/ Apologética

Quem criou o Criador? - John Lennox

Richard Dawkins em seu livro "Deus, um delírio" centraliza toda sua obra entorno de seis premissas:

  1. Um dos maiores desafios para o intelecto humano ao longo dos séculos tem sido o de explicar como o complexo e improvável aparecimento do design no universo surgiu.
    A tentação natural é atribuir o aparecimento do design ao design em si. No caso de um artefato feito pelo homem, como um relógio, o designer realmente foi um engenheiro inteligente. É tentador aplicar a mesma lógica a um olho ou uma asa, uma aranha ou uma pessoa.

  2. A tentação é falsa porque a hipótese do designer imediatamente causa um problema maior: quem projetou o designer? O problema com o qual começamos foi o problema de explicar a improbabilidade estatística. Obviamente, postular algo ainda mais improvável não é uma solução.

  3. A evolução darwiniana pela seleção natural oferece o maior e mais poderoso alcance explicativo descoberto até agora no campo das ciências biológicas. Darwin e seus sucessores têm mostrado como criaturas vivas, com sua espetacular improbabilidade estatística e aparência de design, têm evoluído lentamente e gradativamente a partir de inícios simples. Podemos dizer com segurança que a ilusão do design em seres vivos é apenas isso - uma ilusão.

  4. Ainda não temos um equivalente modelo explicativo bem fundamentado para a física. Algum tipo de teoria do multiverso poderia, a princípio, fazer pela física o mesmo trabalho explicativo que o darwinismo faz para a biologia. Esse tipo de explicação é superficialmente menos satisfatória do que a versão biológica do darwinismo porque exige mais da sorte. Entretanto, o princípio antrópico nos dá o direito de postular muito mais sorte do que quisera a nossa intuição limitada.

  5. Não devemos renunciar a esperança do surgimento de um bem fundamentado modelo explicativo na física, algo tão poderoso quanto o darwinismo é para biologia. Entretanto, mesmo na ausência de um modelo altamente satisfatório que coincida com o biológico, os modelos relativamente fracos que temos atualmente são, quando instigados pelo princípio antrópico, evidentemente melhores do que a hipótese auto-derrotável de Deus e de um projetista inteligente.

  6. Se o argumento deste capítulo (livro) for aceito, a premissa fatual da religião - a hipótese de Deus - é insustentável. Deus quase certamente não existe. Esta é a principal conclusão do livro até agora.

Contudo, Dawkins fundamenta o argumento central de seu livro em uma falsa premissa, pois, como John Lennox muito bem apresenta (vídeo abaixo), ele dispara contra o conceito de "deuses criados" e não contra o Deus do cristianismo e, desta forma, suas premissas não chegam a arranhar o cerne da fé cristã.

John Lennox

John Lennox

Matemático, filósofo da ciência, apologista cristão e professor na Universidade de Oxford

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