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A rede - Série: As Parábolas de Jesus

Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos,
E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Mateus 13:47-50

Jesus ressalta, novamente, a realidade que vem apresentando desde a parábola do Joio e do Trigo: nem todo aquele que está fisicamente unido ao ajuntamento de crentes é, verdadeiramente, um cristão salvo.

Somos tendenciados a crer que o templo onde nos reunimos e o fato de nos reunirmos são evidências de nossa salvação pessoal, mas não é isto que nos ensina o Senhor. Todo o capítulo está permeado de ensinos que nos asseveram para a triste realidade de perdição dentro de nossos templos.

Em uma leitura superficial e desatenta nos parece que a parábola da rede foi apenas inserida por Cristo sem nenhuma relação lógica ou pedagógica. Mas se observarmos mais atentamente veremos o contrário.

O Senhor, após encerrar a parábola do Joio e do Trigo (vv. 24-30) apresenta o crescimento vertiginoso que a Igreja alcançará em virtude da pregação do Evangelho (vv. 31-33).

E conclui demonstrando a postura esperada daqueles que são alcançados pela graça salvadora de Jesus. Ao descobrir o tesouro escondido, que é o Evangelho, o crente “... vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo” (Mateus 13:44) e diante do valor que há na graça salvadora de Cristo “... vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a” (Mateus 13:46).

Cristo não está, ao contrário que possa parecer, declarando que nossos bens são uma barreira para servi-lO e que, por isso, devemos vender tudo para poder viver genuinamente a fé cristã.

Em ambas as parábolas o Senhor compara o Seu Reino e o Evangelho com o que os homens possuem em mais alta estima: tesouro e pérolas.

Contudo, assim como é apresentado nos ensinos do Senhor, o evangelho não vem sem renúncia pessoal, sem perdas, sem sacrifícios.

Embora não seja explicita, podemos traçar uma conexão entre as parábolas do tesouro escondido e da pérola com a parábola da rede.

Todo aquele que foi confrontado com o Evangelho e se encontrou com o Senhor irá, inevitavelmente, compreender o valor inestimável, do tesouro eterno, que lhe foi apresentado. Nada neste mundo poderá impedi-lo de sacrificar sua própria vida por amor ao Evangelho.

A renúncia exigida ao crente é expressa por Cristo através das palavras “foi e vendeu tudo”. Aquele que se encontra com Senhor deixa tudo o que é desde mundo, se desliga de todas as suas atividades e se entrega ao Senhor. O Evangelho não vem sem o preço da renúncia!

Após apresentar o crescimento de Seu Reino sobre a Terra e alertar para a realidade de que, no ajuntamento de cristãos, haverá falsos irmãos o Senhor apresenta a receita para aqueles que desejam ser um verdadeiro discípulo.

Compreendendo ambas as parábolas somos capazes de compreender a conclusão do Senhor apresentada na parábola da rede. Jesus deixa nos esclarece alguns pontos:

  1. Dentro do ajuntamento de crentes sempre haverá não crentes;
  2. A responsabilidade de separar os maus dos bons está nas mãos do próprio Deus, e;
  3. Por fim, Cristo assevera para a realidade da condenação eterna.

O Senhor concluí Sua série de ensinos apresentando o Juízo Final do Senhor, quando os ímpios serão condenados e os santos estarão, para sempre, ao lado do Seu Criador.

Infelizmente dentro da rede lançada estará aquele que, mesmo diante das maravilhas do Evangelho, não abandonou o mundo e seus prazeres, não renunciou sua carne e não vendeu tudo o que tinha para pagar o preço da santificação.

O Senhor Jesus alerta para essa triste, porém verdadeira realidade. O fato do crente participar regularmente das reuniões e atividades da igreja não lhe garante segurança alguma.

Cristo não está em busca de ouvintes do evangelho, Ele não procura aqueles que conhecem e entende Seus ensinos, mas sim aqueles que praticam o que conhece.

A parábola da rede nos coloca em alerta, será que somos os peixes bons ou os peixes ruins? Será que estamos pagando o preço exigido pelo evangelho ou estamos apenas andando paralelamente a ele.

Ao mesmo tempo que a conclusão das parábolas do reino nos fornece esperança de segurança eterna ao lado do Senhor, também nos alerta para o padrão de santidade que Cristo tinha em mente ao ensinar o povo.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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