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Um tesouro escondido - Série: As parábolas de Jesus

Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo. Mateus 13:44

A parábola do tesouro escondido, juntamente com a parábola da pérola e dos bons e maus peixes, encerra os ensinos de Cristo acerca das verdades referentes ao Reino de Deus.

Embora seja extremamente curta, a parábola do tesouro escondido nos ensina verdades profundas do relacionamento esperado entre o crente e o Reino de Deus e, juntamente com a parábola da pérola, apresenta o valor inestimável do Evangelho de Cristo.

Aplicação prática:

O Senhor Jesus ressalta dois pontos de extrema importância acerca do Reino de Deus 1) não há nada neste mundo que se compara ao seu valor e 2) todos aqueles que desejam se tornar participantes do Reino devem, obrigatoriamente, se dispor de tudo aquilo que possa atrapalhá-los em sua nova jornada de fé.

É importante relembrar que a parábola do tesouro escondido, junto com a parábola da pérola, está inserida num contexto cujo ensino de Cristo se articula entorno da severidade do juízo divino e da necessidade de abnegação pessoal para seguir aos mandamentos do Rei.

Todo crente deve ter em mente que sua caminhada com Cristo requer abnegação, renúncia e, em muitos casos, perdas. Ao comparar Seu Reino eterno com um tesouro o Senhor Jesus demonstra que, embora ele seja valioso, jamais será alcançado se não existir a disposição humana em busca-lo.

Você pode até encontrar um tesouro valioso, mas se não estiver disposto a cumprir os requisitos e sacrifícios necessários para possuí-lo seu entusiasmo e alegria serão completamente inúteis.

O mesmo se aplica ao Evangelho, o entusiasmo e alegria do novo cristão ao receber as Boas Novas deve ser acompanhado de renúncia pessoal e de seu serviço em prol do reino, Jesus deixa claro que o discípulo não é aquele que apenas proclama o evangelho, mas também aquele que coloca sobre si mesmo a cruz que o Evangelho exige (Mateus 10:38).

Todo cristão tem por obrigação atender ao chamado de abnegação e renúncia pessoal proclamados por Jesus, devemos estar dispostos para sacrificar nossos desejos carnais, nossa vontade e até mesmo desejos pessoais.

Devemos colocar o Reino e a causa de Cristo acima de qualquer motivação terrena, seja ela pecaminosa ou não.

Ao ensinar seus discípulos acerca da preciosidade do Reino de Deus e de seus critérios, o Senhor Jesus reverbera o que já havia ensinado no Sermão do Monte, “[...] buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33).

O Reino de Deus deve ser primazia na vida do crente, Suas Leis devem ser tidas por regra áurea de vida. O salmista já dizia que o justo medita na Lei do Senhor dia e noite, ou seja, sua vida é permeada e controlada, inteiramente, pelo Reino e pela Vontade Soberana de Deus.

Cristo ressalta essa necessidade, de vender, despojar, limpar, lançar fora tudo o que é passageiro, tudo o que é temporal para nos encher de tudo que é eterno e espiritual.

Aiden Wilson Tozer ao escrever acerca da necessidade do cristão se apresentar inteiramente vazio a Deus declara:

Se pretendemos de fato conhecer a Deus em crescente intimidade, devemos seguir esse caminho de renúncia.

Quando o coração humano está cheio das coisas deste mundo é evidente e inevitável que nele não haja lugar para Deus.

O Senhor Jesus, em Sua insondável sabedoria, declara abertamente aos discípulos que o perfil esperado do servo de Seu Reino é aquele que “vende tudo quanto tem, e compra aquele campo”, aquele que se dispõe de tudo o que é supérfluo para que o Espírito Santo de Deus possa, livremente, trabalhar em seu coração.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, fundador e editor do Euaggelion.

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