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Não, Deus não é fiel a você!

Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo. 2 Timóteo 2:11-13

Quantos já ouviram a canção e, com toda certeza, cantaram que “Deus é fiel a mim”? E não apenas cantaram, mas quantas pregações já ouvimos com essa mesma temática?

Mas onde a Palavra de Deus afirma que o Senhor permanece fiel a mim? Existe algum texto que declare abertamente isso? Não! Mas penso que tal ideia seja oriunda de uma interpretação equivocada dos últimos escritos do Apóstolo Paulo ao jovem Timóteo.

O hedonismo cristão

A ideia equivocada de que Deus continuará fiel à mim e submisso aos meus caprichos, na realidade, revela uma faceta extremamente assombrosa e antibíblica do cristianismo brasileiro: o hedonismo.

Uma parcela ínfima do cristianismo compreende o real significado da graça, do evangelho de Cristo Jesus e a situação pessoal do cristão como servo de Deus. Somos tendenciados a olhar para a Graça como se ela fosse apenas um pagamento de fiança e uma chave que me descortinasse, por completo, toda a liberdade.

Contudo, em momento algum o Evangelho se propõe a ser um caminho para a liberdade absoluta e lhe mostro o porquê: ao crermos no Senhor Jesus nos abdicamos de algumas liberdades e vontades pessoais como a mentira, a prostituição, o falso testemunho e outros comportamentos, muitas vezes aceitos pela sociedade, mas condenados por Deus.

Ser salvo e liberto por Cristo implica na mortificação das próprias vontades, conforme o próprio Apóstolo Paulo escreve em Romanos 6. E, muito além disso, não apenas atos contrários à Vontade de Deus devem ser evitados como também aqueles que, mesmo não sendo contrários à Palavra, podem induzir outros ao pecado e à queda (1 Coríntios 8; 10:22-33).

O grande problema do cristianismo hoje é que não somos capazes de compreender a implicação da Graça, olhamos para ela como se estivéssemos completamente livres para fazermos tudo o que desejarmos, para satisfazer todos os desejos e vontades.

Porque, se alguém te vir a ti, que tens ciência, sentado à mesa no templo dos ídolos, não será a consciência do que é fraco induzida a comer das coisas sacrificadas aos ídolos? E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. 1 Coríntios 8:10,11

Havia algum problema os cristãos comerem daquilo que foi sacrificado aos ídolos? Paulo declara que não, afinal ele declara que “o ídolo nada é no mundo” (v. 4). Contudo ele acrescenta afirmando que, se pela minha liberdade, um irmão cair então, por consequência, estou pecando contra o Corpo de Cristo.

Ou seja, mesmo que determinada ação, prática ou costume não seja, necessariamente, pecado diante de Deus ele passa a ser considerado uma transgressão a partir do momento em que, por minha liberdade, provoco a queda de um irmão mais fraco.

No entanto, este princípio foi completamente esquecido (ou rejeitado) em nosso cristianismo, não falamos acerca de nossa supressão de vontades e práticas individuais em prol do Corpo de Cristo.

Pelo contrário, o que vemos é uma exacerbada exaltação à liberdade que Jesus nos forneceu, e realmente a temos, no entanto, não se estabelece os delimitadores desta liberdade.

E, diante deste cenário, não é de se espantar que encontremos cristãos que colocam suas próprias vontades acima do Corpo de Cristo, que não estão dispostos a ceder sua liberdade em favor do crescimento espiritual dos membros e tudo culmina na errônea interpretação do texto bíblico destacado.

Quando não enxergamos o verdadeiro panorama do Evangelho e suas implicações práticas temos a falsa impressão de que, até mesmo Deus, está sujeito à minha vontade.

O que Paulo, realmente, quis dizer?

Em sua última carta ao jovem Timóteo, o Apóstolo Paulo declara que:

  1. Se morremos com Jesus, assim como Ele morreu, também viveremos com Ele, assim como Ele ressuscitou;
  2. Se sofrermos neste mundo por amor ao Evangelho, na Glória reinaremos com Ele;
  3. Se o negarmos, no último dia Ele também nos negará e;
  4. Se formos infiéis ao que Ele nos determinou em Sua Palavra, o Senhor continuará fiel à Sua Palavra.

Inconscientemente estamos declarando que Deus é submisso a mim, ou ainda que o Senhor tem o dever de me abençoar, de me livrar e de me proteger de todo mal indiferentemente da maneira como vivo.

Em momento algum o Apóstolo Paulo declara que Deus é fiel ao homem, o Senhor é fiel à Sua Palavra e, se o homem estiver em concordância com a Sua Palavra, automaticamente o Senhor lhe concederá das Suas Promessas: a vida eterna e a participação em Seu Reino glorioso.

Jamil Filho

Jamil Filho

Cristão por livre escolha, salvo pela graça, servo de Cristo Jesus, eterno estudante de teologia, criador e editor do Euaggelion.

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