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Batizados em fogo estranho - DropsGelion #05

  • Jamil Filho

    Jamil Filho

    Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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    Jamil Filho

Fogo... Cantamos, pregamos, falamos muito sobre o fogo como símbolo do Espírito Santo, talvez não seja a melhor figura para se utilizar, mas não entraremos no mérito.

O que me estranha é o fato do cristianismo em nossa Nação, que por sinal é composto por 25 milhões de pentecostais[1], não demonstrar, de fato, as evidências de um povo cheio do Espírito Santo.

E por quê eu afirmo isso? A resposta é simples e objetiva: o estado de nossa sociedade. Quando olhamos para o nosso redor o que vemos o que ouvimos?
O que me espanta, principalmente quando coloco lado a lado os cristãos de nosso tempo e os cristãos do cenáculo, é a gritante diferença entre nós e eles.

Eles eram perseguidos, nós perseguimos. Eles lutavam pelo direito de amar, nós lutamos pelo direito de odiar. Eles defendiam o Evangelho puro, nós defendemos nossas doutrinas denominacionais. Eles evidenciavam o Espírito Santo em suas ações cotidianas, nós "evidenciamos" durante nossas extensas cantarolas aos domingos.

Eles viam a Igreja crescer aos milhares em questão de dias, nós vemos a Igreja crescer unidades em milhares de anos. O que há de errado? Talvez nosso erro esteja na compreensão equivocada da Pessoa do Espírito Santo.

O compreendemos como apenas sendo um vento ou fogo, falamos que Ele está presente porque nos arrepiamos, choramos e pulamos, mas será que é só isso? Será que esse é o ministério do Espírito Santo? Arrepiar os crentes enquanto estes cantam duas horas?

Que fogo é esse que não é capaz de queimar o pecado em nossas vidas?
Talvez estamos vendo um declínio vertiginoso da Sã Doutrina em nossas Igrejas exatamente por causa do nosso desprezo ao ministério do Espírito Santo.

Esquecemos que Sua missão é convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo. O engessamos em nossos momentos de histeria e esquecemos de manifestá-lO em nossos dias pacatos.

Devemos manifestá-lo aos necessitados, aos nossos inimigos, àqueles que nos odeiam, aos que nos perseguem, aos que desejam nossa morte e a nossa desgraça, devemos manifestá-lo em nossa justiça, em nossa honestidade ao devolver o troco excedente no caixa do supermercado, em pagar pelas músicas que ouço e pelos filmes que baixo na internet ou pela TV a cabo que assisto.

É muito cômodo "sentir o Espírito Santo" no culto e esquecer dEle em minhas ações diárias, é muito fácil se arrepiar enquanto a música toca e deixar de lado os princípios morais da Graça.

Talvez ainda não compreendemos o que é, de fato, ser cheio do Espírito Santo. Talvez estamos embriagados com a ideia de acender um fogo estranho no altar de Deus e, por este motivo, o verdadeiro fogo não é manifesto.

Quem sabe algum dia abriremos nossos olhos para essa verdade...


  1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Demográfico 2010: Características Gerais da População, religião e pessoas com deficiência. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/94/cd_2010_religiao_deficiencia.pdf. Acesso em 07 de outubro de 2018. ↩︎

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