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A Candeia - Série: As Parábolas de Jesus

Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Mateus 5:14-16

Notas Introdutórias

Iniciamos hoje a Série "As Parábolas de Jesus" na qual abordaremos os ensinos extraídos das parábolas do Senhor e sua aplicação em nossos dias.

Serão um total de vinte e sete estudos acerca dos maravilhosos ensinos do Mestre, ressalta-se, contudo, que não estudaremos todas as parábolas, mas apenas algumas que selecionamos e que, nestes próximos dias, nos ensinarão as verdades do Reino de Deus.

O Contexto

A Parábola da Candeia está inserida na segunda parte do Sermão da Montanha. Mateus dedica três capítulos inteiros ao maior sermão de Cristo Jesus.

Na primeira parte o Senhor Jesus apresenta as beatitudes (vv. 1-12), Ele descreve as características e ações esperadas em Seus discípulos.

Esta introdução se faz necessária uma vez que somente aqueles que desenvolvem, com o auxílio do Espírito Santo, todas as beatitudes tornam-se capazes de, não apenas assimilar, mas também praticar os ensinos e mandamentos apresentados no Sermão da Montanha.

A Estrutura da Parábola

Mateus simplifica a Parábola de Cristo em três pontos principais:

  1. Os crentes são a luz do mundo (v. 14a);
  2. Não se pode esconder a Luz de Cristo (vv. 14b – 15) e;
  3. Os crentes devem resplandecer a luz para a Glória do Senhor Deus (v. 16).

Os textos de Marcos 4:21-25 e Lucas 8:16-18 acrescentam mais dois pontos à parábola:

  1. Nada que está em oculto permanece encoberto (Marcos 4:22; Lucas 8:17) e;
  2. Aquilo que é dado ao crente lhe será cobrado (Marcos 4:25; Lucas 8:18).

Cristo, em primeiro lugar, busca apresentar o papel do cristão neste mundo. Ele traça a missão do crente frente ao mundo caído, assegura que não lhe é possível esconder sua identidade de servo do Reino e, por fim, assevera quanto a sua responsabilidade em nutrir e aperfeiçoar uma comunhão sincera com Ele.

Aplicação prática

O Senhor, da mesma maneira que declara “... eu sou a luz do mundo...” (João 8:12) também afirma que seus discípulos são a luz do mundo (Mateus 5:14).

É importante ressaltar que, em momento algum, o ensino de Cristo Jesus aponta ou apresenta o crente como a fonte primária da luz.

Da mesma maneira que o Senhor declara ser a luz do mundo, Ele também afirma que aquele que O segue não permanece em trevas “[...] mas terá a luz da vida” (João 8:12).

Em João 8:31 Cristo assegura que a obediência à Sua Palavra é de extrema importância para a permanência do crente em Sua luz.

Todos aqueles que obedecem aos mandamentos de Cristo permanecem também em sua luz e, por andarem na luz de seu Senhor, iluminam o mundo e glorificam ao Nome do Senhor com suas obras (Mateus 5:16).

Jesus articula seu ensino entorno da postura esperada na vida de Seus discípulos:

  1. Se estamos na luz não podemos escondê-la, e;
  2. Ao resplandecer, demonstramos que servimos e seguimos a Cristo.

A seriedade do ensino de Jesus nos é apresentada em Marcos 4:22-25 e em Lucas 8:17-18. O Senhor declara que as obras feitas em oculto não permanecerão em segredo.

É importante ressaltarmos que, no contexto da parábola, o Senhor não está se referindo às obras de Mateus 6:1-6 que devem ser feitas em segredo. Pelo contrário, aqui Ele aponta para as obras que aborrecem à luz (João 3:20-21), senão não existiria esta dicotomia entre revelar (Lucas 8:21) e ocultar (Lucas 8:22).

Os crentes não temem em expor suas obras cotidianas ou suas próprias vidas, pois suas obras são praticadas na luz de Cristo.

Aqueles que se “camuflam” no mundo estão indicando, na realidade, que seus desejos não estão alinhados aos propósitos e mandamentos do Reino dos Céus. Pois o crente verdadeiro não pode/consegue esconder Cristo diante dos olhos do mundo.

A afirmação enfática de Cristo “... ao que tem, ser-lhe-á dado; e ao que não tem, até o que tem lhe será tirado” (Marcos 4:25; Lucas 8:18) encerra este raciocínio de que o cristão deve permanecer nos mandamentos de seu Mestre à medida que caminha na luz.

Não encontramos nesta afirmação de Cristo a ideia de um “agir injusto” da parte de Deus em exigir algo daquele que não tem e, ao que tem, agir com benevolência.

Corroborando com o que Cristo declara em João 8:31 e 14:21, 23-24, esta aparente contradição nos apresenta, na realidade, a maravilhosa graça do Senhor Deus.

  1. “Ao que tiver lhe será dado”: à medida que o crente caminha ao lado de Cristo e nutre um amor sincero e verdadeiro por Ele os seus mandamentos tornam-se leves e prazerosos (Mateus 11:29-30; 1 João 5:3). E, ao obedecê-los, o cristão se aproxima cada vez mais de seu Senhor e, continuamente, o próprio Deus lhe concede de Suas bênçãos espirituais;

  2. “Qualquer que não tiver”: todo crente deve estar alerta para o real risco de apostasia. Todo servo de Cristo que deixa de expor suas obras à luz de seu Senhor e as esconde debaixo do “alqueire” corre um sério risco de perder aquilo que perece ter.

O crescimento e/ou declínio da fé está intimamente relacionado ao comprometimento do crente ao seu Senhor e sua fidelidade à Palavra.

Todo aquele que não nutre um amor e obediência sinceros aos mandamentos do Senhor, mas permanece em uma vida ambígua, ora na Presença de Deus, ora no mundo, corre o sério risco de “... até o que parece ter lhe [... ser] tirado” (Lucas 8:18).

Deus abunda em graça e unção a vida de todo aquele que lhe obedece, mas retira sua mão de todo aquele que permanece se afastando da luz enquanto afirma ser um discípulo de Cristo.

Considerações finais

Em suma, a parábola da Candeia nos apresenta não apenas a necessidade de o cristão permanecer em Cristo para que Sua luz nele resplandeça, mas também assevera e serve de alerta aos crentes quanto às suas atitudes diante dos mandamentos do Senhor.

Devemos buscar alinhar nossas vidas aos desejos de nosso Mestre Jesus para que, continuamente, do céu nos seja acrescentada cada vez mais graça e unção do Espírito Santo.

Fique na paz de Cristo Jesus e que Deus lhe abençoe.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, fundador e editor do Euaggelion.

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