Fé pura

“E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18:3)

A fé é um tema muito recorrente aqui no Euaggelion e, hoje, vamos meditar mais uma vez acerca deste assunto tão simples, maravilhoso e, ao mesmo tempo, tão complexo e profundo.

Já parou para pensar sobre quão dicotômica é a fé? Ao mesmo tempo em que ela nos exige uma confiança plena e absoluta em algo que não vemos, à medida que nossa alma se abre ela se torna o conforto e o remédio para nossas dores e anseios.

Céticos podem bradar: “Quero evidências!”.

Contudo evidências não promovem fé, não desenvolvem a certeza de salvação e jamais alimenta uma comunhão verdadeira com Deus.

As evidências são o caminho que converge para um desfiladeiro que divide a vida carnal da espiritual, você sabe que do outro lado estão as respostas, contudo, para atravessar esse vale você deve dar um passo de fé rumo ao precipício e confiar que Deus lhe conduzirá ao outro lado.

Me vem à mente a história de dois céticos, dois ateus, Josh McDowell e Lee Strobel, ambos se depararam com o evangelho e se empenharam em uma épica jornada para provar a tolice da fé cristã.

Ao final, ambos concluíram que estavam errados, contudo, ambos declararam que suas convicções foram transformadas não pelas evidências, mas pelo amor de Deus. Um cético pode ter todas as evidências possíveis acerca da veracidade do Evangelho, mas enquanto ele não receber a Cristo como um menino jamais entrará no Reino.

O mesmo se aplica a nós, podemos conhecer os ensinos dos apóstolos, da patrística, dos grandes nomes da teologia e filosofia cristã, mas se não nos convertemos como meninos jamais encontraremos o caminho da salvação.

Jesus deseja que tenhamos uma fé pura, uma fé que ama e deseja o mais profundo relacionamento com Ele. Uma fé que aceita os “puxões de orelha” e que reconhece a dependência do Pai Eterno.

Se nos apoiarmos no intelecto vamos fracassar, claro que não estou dizendo que devemos ter uma fé cega ou que não devemos estudar a teologia cristã, o que digo é que nosso relacionamento com Deus deve ser puro, simples, sem rodeios filosóficos e teológicos.

Um relacionamento de filho para Pai. Ao dizer isso para você estou, primeiro, dizendo para mim mesmo.

Eu amo teologia, filosofia cristã e todo estudo relativo à história da Igreja e do desenvolvimento do pensamento cristão.

No entanto, percebi com o passar do tempo que Deus jamais exigiu do cristão alto grau de intelectualidade, mas sim um alto grau de compromisso em um relacionamento sincero e puro.

Quando A. W. Tozer escreve (em seu livro “Em busca de Deus — Minha alma anseia por ti”) acerca da bênção de não ter nada, de desenvolvermos uma percepção de desapego pelas coisas terrenas para nos apegarmos ao Senhor, podemos incluir aqui todo desenvolvimento intelectual cristão.

Muitas vezes somos tentados (eu mais ainda) a apoiar nossa fé nas evidências enquanto que, na realidade, o propósito de Deus é que apoiemos nossa fé em Seu Amor demonstrado em Cristo.

Minha oração é que possamos desenvolver, cada vez mais, uma fé pura em Cristo Jesus, uma fé de filhos de Deus.

Fique na paz de Cristo e que Deus lhe abençoe.