Atire a primeira pedra

“E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela” (João 8:7)

Um texto clássico da Bíblia Sagrada, até mesmo quem jamais leu um capítulo das Escrituras diz o famoso jargão “… atire a primeira pedra”.

Mas até que ponto, realmente, podemos nos utilizar deste texto como uma medida para levantar um “escudo” de proteção contra nossos erros?

Jesus, em momento algum, estava isentando aquela mulher das consequências de seu pecado, pelo contrário, Ele estava mostrando a gravidade do pecado em contraste com a libertação de Sua Graça.

Para compreendermos um pouco melhor o contexto desta passagem devemos retornar ao Pentateuco. Em Levítico 20:10 está escrito:

“Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera”

Agora notem o que o versículo quatro de João nos diz “… esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando”. Percebam que eles já começaram errado!

A Lei ordenava que ambos fossem executados, no entanto, eles apresentaram somente a mulher.

Diante da Lei não havia nenhuma distinção de homem e mulher, ambos deveriam ser condenados pelo seu pecado.

Segundo ponto, o objetivo dos judeus, como em muitos outros momentos, era apenas e tão somente encontrar alguma falha em Jesus para, desta maneira, eles pudessem condená-lo.

Eles não estavam preocupados com a justiça divina, ou com a santidade do povo escolhido, pelo contrário, seu desejo era apenas matar ao Messias e, para isso, uma palavra dita contra a Lei bastava.

Pois bem, compreendendo este breve panorama, o que Jesus nos ensina neste texto não é o conceito, muitas vezes difundido: “não condene o pecado do outro, pois você também peca”, mas sim que “todos estão em pecado e carecem de salvação”.

O propósito aqui é diferente. Em momento algum Cristo aceitou ou relevou o pecado da mulher, pelo contrário, Ele mesmo declara “… vai-te, e não peques mais” (v. 11).

Mas ao entoar a clássica frase, “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela” (v. 7), o Senhor coloca todos ali presentes na mesma condição: infratores da Lei de Moisés.

Devemos condenar o pecado então? Sim, com toda certeza! Contudo devemos ter a consciência de que nosso papel é conduzir o pecador até Cristo para que ele seja limpo e não para que a salvação lhe seja negada.

Infelizmente muitos de nós fazemos como aqueles judeus, levamos o pecador até Cristo para matá-lo, para condená-lo, contudo, esquecemos que Jesus ainda não se assentou em Seu Trono para julgar e, portanto, a porta da salvação está aberta. Basta o homem, humildemente, reconhecer seu estado de pecado e aceitar a graça salvadora de Cristo.

O Evangelho de Cristo vivifica e salva todo aquele que, como aquela mulher, escolher andar na Luz de Cristo (João 8:12). Não atire a pedra, mas conduza aos pés de Cristo todos aqueles que carecem da salvação.

Fique na Paz de Cristo e que Deus lhe abençoe.