluminados pelo Espírito Santo, provando da salvação de Cristo, retornam ao seu estado caído de pecado.

Vivemos dias turbulentos, dias instáveis, a Terra cambaleia como um bêbado (Isaías 24:20; Lucas 21:11), os homens se entregam à iniquidade (2 Timóteo 3:1-9) e as nações se levantam para a guerra (Lucas 21:10).

Se faz extremamente necessário, em nossos dias, a presença de homens e mulheres que possuam a mesma certeza que o Apóstolo Paulo, servos de Deus que vivem o que pregam e pregam o que vivem.

E você, tem absoluta certeza do que prega?

Que Deus lhes abençoe, fique na Paz de Cristo Jesus.