Sou o discípulo que Jesus ama

“Ora, um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus” (João 13:23)

Há algum tempo assisti um vídeo, bem curto, onde Mike Donehey (vocalista da banda Tenth Avenue North) falava sobre o fato do Apóstolo João referir a si mesmo, no Evangelho escrito por ele, como o “discípulo que Jesus amava” e, hoje, vamos entender um pouquinho sobre este tema tão profundo e maravilhoso.

Alguns podem pensar que João era arrogante ou orgulhoso, afinal somente ele escreveu que Jesus amava ele. Não lemos o Apóstolo Pedro, Tiago ou até mesmo Paulo referindo a si mesmo como aquele a quem o próprio Cristo amava.

No entanto, não é bem assim. Ao contrário do que você possa pensar o fato de João se referir como o discípulo amado por Jesus não indica prepotência de sua parte ou arrogância, mas sim uma profunda humildade e consciência daquilo que ele era e de quem Jesus era.

Ao contrário de todos os outros discípulos, somente João permaneceu com Jesus em seus momentos finais, ele estava lá quando seu Mestre foi preso, quando estava sendo julgado e no momento da crucificação e, depois da morte de Cristo, foi ele que cuidou da mãe de Jesus.

Mas quando o Apóstolo escreve o quarto Evangelho, entre os anos 80 e 95 d.C., ele não diz “o discípulo que não abandonou Jesus”, ou “o discípulo que estava ao pé da cruz de Cristo” ou ainda “o discípulo que cuidou da mãe do Mestre”.

Não! A intimidade que João possuía com Jesus era tamanha que ele reconheceu o fato de ser um ser humano falho, um homem pecador, mas que ainda sim é alvo do amor de Deus.

Ao dizer que ele era o discípulo amado pelo Mestre o Apóstolo João apresenta a profundidade do que é ser seguidor de Cristo.

Nossa identidade não está vinculada aos nossos esforços, ao tanto que trabalhamos para o Senhor ou que ganhamos em vida, não! Nossa identidade como cristãos está intimamente ligada ao que Jesus fez por nós.

João reconheceu que sua fidelidade ao Mestre demonstrada no momento mais crítico e apavorante que aquele grupo de doze já haviam presenciado não lhe conferia a verdadeira insígnia, pois eram ações que apontavam para si mesmo.

Enquanto que ao reconhecer que Jesus o amava ele indica que a sua identificação, como servo de Cristo, não aponta para si, mas para o seu Mestre. Jesus amava Pedro, Tiago, Mateus e o próprio Judas Iscariotes.

Porém somente João possuía a sensibilidade de se reclinar no peito do Mestre e deixar que Seu coração divino transmitisse ao seu coração humano a verdadeira identidade do cristão: discípulos amados.

Você é o discípulo que Jesus ama, eu sou o discípulo que Jesus ama, pois esta é a nossa identidade, fomos marcados pelo amor, não são nossos talentos, nossas vitórias, nossos troféus que nos tornarão amados do Senhor.

Não é nada desta terra que nos identificará como discípulo, mas é o próprio Deus derramando o amor no Calvário e declarando Seu amor ao mundo através de nós.

Jesus ama todos os seus discípulos, não há e nunca houve nenhuma distinção neste amor, no entanto, a medida que compreendemos que a caminhada cristã e a marca do Evangelho em nossas vidas são relacionadas ao que Cristo fez e não ao que nós fizemos então, verdadeiramente, passamos a nos inclinar sobre o peito de Jesus para ouvir mais de Seu coração.

O único que pode te afastar da identidade de discípulo que Jesus ama é você mesmo! E qual será a sua escolha hoje, permanecer longe ou se aproximar da vida que brota no coração do Mestre?

Que Deus lhe abençoe, fique na paz de Cristo Jesus.