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Você não merece o céu

  • Jamil Filho

    Jamil Filho

    Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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    Jamil Filho

Quem não deseja alcançar o céu, viver eternamente afastado de todo o sofrimento que experimentamos nessa vida? Todo cristão deseja e sonha com o dia que, finalmente, verá Cristo face a face.

Mas uma boa parcela dos cristãos compreende erroneamente não apenas o Evangelho de Cristo, mas também sua postura frente ao Evangelho e, por consequência, a sua relação com Deus e com seus semelhantes.

Não pretendo ser extenso, embora o assunto seja propício para um estudo mais amplo e profundo escreverei, no entanto, apenas algumas reflexões e desenvolvimentos de ideias nas quais venho refletindo há algum tempo.

Contudo, se surgir dúvidas, comentários ou ainda se você discordar do nosso ponto de vista aqui expresso deixe nos comentários e vamos dar continuidade, será muito proveitoso escutá-lo e conversar com você.

O que é o Evangelho?

O Evangelho não é um conjunto de regras, não se trata de boas práticas, mas de boas novas.

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O próprio conceito do Evangelho aponta para o que ele é e o que nos representa, é uma boa nova, uma boa notícia. Trata-se da proclamação de vitória sobre a morte e sobre a condenação alcançada por Deus através de Jesus Cristo no Calvário.

O Evangelho não aponta para o que fazemos ou deixamos de fazer, o Evangelho aponta para o que Cristo fez. Ele desenvolveu a graça, Ele venceu a morte, Ele distribui a salvação.

Me parece que há uma inerente e constante necessidade no coração humano em alcançar o favor de Deus e angariar a Sua salvação, no entanto, esse entendimento não é bíblico e, muito menos, cristocêntrico.

O Apóstolo Paulo, reverberando o Salmo 14, escreve em Romanos 3.10-12:

Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

Como um homem totalmente depravado pode alcançar o favor de Deus através de suas ações? Não há como! É impossível! O profeta Isaías (64.6) declara que “... todas as nossas justiças [são] como trapo da imundícia”.

Temos que compreender que sem a regeneração do Espírito Santo o homem não é capaz de cumprir a vontade de Deus. O ser humano em seu estado natural está em constante afronta ao Senhor, pois seus pecados mancham a imagem de Deus gravada nos homens.

O Evangelho não é um conjunto de ações que você deve cumprir para ser salvo, não se trata de conselhos a serem seguidos, de listas de “pode ou não pode”, isso não é Evangelho, é legalismo. O Evangelho é Deus anunciando que alcançou a nossa salvação, que cobrou de Cristo nosso preço, que rasgou o véu e veio em nossa direção.

O Evangelho não é o homem caminhando em direção a Deus, mas Deus caminhando em direção ao homem, trata-se da notícia de Deus entrando em nosso universo caído e construindo um caminho para a Glória. Não é o que você faz ou deixa de fazer que representa o Evangelho, é o que Deus fez!

Contudo, no extremo oposto encontramos também aqueles que afirmam que se Deus fez tudo então não há necessidade de fazer absolutamente mais nada, não há necessidade de se afastar do pecado, de se santificar, de praticar as boas obras.

Porém o Apóstolo Paulo nos oferece, claramente, a resposta para essa deturpação da Graça divina. Ele inicia questionando “Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?” (Romanos 6.1) e logo em seguida responde “De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (v. 2).

Paulo declara ainda que, exatamente por estarmos debaixo da Graça e não da Lei, de rituais, de listas de “pode ou não pode”, o pecado não tem poder em nós (v. 15). Uma vez que fomos alcançados pela Graça e cremos em Cristo Jesus passamos a desenvolver não mais a natureza de Adão, mas sim a natureza de Cristo.

O principal problema do legalismo é que ele apresenta um caminho que homem algum consegue trilhar, um caminho que depende do mérito humano, de seu esforço pessoal. O legalismo apresenta um desenvolvimento da salvação de fora para dentro, daquilo que eu faço ou deixo de fazer.

O Evangelho genuíno, por sua vez, desenvolve a salvação do homem de dentro para fora, primeiro Deus se encarrega de transformar o interior corrompido e, à medida que o homem se transforma, ele passa a refletir a imagem de Cristo em suas ações cotidianas.

Minhas boas ações, a santificação e a separação do pecado é um reflexo da nova natureza que em mim foi gerada, é o fim e não o meio. Isso é o Evangelho, Deus anunciando aos homens a salvação que Cristo comprou no Calvário e que entrega gratuitamente aos que creem em Seu nome.

E todo aquele que crê passa a refletir no mundo a nova natureza que nele foi gerada.

O céu não é um troféu para vencedores

A correta compreensão do Evangelho nos fará compreender o céu.

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Compreendendo o que é o Evangelho podemos, por fim, compreender que não merecemos o céu. Sim, da mesma maneira que não merecemos a graça de Deus, não merecemos a consequência desta Graça.

Muitos cristãos possuem a compreensão equivocada do que é o céu, creem que estão lidando com um troféu para vencedores, mas o céu não é isso! Quando o Apóstolo Paulo apresenta a corrida cristã em 1 Coríntios 9:15-27 ele não tem em mente a salvação da alma, mas sim o serviço cristão.

Ele sabe que, em Cristo, sua salvação e, por consequência, o céu está garantida, no entanto, ele reconhece a necessidade de levar outros à mesma graça alcançada pela fé.

E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada. 1 Coríntios 9:17

O mesmo conceito apresenta Tiago (2.14-25) ao tratar da fé e das obras.

O céu não é um troféu para vencedores, mas sim a morada daqueles que foram resgatados pelo sangue de Jesus Cristo. As obras e as batalhas do cristão serão recompensadas por galardões, por coroas e posição no Reino.

No entanto, nenhum de nós temos a condição de dizer que merecemos o céu por nossas obras. Ninguém merece o céu, mas o recebe pela fé na graça manifesta em Jesus Cristo no Calvário.

Que Deus lhe abençoe.

Jamil Filho

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Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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