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O Trigo e o Joio - Série: As parábolas de Jesus

Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo;
Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro. Mateus 13:24-30

Estrutura

A parábola do Trigo e do Joio é uma, dentre as inúmeras, na qual o Senhor Jesus ressalta a verdade máxima de Seu Reino visível (Igreja): nem todos que afirmam servi-lO foram, realmente, plantados por Deus ou serão salvos por Ele (vv. 25, 30). Ela está inserida no capítulo comumente conhecido por conter “As parábolas do Reino” [1].

Cristo se apropria de duas plantas muito parecidas, o trigo e o joio, para ensinar ao crente que exteriormente os falsos cristãos podem ser confundidos com verdadeiros ministros de justiça (2 Coríntios 11:14-15), mas seu interior é venenoso e mortífero.

Trigo e Joio

Visualmente o trigo e o joio são extremamente semelhantes e casos de envenenamento por ingestão acidental ou a contaminação do trigo com sementes de joio não era algo tão difícil de ocorrer e por isso Cristo utiliza, sabiamente, o cenário de um campo contaminado com o joio. De um lado um grão que alimentava e, do outro, um que podia matar.

O Senhor traça, precisamente, o cenário desde o plantio até a consumação de Seu Reino visível:

  1. O início de Seu Reino através do Evangelho proclamado primeiro em Jerusalém, Galiléia, Samaria e confins da terra (v. 24);
  2. A introdução de falsos profetas e falsos cristãos dentro do Reino visível de Deus (v. 25-26);
  3. A identificação dos falsos cristãos, pelos servos do Senhor, e o reconhecimento de sua doutrina venenosa (v. 27);
  4. E, por fim, a recomendação de Deus acerca do juízo. Ele é quem arrancará o joio e o queimará (v. 30).

Aplicação prática

Cristo introduz esta parábola logo após concluir a parábola do semeador, Ele continua Sua linha de raciocínio acerca do Evangelho. Ele é uma semente distribuída a todos os corações, alguns estarão dispostos a recebe-lo e outros não.

Mas além disto, Jesus também assevera para a realidade de que nem todo aquele declara Seu Senhorio entrará no Reino de Deus (Mateus 7:21), na realidade, o próprio Senhor desenvolve este princípio através de outras duas parábolas, a do grão de mostarda e a da rede.

Jesus reconhece que há homens e mulheres que serão plantados dentro do ajuntamento de cristãos, a Igreja, com o único propósito de impedir o seu crescimento e o pleno desenvolvimento do Reino.

Assim como na parábola do grão de mostarda (Mateus 13:31-31) e na parábola da rede (Mateus 13:37-50), os homens serão peneirados pelo Senhor e Ele julgará aqueles que estiverem em falta.

Devemos ter a consciência de que dentro de nossas igrejas haverão pessoas que jamais se converterão ao Evangelho de Cristo, jamais serão regeneradas pelo Espírito Santo, antes continuarão a viver em iniquidade e em desobediência à Palavra de Deus.

Por este motivo elas não compõe o Corpo do Senhor!

Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. Mateus 13:41

Jesus classifica o joio em duas classes de pessoas:

1. Aqueles que provocam escândalos: o primeiro grupo de pessoas são aquelas que escandalizam o Nome de Deus. São os que profanam a Palavra através de suas ações, causam perplexidade pelas suas falas e ensinamentos antíbíblicos e que negam ao Senhor através de suas vidas cotidianas.

2. Aqueles que cometem iniquidade: não devemos confundir cometer pecado com iniquidade. Jesus identifica como joio todo aquele que não abandona a prática do pecado, pelo contrário, se opõe ao que é correto e íntegro.

O iníquo não é aquele que, pela sua fraqueza peca e se arrepende, mas sim aquele que tornou seu coração tão pervertido ao ponto de odiar a equidade [2], de se opor à sã doutrina e à santidade.

Ambos são extremamente danosos ao Reino de Deus. Enquanto um atrapalha o desenvolvimento e a expansão da Palavra criando barreiras nos corações e afugentando os perdidos por conta de suas animalescas afirmações a atos acerca da Palavra, o segundo grupo traiçoeiramente introduz dentro do campo do Senhor o pecado, procurando amenizar as advertências bíblicas e os juízos proclamados pelo Todo-Poderoso.

No entanto, para ambos a sentença é clara. “Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mateus 13:41-42).

O propósito de Cristo é deixar claro para os crentes que eles não estão alheios à atividade de Satanás. Deus não impedirá que o joio cresça no meio de Sua plantação.

Todo crente deve ter esta realidade em mente e, desta maneira, compreenderá que suas forças não devem ser empregadas na tentativa de arrancar o joio, o próprio Deus o fará no Fim dos Tempos.

A missão para o trigo é apenas frutificar no Reino de Deus (Mateus 13:23) e de se empenhar no desenvolvimento da Palavra.

Isso não significa, contudo, que não devemos combater o pecado e as heresias que brotam no meio da igreja, pelo contrário, o que Cristo nos mostra é que o foco principal de nossas forças deve estar direcionado à expansão do Reino.

Uma vez que ambas as plantas são semelhantes corremos o sério risco de empregar esforços e energinas e, ao fim de tudo, arrancarmos o trigo. Apenas Deus pode classificar aquele que é ou não é joio!

Como escreve McNeely:

Não é o meu papel, nem o seu, descobrir quem é joio e trigo. Deixe Deus fazer isso. Talvez o principal motivo para esta parábola estar aqui [registrada] é para emitir um aviso a todos nós que professamos o cristianismo para nos examinar e nos certificar de que professamos a verdadeira fé, seguindo o ensinamento de Cristo e trabalhando em uma fundação verdadeira [3].

O Senhor não apenas nos orienta e alerta para o fato de que falsos mestres e falsos crentes serão introduzidos no meio dos filhos de Deus, mas também nos conforta com a certeza de que Ele próprio se responsabiliza em arrancar e julgar todo aquele que atrapalha o desenvolvimento de Seu Reino.

E além disso nos garante que "os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai" (v. 43).


  1. STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995. p.1414. ↩︎

  2. Iníquo: adj. 1. Contrário à equidade. 2. Perverso, malévolo. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio Século XXI Escolar: O minidicionário da língua portuguesa. 4 ed. rev. ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. ↩︎

  3. MCNEELY, Darris. Lessons From the Parables - The Parable of the Tares: God's Field. Beyond Today, 2015. Disponível em https://www.ucg.org/the-good-news/lessons-from-the-parables-the-parable-of-the-tares-gods-field. ↩︎

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, fundador e editor do Euaggelion.

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